comentários maldosos (e o dia em que gisele me chamou de invejosa)

Eu nunca colecionei inimigos.

Não sei o que acontece, mas inimigos profissionais – aqueles encrenqueiros que zanzam por aí em busca de desafetos – tendem a me ignorar por completo e buscar treta em outro quintal.

Na blogosfera é igual  – dificilmente recebo desaforos gratuitos de leitores galos de briga. Até porque, cá pra nós, esse não é exatamente um blog polêmico, vai.  Eu não levanto teorias, não mostro a bunda em rede nacional (é que ninguém quer ver!)  e não tenho a pretensão de ensinar ninguém a ser mãe.

Dito isto, vez ou outra recebo uns comentários que pelamor, eu não mereço.

Já fui chamada de pessoa amargurada, veja você. Já fui acusada de passar a impressão equivocada de que a maternidade seria fácil e engraçada. E, ao contrário, alguém já insinuou que eu demonizava a maternidade de tal maneira,  que fazia com que mulheres sem filhos perdessem a vontade de tê-los.

Acho que comentário maldoso, maldoso MESMO só recebi um, que, em resumo, afirmava que se eu havia me recuperado tão rapidamente do aborto é porque eu não queria o bebê. Ouch, essa doeu.

Mas doeu só na hora. Porque eu logo conclui que não era nada pessoal. E que gente assim acorda determinada a detonar com o dia de qualquer pessoa que lhe cruze a frente. E no meio do caminho dela tinha o Piscar de Olhos. E foi nele mesmo, que ela lançou a cacetada.

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Então, sim,  sou uma pessoa afortunada e praticamente inimigos-free. Porque, convenhamos, colecionar 7 ou 8 comentários desaforados em meio aos cerca de 3 mil comentários já feitos nos 100 posts deste blog, pra mim, é sorte que não acaba mais.

E eu nem me dou ao trabalho de ter que apagar comentário maledicente. Eu simplesmente não aprovo. Ah, não aprovo MESMO. Que o blog é meu e eu aplico nele as mesmas regras que aplico pra minha casa: e na minha casa ninguém entra com sapato sujo.

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Mas na semana passada eu fiquei meio passada com um comentário anônimo. E queria aproveitar pra respondê-lo, posso?

Oi, Dona Anônima,

Recebi seu comentário. E não, não aprovei e nem vou aprová-lo. Este blog é gerenciado dentro do sistema ditatorial.

Não aprovei, primeiramente, pelo seu linguajar.  Veja bem,  estou longe de ser pessoa pudica. Mas palavrões aqui, só vindos de mim (ou das colega-tudo).

Segundo, porque acho que quem faltou com respeito aos portadores de TOC foi a senhora. Nunca foi minha intenção desmerecer as dificuldades de quem sofre de Transtornos Obssessivos Compulsivos.

Até porque a sombra do TOC me persegue desde a infância, se a senhora insiste em saber. Quantas vezes me vi tendo que contar até 50 de trás pra frente ou contar quantas frases tinham uma determinada música, só pra salvar meu pai de um possível acidente ou minha mãe de uma doença terminal?

Hoje ele me aborrece bem menos, porque penso nele como uma voz que sussurra medos infundados no ouvido da gente. Mas isso não quer dizer que vez em quando não acorde 3 ou 4 vezes durante a noite, só pra ver se a porta está mesmo trancada. Ou se o gás não está vazando. Ou se meu filho não foi raptado.

Falta de respeito é a senhora se referir aos portadores de TOC como loucos.  Não, dona anônima, portadores de TOC  não são loucos.  Recomendo que a senhora procure um profissional, compre um livro a respeito ou use e abuse do nosso amigo google pra descobrir um pouco mais sobre o TOC e referir-se a ele com mais respeito.

A senhora também me acusa a tirar sarro da loucura alheia. Não, eu não tiro sarro de louco. Eu sou até bem fã da loucura. E acredito que, de celulite e louco, todo mundo tem um pouco.

Um exemplo. Faz tempo que eu corro no Aterro do Flamengo. E ali no Aterro tem uma pedra bem grandona, com uma estátua de uma garça linda, branquinha, empinada, olhando para o horizonte.

Ontem de manhã, correndo no Aterro, me aconteceu a coisa mais maluca e inusitada EVER, Dona Anônima. Tá sentada? A senhora não vai acreditar, mas a estátua de garça SE MEXEU.

Eu tomei um susto tão grande, mas tão grande, que meu coração disparou, eu fiquei meio sem ar, tropecei e só não caí porque sou moça equilibrada (?).

A primeira coisa que eu fiz foi ir falar com o pipoqueiro:

– O senhor também viu?? Mexeu, viu?

– Claro que mexeu – diz o rapaz da pipoca. As garças se mexem mesmo. E voam também, sabia? – e soltou uma risadinha debochada, daquelas  que só os pipoqueiros que já viram de-tu-do-nes-sa-vi-da sabem dar.

Ai, eu fiquei muito transtornada. Se aquela garça não era uma estátua, então todo dia, toda hora, o dia inteiro parava uma garça igualzinha NA MESMA PEDRA e ficava fingindo ser estátua?!

Por toda minha corrida, não consegui pensar em outra coisa que não fosse a garça dissimulada que fingia ser estátua.

Ou seriam várias garças, um bando delas, que se alternavam na difícil tarefa de estatuar??

Talvez fosse tudo um complô garcez! E elas só iam pra cima da tal pedra quando  viam que eu estava me aproximando!!

– Aí, moçada! Lá vem a otária. Qual de nós vai estatuar hoje?

– Hahahaha, eu vou, eu vou! Mas hoje vou me mexer um pouco pra ela ficar griladona!!

– Hehehe, maneiro!

Então, Dona Anônima, veja bem: eu não me sinto em posição de menosprezar ou desconsiderar nenhum dos dois grupos mencionados pela senhora.

Não menosprezo quem tem TOC porque eu mesma tenho meus momentos difíceis.

E nem sacaneio os loucos – porque, como a senhora acabou de perceber, o presente blog é escrito por uma pessoa que tem certeza absoluta que existe CONTRA ELA um bem planejado complô, arquitetado por um grupo de malignas garças do Aterro do Flamengo.

Estamos entendidas?

***

Ainda sobre comentários:  aproveito pra dizer que ando meio atrapalhada, tenho comentado pouco, me perdoem. A gente vai embora no começo de dezembro e eu e maridão temos matado uns três leões por dia. Perdoa, uma hora eu volto.

***

E já que o assunto hoje é comentário, não resisto: tenho que terminar esse post com um comentário que recebi em setembro passado, que se referia a um texto sobre a nossa amiga Gisele:

Isso é inveja sua.

Ora, se eu achei tempo pra responder ao comentário desaforado da Dona Anônima, como raios não vou responder a comentário vindo de nada menos que GISELE em pessoa, gente?

Mas daí …parte de mim tem certeza absoluta que não foi a Gisele em pessoa que comentou meu post e sim alguma desocupada por aí. Nesse caso…Olha só, Gi, se não foi você que fez esse comentárrio, então é favor comentar o seguinte comentário:

“Claro que não fui eu que escrevi isso, ô Nanica. Era o que me faltava! Eu tenho que cuidar da cria, do marido, salvar as baleias e ainda perder meu tempo vindo num blog escrito por uma louca com mania de perseguição???”

Mas, enquanto você não me manda de volta à minha insignificância, eis minha resposta ao seu comentário.

Oi, Gisele,

Mas é claro que se trata da mais pura e desavergonhada inveja.

Mas tenta entender. Me é humanamente impossível, no auge dos meus (discutíveis) 1 metro e 67 centímetros, nutrir quaisquer sentimentos nobres para com pessoa tão alta, magra, linda e cujo filho desfralda aos 6 meses de idade.

Preciso de tempo, muita meditação e elevação espiritual para que, de minha parte, floresçam sentimentos alvos e bondosos.

Beijos e sorte na sua jornada.

PS: Você sabia, Gisele,  que suas primas (as garças), estão armando um complô contra mim?? Depois sou eu a invejosa, neah?

mãe desprendida, mãe neurótica

Todo mundo sabe que fazer as malas pra mudar de país é exercitar o dom do desprendimento.

E ser desprendida  é reduzir a sua bagagem e selecionar apenas e tão somente aquilo que você efetivamente vai usar lá do outro lado do mundo.

Na prática isso significa parar na frente do seu armário, analisar peça por peça e ser dolorosamente sincera com você mesma.

O seu vestidinho vermelho, por exemplo. Eu sei que ele te acompanhou em baladas inesquecíveis e só traz boas lembranças daquele fim de semana em Angra. Mas, pensa comigo – ele só fazia sentido quando você chegava na balada em câmera lenta, com cara de mistério e drink na mão.  Esse vestido não combina, meu bem, de jeito nenhum, com seu novo estilo maternidade de chegada triunfal: carrinho em punho, bolsa térmica em mãos e um pentelhinho de pouco mais de 90 centímetros que faz questão de levantar o rodopiante vestido para se esconder bem ENTRE as suas pernas. Não, querida, não ORNA.

Portanto, o vestido fica. Good bye, my friend.

Quando o assunto é sapato, a realidade pode ser ainda mais dolorosa. Sabe aquele par  de sapatos que você a-do-ra e que  são seus fiéis escudeiros pra festa classuda? Pois é, eles também ficam.

Porque existe uma razão, cara amiga mãe, desse arraso de sensualidade saltos 15 estarem esquecidos no fundo do armário: esse par de belezura está munida de saltos pré-maternidade. E embora esse lapso não venha escrito no manual-pré-filho,você e eu sabemos que a maternidade traz consigo a total incapacidade de deslizar em saltos muito altos. Seja porque seu pé cresceu (o meu nunca mais voltou ao tamanho de antes), seja porque eles não foram feitos pra equilibrar o seu peso + o peso do seu filho juntos.

Então, moça, respira fundo e exercite o tal desprendimento: os sapatos sexy mamma ficam.

E assim você vai reduzindo a sua vida inteira de ornamentos a uma, duas malas. E tudo bem. Não faz sentido atravessar oceanos com tralhas que nunca mais serão usadas.

Então você respira fundo e se sente orgulhosa do ser desprendido e elevado em que você se transformou. Uma pessoa livre da materialidade e das amarras do capitalismo – praticamente uma BUDA de tetas.

(Mas a elevação toda acaba assim que você descobre que a Dior vai liquidar estoque  BEM na semana em que você chega em Cingapura!!? Agora, se isso não for intervenção divina…)

***

Dito isto, pensei que seria missão fácil essa de exercitar o desprendimento em relação aos brinquedos do Noah. Porque não dá pra levar tudo, gente. Mas também não dá pro rapaz mudar de país, dizer tchau pra família e amigos e – ainda por cima – perder contato com o coelho Pepe pra sempre? Ah, não.  Alguns brinquedos a gente vai ter que levar.

(Abre parênteses pra explicar que nós optamos por não levar nossas coisas da casa em containers. Elas ficam, a gente compra tudo novo por lá. Essa é uma das opções dadas pela empresa – eles economizam com o container e, em troca, te ajudam a comprar tudo novo. Vale a pena, uma porque você nem sabe se seus eletros vão funcionar por lá (ou se existe assistência técnica etc) e duas porque Cingapura oferece tudo de mais moderno e bacana. Se eu estou me desfazendo do vestidinho vermelho e sapatinho sexy mamma acho que posso tranquilamente abrir mão do liquidificador walita, concordam? Fecha parênteses.)

Ocorre que, putamerda, como é difícil optar entre um teclado que ele começou a tocar aos 8 meses de idade ou um cachorro no qual ele tropeçou quando começou a andar. Tudo me remete a lembranças, tudo tem sua importância, nada é dotado de insignificância ou desdém. Afinal, essa é a história do meu filho. E o que pode ser mais importante que isso?

Mas o que tem que ser feito, tem que ser feito. E assim eu começo a doar os brinquedos que não poderão ser levados com a gente. Ando tão sentimental em relação a isso que desistimos de vender a mobília do pequeno e resolvemos doar pra um orfanato. Não que a história de vida do Noah não estaria em ótimas mãos (meninas, obrigada pelo interesse em comprar tudo!) mas porque concluimos que existem crianças que carecem de tudo – inclusive de história. E torcemos pra que o berço ou o cadeirão do filhote não sejam somente úteis, mas que sejam parte da história de alguém (que não tem história).

Ai, caraca, olha o chororô.

Daí que eu já dei alguns brinquedos, e confesso que me senti muito bem imaginando o rostinho das crianças que os receberiam. Até que chegou a hora da Bia ( A Girafa) e o Romero (O Camelo Caramelo). Daí, malandro, a casa caiu.

– Alô, amor – diz a mulher, aos prantos.

– Que foi? Que aconteceu???

– Nada importante, não se preocupa. Cê tá em reunião?

– Tô em reunião – sussurra o marido – O que aconteceu???

– Não me faça escolher entre a Bia e o Romero – responde a mulher, aos prantos – Eu te imploro: não me faça optar por um ou outro! Buáááááááááá…

– Que? Que Romero? Que Bia? Do que você tá falando, Roberta? – sussurra o marido.

– Como que Bia, François!? A girafa Bia! E o Romero, o camelo caramelo! Eu não posso ser forçada a fazer com que nosso filho viva sem um ou sem o outro!! Isso não tá certo, coitadinho!! Buááááááááááááá!

– Não fica assim – diz ele, já com voz de quem pediu licença e saiu da reunião – Olha, a gente leva os dois, tá bom?

– Promete? Buáááááááááá…

– Prometo. Nunca nessa vida a gente vai embora sem levar a Bia e o Romero. Combinado?

– Combinado. E sabe aquele meu casaco listrado? Aquele que você disse que eu nunca uso e que era melhor dar pra alguém? Então…eu quero levar ele também. Porque eu usei ele direto na gravidez do Noah…snif.

– Leva o casaco.

E o pobre marido volta pra reunião e passa a tarde inteira pensando em que merda ele ainda poderia tirar das malas dele, só pra fazer mais espaço pros brinquedos do filho( e pras neuroses da mãe).

Mas me diga, amiga (o) leitor (a):  Por acaso é fácil quando a vida nos prega peças e nos faz optar entre a girafa e o camelo?

(tô carente, sou perigosa mãe e tenho um teclado em mãos – é favor não me contrariar.)

o porteiro e a mãe do ET

Sumidíssima, eu sei.

Mas me diz quem é que dá conta de se desfazer de uma vida toda, preparar mudança, doar, dar, vender, comprar, cuidar de um pequeno meliante (agora em versão 2.0), despedir, viajar, chorar, beber, cair, levantar, receber visita e ainda escrever neste abandonado blog?

Tô estafada gente, cuida bem de mim.

Quem já mudou de casa,  bairro, cidade ou país sabe bem a que me refiro. Mudanças são pesadas, intensas, trabalhosas.

E, ai, como engordam as mudanças.

– Amor! Vam’ chamar uma pizza?

– Mas Roberta, a gente acabou de comer.

– ôô, querido, pensa bem. Quando é que a gente vai ter a chance de comer essa pizza de novo, me diz.

– Isso é verdade.

E assim se vão semanas e mais semanas de despedida intensa da tal pizza. E do pão de queijo. E da caipirinha.

(e lá se vai o sonho de chegar ao novo país magra, esvoaçante e misteriosa)

***

Além de engordar, mudanças geralmente provocam a chamada síndrome do “sério-que-isso-sempre-esteve-aqui-e-eu-NUNCA-reparei??”

Então pela primeira vez você repara nessa árvore gigante da sua rua. E resolve consultar o porteiro:

– Moisés, me diz uma coisa, eu tô louca ou plantaram uma árvore já crescida na nossa rua?? Essa árvore já tava aqui?

– Só há uns 100 anos, dona Roberta.

– Mas Moisés, como é que eu NUNCA tinha reparado nela antes, me diz?!

E você contempla a tal árvore, até ser invadida por essa vontade louca de chorar… e abraçar… e se despedir da árvore.

– Ai, Moisés, vai ser difícil viver sem essa árvore, essa maravilha da natureza, esse presente de deus. E eu também vou sentir muita saudade de você viu?!

E pra não abraçar a árvore você dá um abraço forte no porteiro.

(que passa a ter certeza absoluta de que esse pessoal da zona sul é tudo meio esquisito mesmo).

vontade louca de abraçar o porteiro e o cristo redentor

(espetáculo de vista, registrada pela super tia deá)

***

Noah agora tem 2 anos e eu entrei na fase “Meu-filho-é-um-ET”.

Essa fase geralmente começa quando a prole passa a formar frases de sua própria autoria.

Porque se você, querida mãe, já acha deveras fofo quando a cria repete “ma-mãe”, “á-gua”, “pão”, então imagina ao delírio que seu frágil coração materno vai chegar quando ela crescer um pouco mais, virar pra você e dizer:

– Mamãe, tudo aqui é muuultu piligoso!

ou:

Papai, vê se chama o tácsiti” (taxi)

ou ainda:

“A minha mamãe não tem pinto, não.”

Eu sempre leio e adoro as mães que transcrevem as pérolas das respectivas crias. Mas só agora entendi o que elas sentem. Certeza que cada uma delas, como eu, acha que a filha é esperta demais pra ser uma reles humana. Ou que o filho trata-se, na verdade, do Messias em pessoa.

Aqui começa a fase em que você realmente passa a acreditar que seu filho é tão, mas tão inteligente que simplesmente não pode ser deste planeta.

– Certeza que as outras crianças não são assim, amor – diz a mãe ao marido. Ele é um ET, pode ver pelo formato das orelhas.

repare nas orelhas (e nas antenas!) e me diga: trata-se ou não de um ET?

 

da culpa, do colar de conchinha e do isopor de 126 mil reais

Daí a pessoa decide que seria legal abandonar parentes, amigos queridos e pertences em geral e mudar com a família pro outro lado do mundo.

Um lugar organizado, limpo, arborizado, praticamente sem crimes , com orangotangos, orquídeas e  parquinhos de chão emborrachado. Um país longínquo, com boa comidinha e terremotos-free.

Tudo muito perfeito – não fosse o fato que seu filho não fala inglês e não entende NENHUM dos quatro idiomas falados no futuro país.

Preocupada, você liga pra psicóloga, chora pro porteiro, conversa com a pedagoga da escola e vai dormir cheia de culpa.

E como culpa de mãe é ameba safada e penetrenta, que se apropria até do sonho da pessoa, você  fecha os olhos, a ameba penetrenta pula pra dentro do seu inconsciente e você começa a sonhar.

E no seu sonho, vocês já estão no novo país e seu filho já vai pra escola.

Quando ele chega em casa, vindo da nova escolinha, você repara um troço estranho pendurado no pescoço dele.

– Que é isso, filho?

– Um colar de conchinha.

– Colar de concha? De quem? Quem te deu isso?

– Foi a professora.

– Que estranho, um colar de concha.

– Sabe o que é, mamãe – é que eu tava com sede, muita sede. Então eu pedi água pra professora. Falei água, professora, água. Só que água em mandarim é colar de conchinha. Daí ela me deu o colar e eu fiquei lá, morrendo de sede, sem um pingo de água pra beber.

Fim do sonho. Pega na minha mão e diz que a culpa não é minha?

***

Eu fico me perguntando em que momento da nossa recente história ficou decidido que celebrar o aniversário de 2 anos do seu filho significa ficar 7 mil reais mais pobre.

– Alô, por favor, eu queria saber quanto custa fazer o aniversário de 2 anos do meu filho na sua casa de festa?

– Pra quantas pessoas?

– Umas 50.

– Tem que ser no mínimo 100.  E custa $%%$%#$@@$.

– Como???? Quanto????

– $%%$%#$@@$. Mas você ganha de brinde duas caixas de skol.

– Mas não dá pra fazer por menos, considerando que eu só tenho 50 convidados??

– Olha, não dá não.

– Putz.

– Mas, olha só – diz a moça –  às vezes, a gente ACHA que só tem 50 convidados, mas começa a vasculhar a agenda telefônica e acrescenta esse, esse, aquele, o primo daquele. Entendeu? No final você consegue reunir 100 pessoas e daí não fica tão caro! Entendeu?!

***

Moral da história:

–  Preciso ampliar minha rede de amigos. Porque, de acordo com a teoria da funcionária do buffet infantil, se eu ficar amiga do primo da amiga da minha amiga, todo o $%%$%#$@@$ desembolsado no aniversário do meu filho não ficará tão caro, posto que tem mais gente enchendo o bucho às minhas custas. Tenho cerca de 30 dias pra amortizar o investimento.

– São  7 mil reais por aniversário. Serão pelo menos 18 aniversários bancados por você. 7.000 X 18 = 126.000 motivos pra você chamar sua amiga, a amiga da amiga e a prima da amiga e colocar todo mundo pra enrolar brigadeiro.

– Com 126 mil reais você pode também mandar a cria pra Disney, pra Europa, pra Conchinchina. Pode colocar a cria pra estudar, pra aprender línguas (evitando, assim, que ela volte pra casa com a língua pra fora, cheia de sede e com um colar maldito de conchinha chinesa no pescoço).

– Com 126 mil reais você manda a cria pra Harvard, de onde ela voltará inteligente e cheia de idéias espetaculares. Entre elas: como extorquir 7 mil reais de uma pessoa em troca de uma cama elástica bagaceira, meia dúzia de castelos de isopor, a cara verde e orelhuda do Shrek e duas caixas de skol.

invadiram meu blog

Post vapt vaptu pra dizer duas coisas:

1. Lembra da Dona Zica?

Pois ao que parece ela continua firme e forte na vida dessa que vos escreve: a gripe persiste, o olho segue roxo e – atenção! – meu blog foi invadido por um desgraçado qualquer que achou deveras engraçado sair apagando meus posts (quatro, pelo menos).

Não contente em apagar minha história, o espírito de porco ainda achou por bem acrescentar palavras de baixíssimo calão aos posts não apagados. Tipo pereba, bunda, pinto, gay…e aquela outra muy graciosa palavra…a que rima com maçaneta, sabe qual? Pois é.

Reli alguns posts e apaguei muita safadeza escrita, mas certeza que outras muitas devem me ter escapado.  Triste, muito triste. Mas é isso que dar conectar ao blog em computador público e esquecer de fazer o log out antes de sair.

A sorte é que, ao escrever um post, o wordpress me manda ele todinho por email. Então recuperei dois dos posts. Mas os comentários se foram.

2. Outra coisa:

Não dá pra culpar a pessoa que não saiba muito a respeito de Cingapura, dá?Um país feito de uma só cidade, que é do tamanho de Salvador e fica na casa do carvalho acaba não fazendo lá muito parte da nossa realidade.

Como é sexta feira, vai chover fim de semana e você tem filho pequeno (e, portanto, não tem controle sobre sua outrora agitada vida social), eu copiei  esses quatro vídeos produzidos pela TV Record (ai-que-me-da) que esclarecem um pouco a respeito desse país distante, próxima moradia desta família retirante (ui, adoro quando rima).

Um pouco enjoativo isso de eles se gabarem tanto (uma das maiores economias do mundo, quase zero de violência, o maior zoológico, o único safari noturno, o maior número de milionários, o maior cinema dentro de aeroporto, a maior área tropical dentro da cidade, a ilha mais hightech, bla bla bla).

No momento, nenhuma dessas estatísticas me importa: eu só queria morar num lugar onde não apagassem meus posts. Humpf.

Bom fim de semana, gente bonita. Espero que gostem dos vídeos:

Cingapura?! Quéquéisso??

Sobre as comidas : gelatina de grama

Uma mãe bagunceira perdida num lugar onde tudo funciona

Vivendo com os orangotangos

Mamãe, eu quero morar no aeporto

Os vídeos eu tirei daqui.

piscar de olho roxo

Todo mundo sabe que ZICA atrai ZICA. E eis uma semana meio zicada, a minha.

Senão vejamos:

Tive a capacidade de acumular uns seis vírus da gripe em coisa de 8 dias: curei de uma, veio outra em seguida, depois outra, que chamou a outra, que telefonou pra outra, que mandou convite, que fez festinha, que resolveu que a minha pessoa era o pico ideal para uma orgia virótica.

O que restou de mim agora tem os olhos semi-cerrados, pouquíssima voz, lencinhos grudentos de secreções espalhados pelos bolsos e ZERO dignidade.

***

E como se não bastassem a fanhice, o rouquidão, a palidez e os grunhidos pulmonares que se assemelham a tenebrosos ruídos de rádio mal sintonizado, eu ainda arrumei um olho roxo pra minha pessoa.

E não, eu não me refiro a uma manchinha lilás djavan, do tamanho do estado de sergipe.

Eu arrumei foi um bem torneado círculo azul arroxeado a la mike tyson, herança de uma cabeçada bem dada pelo meu próprio filho, sangue do meu sangue. Sabe aquelas brincadeiras em que você, como mãe, pressente que alguém vai acabar se machucando? E se eu te disser que esse alguém pode ser você, cara amiga mãe?

Pior é que a dor foi tanta,  e o meu grito foi tão histérico, que eu desconfio ter criado nele um trauma incurável, posto que desde o acidente ele me abraça sem parar, não joga comida no chão, guarda todos os brinquedos e repete baixinho “diculpa, mamãe, diculpa”.

***

Olho roxo em qualquer lugar do mundo pode ser um acidente, um tombo, uma cabeçada ou uma topada na estante da sala.

Olho roxo no país de Janete Clair e Benedito Ruy Barbosa signfica somente uma coisa: que você tomou uma bifa do marido. Tô mentindo?

Se você, como eu, cresceu vendo a destemida Maria de Fátima vendendo a própria mãe pra “vencer na vida”, você vai entender o que estou dizendo.

E, como eu, vai incorporar seu melhor estilo Betty Faria e só sair por aí munida de um enorme par de óculos escuros. Que é pra evitar que o povo ache que seu estimado marido se trata, na verdade, de um baita de um “safado, cafajeste, crápula” e outros chingamentos de cunho novelístico.

Mas a verdade é que uma hora vai anoitecer e você vai acabar tirando seus óculos.  E daí, minha irmã, pode ter certeza: o povo vai se compadecer da Betty Faria que mora dentro de você.

Como o taxista de ontem. Foi ele ver o roxo do meu olho direito que a cabecinha dele começou a processar os dados novelentos  olho+roxo+janete+benedito+maria de fátima+betty faria = pena/muita pena dessa criatura.

Mal me cumprimentou e já trocou o CD.

A música começa, ele então me olha pelo retrovisor com muita compaixão e começa a cantarolar junto com Mariah Carey.

Eu nunca tinha ouvido aquela música, mas, traduzindo o pouco que ouvi, era algo do tipo…

você tem força dentro de você!

o herói mora dentro de você!

você pode vencer mais este problema!”.

E o homem se empolgava, cantava, levava a mão direita ao peito e, na hora do refrão, olhava pelo retrovisor…

você tem força dentro de você!

o herói mora dentro de você!

você pode vencer mais este problema!”.

Pra piorar o cenário tinha todo o meu funga-funga, a orgia virótica, lembra?

Mas até explicar que biscoito maizena não tem canto, e que aquilo era gri-pe e não cho-ro, o homem já achava que eu estava era me debulhando em lágrimas.

Chegamos e o taxímetro marcava 14,50. Dei 12 reais da carteira e disse:

– Espera um pouco, que o resto vou te dar em moeda.

– Não, não, deixa assim.

Eu insisto, mas ele fecha a porta, coloca a cabeça pra fora da janela, me olha bem nos olhos e diz:

– Vai com Deus. Muita, mas muita sorte nessa vida pra senhora.

Daí você pode dizer que é loucura da minha cabeça. Mas se você visse uma pessoa saindo de um taxi, com olho roxo, lenço na mão, fungando, óculos escuros em punho, a noite, e em plena Copacabana…vai dizer que você também não pensava na Betty?

***

E pra provar que zica atrai zica, mando uma que aconteceu comigo hoje de manhã. Chego no banco, minha gerente está de férias e eu me preparo pra fila comum dos desagerentados. Vi de longe, na fila, a “mala do restaurante da esquina”.

Abre parênteses pra explicar que a “mala do restaurante da esquina” trata-se de uma …erm…mala, que é gerente de um restaurante aqui perto.

Eis que um belo dia fui almoçar no referido restaurante, acompanhada de uma amiga querida e o filhote. A gerente mala se aproxima:

– Como elA chama?

– Noah. E ELE é menino.

– Nossa, Noah?!? Que nome esquisito, né, diferente… E, nossa, como ele fala! Qual a idade dele?

– 1 e 10

– Gente…ele é novinho! A minha tem 2 anos e meio e nem fala ainda! Mas ainda bem, viu? Porque meu pediatra falou assim, que criança que começa a falar muito cedo, tipo antes dos dois anos, com CERTEZA que vai desenvolver problemas na fala, tipo dislexia não sei de que.

E daí ela olha com cara de PENA pro meu filho e pergunta:

– Trago a conta?

Fecha parênteses.

Então, zicada que ando,  venho a cruzar justamente a mala imbecil que diz que MEU filho vai ter problemas graves num futuro próximo.

Sento longe, já pra que ela não me veja. Mas gente mala enxerga muito longe (assim como gente com bafo fala muito perto). Ela não só me vê com tenta sentar do meu lado.

Tento abstrair, meu telefone toca – ótima distração. Era uma amiga querendo saber que história era essa de Cingapura?! Vocês vão se mudar? Que legal!

E eu aproveito a fila longa pra matar o tempo e contar tudo pra minha amiga.

Desligo a ligação e sinto alguém me cutucar no ombro. Era a mala, sentada atrás de mim:

– Vai mudar de país! Nossa, corajosa, uau!

– ã hã – eu respondo.

– Sabe que…desculpa, mas eu ouvi você dizendo pra sua amiga que você também já morou em outros lugares e que gosta de mudar bastante, né?

– ã-hã –  resmungo, olhando pra minha senha.

– Interessante.

Silêncio. Ela me cutuca de novo. Viro pra trás, já sem paciência:

– Que?

– Sabe que minha vó dizia assim, que o pai dela também adorava viver a vida viajando, intensamente, que nem você. E que gente assim geralmente tem uma fome tão grande de viver porque no fundo sabe que vai morrer cedo? Era o que minha avó dizia, né, não sei se é verdade.

***

Sabe o que mais me desespera?  Hoje ainda é quarta-feira.

***

Notas & agradecimentos:

1. Muito obrigada a TODOS que me mandaram positive vibes, palavras de força, promessas de felicidade e letras da música do Ritchie. Hospedagem pra todo mundo, na faixa, com café da manhã. Love you all.

2. Zicas a parte, estou muitíssimo lisonjeada com as propostas de compra do nome e do site Minha Mãe que Disse! . Informo, entretanto, que estou interessada em mantê-lo, gente, pela possibilidade de comércio entre os dois países. Também não me sinto em posição de vender, dar ou ceder a minha lista de clientes.  E isso se deve a um motivo somente: nenhuma das seiscentas e tantas clientes cadastradas me autorizaram a divulgar seus contatos. Pela compreensão, obrigada!

3. Recebi exatos seis emails (os quais ainda não tive tempo de responder) pedindo dicas de como começar um negócio no estilo do Minha Mãe. Gente, olha só, eu não tenho lá muita vocação para Sebrae, não, mas posso dividir, de bom grado, minha experiência pessoal. Portanto, assim que me sobrar um tempinho, juro responder com carinho e tal-e-coisa. Vou mesmo. E quem tiver interesse, em um futuro próximo, em se tornar um distribuidor de produtos importados para bebês pode me mandar um oi no mamae@minhamaequedisse.com.br

4.  E Noah está vendendo as coisas que já não usa/não usará em Cingapura. Ainda não tive tempo de postar tudo (sério?) mas pode começar a dar uma olhadinha aqui no Noah Vende Tudo!

hambúrguer de pombo e… bye bye brasil!

Minha infância, como a infância da maioria das pessoas, foi infestada de piolhos, pirulitos cheios de corante e equívocos de toda sorte.

Eu achava, por exemplo, que era esquisito isso de ter gente passando fome se tinha tanta banana no mundo.  Só com o tanto de banana que tinha na minha casa dava pra matar a fome de pelo menos umas 17 crianças por uns 5 dias e meio. Somem-se a essas, as bananas da vizinha, e o mundo estava completamente alimentado.

Aí minha mãe me explicou que as pessoas precisavam de um cardápio um pouco mais completo. E que ninguém podia viver só de banana.

Foi quando eu pensei nos pombos.

Pombo era feito de carne, era baratinho e ninguém gostava deles vivos. Então eu levantei o braço e falei pra professora que o meu projeto na Feira de Ciências seria sobre como acabar com a fome na áfrica com banana e hambúrguer de pombo.

A professora disse que era muito nobre da minha parte querer acabar com a fome mundial.  Ela veio na minha direção sorrindo, passou a mão na minha cabeça e, como uma boa professora saída dos anos 80, barrou o meu projeto pra sempre.

***

Como qualquer criança, também já fui vítima de alguns equívocos cometidos por terceiros. Um deles me marcou muito, quando eu tinha uns 4 anos.

Era dia da árvore e todas as crianças tinham que ir pra escola vestidas de arbusto.

Nunca vou esquecer de como fiquei eufórica ao ver que minha mãe tinha separado uma roupa inteirinha verde, inclusive sapatos e meias. E, para completar o visual arbóreo, eu levava ainda galhos atrozes e reluzentes, nas pernas, nos braços e na cabeça.

Entrei no carro e minha mãe foi dirigindo pra escola. Lembro direitinho de experimentar a sensação de felicidade plena: eu era uma árvore, minha mãe era incrível e a vida era perfeita.

Nem a fita Basf emperrada no toca fitas do carro, que tocava a mesmíssima música de Maria Bethania havia MESES me incomodava. Eu era uma árvore e árvores são imunes a esse tipo de chatice cotidiana.

Nem o garoto Cleiton, que me perseguia no parquinho da escola e roubava meus biscoitos mirabel, seria capaz de arruinar meu dia. Eu era uma árvore e árvores eram bondosas, compreensivas e, a depender da espécie, podiam até ficar carregadas de mirabel de janeiro a abril.

Então eu me despeço da minha mãe e cuidadosamente saio do carro, eu e meus dezoito galhos.

Subo lentamente a escadaria da escola. Quando enfim me aproximo do portão de entrada começo a ouvir risadas, primeiramente tímidas, e logo depois histéricas. Olho em direção às risonhas criaturas e elas estão, na verdade, apontando pra mim.

Sinto um frio no estômago e um pavor súbito, daqueles que criança sente quando percebe que pode estar diante de um fiasco-devastador- de-moral. Daqueles que te forçam a ser transferida de escola, trocar de cidade e a mudar o nome pra sempre.

Mas não, eu não tinha porque me amedrontar. A vida era perfeita e eu era uma árvore vistosa e feliz.

Exceto… que aquele não era o dia da árvore.

– Vamos ter que te mandar pra casa, Roberta – disse a diretora.  A sua mãe se enganou, o dia da árvore é só daqui uma semana!

– E é melhor você esperar a mamãe aqui na minha sala. Porque lá fora, a criançada, já viu..

E a diretora tenta controlar o riso, mas se abre em uma colossal gargalhada.

E eu fico ali na sala dela, esperando a minha mãe vir me buscar: eu, meus 18 galhos e minha inconfundível cara de trepadeira desavisada.

***

De todos os meus equívocos de infância, a escolha profissional era a mais gritante: eu já quis ser freira, assistente de açougueiro e cobradora de banheiro público. Como eu conto aqui.

Mas uma coisa era certa: eu queria muito voar. Não sair voando feito pombo que não virou hamburguer. Voar no sentido de viajar, conhecer o mundo. Era avistar um turista na minha cidade que eu saia correndo me apresentar:

– Oi, meu nome é Roberta. Se quiser posso te mostrar a cidade.

E era o turista sorrir que eu começava a perguntar da onde ele vinha? o que ele fazia? na cidade dele tinha lago? praia? cachoeira? dá pra chegar de carro? sabia que nos estados unidos só se chega de avião?

E por aí ia.

Lembro do dia em que me afeiçoei a um grupo de turistas holandeses, com o qual eu só me comunicava através de gestos.

-Vocês querem comer? (gesto de mãos que levam comida à boca)

– Lá, comida boa (gesto de mãos que fazem círculos na barriga, acompanhado de gesto de positivo com o dedão)

– Nadar? Aquela praia nice, nice beach! Aquela outra praia suja, blagh! (cara de quem viu cocô boiando no mar)

Antes de ir embora, uma moça bem simpática do grupo de holandeses me presenteou com um postal da Holanda, com aqueles típicos moinhos de vento. Eu achei o postal tão, mas tão lindo, que coloquei ele dentro da minha pasta de papéis de carta. Aquela noite, antes de dormir eu pensei: um dia eu vou conhecer essa tal de Holanda.

***

E daí eu cresci, parei de encher o saco dos turistas e fui trabalhar.  Conheci a Holanda e mais alguns tantos lugares.

Morei em 6 cidades distribuídas em 3 países diferentes e tô nem aí se os livros de auto-ajuda insistem em dizer que a felicidade deveria estar dentro da gente. Foda-se a auto-ajuda: eu gosto mesmo é de buscar a felicidade em um montão de lugar diferente.

E foi por isso que, quando maridão me perguntou o que eu acharia de viver em Cingapura, eu não só topei como pulei no colo dele (o dó), dei gritinhos histéricos e abri champagne.  Tá bom, não tinha champagne, mas a skol tava gelada.

***

Então é isso, gente bonita e agradável: estamos mudando de continente.

Se antes vocês tinham lugar pra ficar no Rio de Janeiro, agora descolaram hospedagem em Cingapura, que é do lado da Tailândia, do Vietnam, do Camboja, da Indonésia…upgrade total, tô mentindo?

Estou feliz, muito feliz. Feliz de voltar à minha natureza ciganóide, feliz de saber que vamos morar em um país completamente diferente de tudo que já vivemos, feliz porque vamos começar uma aventura, a primeira grande aventura que já vivemos em família.

Ao mesmo tempo pensando como raios eu vou lidar com uma criança que passa pela mais tumultuada fase de birras EVER, enfrentando essas 1000 mudanças que estão por vir.  Pra começar:

1.o rapaz vai para uma escola francesa, em um país cujas línguas oficiais são o inglês, o malaio, o tâmil e o chinês.

Resultado: Claro que aos 5 anos de idade ele vai se rebelar, casar com uma polonesa e viver em alguma vila distante ao norte da Russia, de onde me mandará um postal quando o terceiro filho nascer.

2. Vai se separar de todos os amigos/família, tudo de uma vez!

Resultado: vai se revoltar contra a pessoa da mãe (eu), pintar o cabelo de branco-Supla, adicionar a Comunidade do Comando Vermelho à sua página do Orkut e colar um poster da mulher melancia na parede do quarto.

***

Enfim, um milhão de coisas, a saber:

1.Ainda não sabemos a data, mas há quem diga que o Natal já será em terras asiáticas.

2. E claro que não estou me despedindo, o Piscar de Olhos continua, firme e forte.

3. O Minha Mãe que Disse vai saldar  o estoque  restante, e desde já  informa as queridas 615 clientes cadastradas (u-au) que voltará, em uma versão quimono-saquê chiquéééééérrima e baratééééérrima. Se deus quiser e buda permitir.

4. Vou criar um blog para vender carrinho, brinquedos e demais apetrechos do pequeno Noah. Já já divulgo.

5. Perdoada pela falta de comentários, respostas, carinhos e abraços? Sobra-me vontade, falta-me TEMPO e LUCIDEZ.

E esse post não é pra ficar em tom de despedida. Pois como se sabe, não existe distância pra amizade virtual (é ela ficar emocionada, que começam as pérolas…)

Espero que fiquem felizes por mim e que mandem palavras de coragem, amor, esperança, pensamento positivo e frases de impacto by paulo coelho.

Eu queria postar algumas fotos de Cingapura, do tempo que eu estive lá, aaaaanos luz atrás, mas não tive coragem: a umidade lá é tão desgraçada que, em todas as fotos, eu pareço estar envolta em algum tipo de gelatina incolor lubrificante.

Então recorri ao Trip Adviser e posto algumas fotinhas de Cingapura e seus adoráveis vizinhos.

Cingapura pros pais…

Cingapura pra cria…

E tem os adoráveis vizinhos.

O Vietnã…

A Indonesia…

Tailândia…

E é isso. Agora é empacotar, carregar, pagar, transferir, despedir, chorar…

Bye bye, Brasil.