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notícias de cingapura

* aviso ao leitor: este post contém palavras de baixo calão, linguagem chula e escancarada apologia ao errado, ao imoral e ao politicamente incorreto.

E eis que das cinzas ela renasce, feito Fênix de tetas,  MORTA de saudades, gente bonita!

Daí resolvi mandar filho e marido pra piscina e resumir um pouco do que aconteceu desde a última vez que a gente se falou. Então senta, coloca as crianças pra brincar com  massinha e põe a skol pra gelar, que lá vem história.

Da viagem

Reza o Código Internacional de Viajantes que:

Um lugar é considerado longe pra caralho distante quando, pra chegar nele, o sujeito tem que enfrentar 2 vôos longuíssimos, 20 comissários de bordo, 6 pilotos, 8 malas, turbulências moderadas e perrengues incontáveis, que envolvem uma criança de 2 anos, uma mãe descabelada e um pai tentando evitar, sem êxito, que referida criança enfie o dedo indicador na narina do passageiro ao lado.

O homem que teve o nariz invadido ficou fulo da vida dele e eu não tiro a razão do passageiro – afinal, existem mil maneiras mais agradáveis de ser acordado do que com um dedinho bisbilhotento na narina da gente.

Por outro lado, nem acho que a intenção do filhote tenha sido azucrinar o alemão, não. Arrisco dizer, inclusive, que o objetivo de tamanha bisbilhotagem era puramente estético, já que, de avantajadas narinas, brotavam pêlos de tamanho bastante significativo. Na boa, até eu fiquei com vontade de dar uma podada na juba nasal do rapaz.

Parece boa pessoa, mas é um pinçador profissional de narinas

Da chegada

Nós decidimos dividir o trajeto Rio-Cingapura em duas partes : primeiro voamos do Rio a Paris, onde passamos 5 dias.

uma paradinha em paris pra ver família e usar gorro de tigre

Mal nos adaptamos ao fuso horário francês e já era hora de embarcar pra mais um vôo longo, dessa vez pra Asia. Minha Nossa Senhora do Guaraná em Pó, que gastura.

Só sei que, no final, chegamos em Cingapura as 19:00 – horário local, o que significava MEIO DIA no horário dessa mãe exausta que vos escreve. Até que acomodamos as 8 malas no nosso apart-hotel e tal e coisa já eram 21:00 no horário local, 2 da tarde no nosso relógio biológico. Pensei, vou tentar:

– Noah, olha só, eu sei que você tá acordadão, mas aqui já são 9 da noite, hora de dormir. A gente vai ter que fazer um esforço e ir pra cama agora, tá bom? Assim, amanhã a gente acorda em horário local adequado. Combinado?

Ele nem respondeu nada, só fez que não com a cabeça. Mas eu sei que, se já tivesse idade pra expressar exatamente o que pensa, o rapaz daria uma gargalhada colossal,  e me diria:

– Claro, sua lunática, claro. Vou guardar toda essa minha energia de pessoa de 2 anos e 2 meses e ir dormir, só pra você ficar feliz e satisfeita. Não quer que eu escove os dentes também, maluca?

Só sei que deu DUAS da manhã (umas 6 da tarde pra gente) e estávamos os três lá, deitados na ponte de um parque qualquer, olhando pro céu e conversando. O que me dá raiva é ter certeza absoluta que em algum momento alguma mãe passou, nos viu deitados na ponte, cutucou o marido e falou:

– Agora olha praquilo e me diz, Arnaldo Jin Huan Lan, o que faz uma criatura irresponsável daquela, que me traz uma criança pra rua às 2 da manhã, pensar que tem o menor talento pra ser mãe, me diz?

Que mãe é mãe, não importa em que continente ela esteja.

A Cidade

– Amor, vai me dizer que você também não acha estranho?

– Estranho o que, Roberta?

– Essa perfeição toda, isso tudo é muito esquisito, amor! Pensa comigo: a cidade é linda, limpa, organizada, cheia de atrações infantis, extremamente segura, a comida é maravilhosa…Tudo parece muito perfeitinho, François! Alguma coisa deve estar muito errada e eu vou descobrir o que é. Ah, vou.

-Neurose.

– Que? Quem?

– Neu-ro-se, o nome da doença é neurose. E diz que só cura com acompanhamento médico.

Deixa ele me chamar de louca que eu não ligo, não. De hoje em diante, minha nova missão de-vi-da é descobrir que raios há de errado nessa cidade.  Porque cer-te-za que alguma estria, unha encravada ou celulite ela há de ter. Deixa comigo.


Falta de Paciência

Já tem um mês que filhote e eu estamos, evidentemente, grudados um no outro 24 horas por dia. E num hotel, ainda por cima, já que ainda estamos buscando apartamento.

O lado negativo de ficar tanto tempo junto é que a paciência fica inversamente proporcional ao tempo em que vocês estão grudados.

Exemplo: ontem ele decidiu que jogaria seus peixinhos de plástico na privada. Quando eu entrei no banheiro, virou pra mim e disse “essa é a piscina dos peixinhos, mamãe”.

Então vejamos o que diria uma mãe de espírito elevado, dotada de paciência e pernas depiladas:

Meu filho, mas o que é isso?! Eu entendo a associação que você fez, uma vez que este vaso sanitário pode sim remeter a uma idéia de piscina de seres pequenos, como são estas réplicas de peixinhos. Mas entenda que esta água não é limpa e pode acabar trazendo doenças. Vamos lavar bem as mãos?”

Agora vejamos o desfecho da mesma cena, desta vez por uma mãe cronicamente estafada, pernas  peludas e cutículas saindo pelo ladrão:

“Caralho, Noah, a mão na privada não! Vamo já lavar essa mão antes que você pegue uma difteria, uma febre tifóide, uma malária, uma conjuntivite e a porra toda. Mas que merda, filho!”

Adaptação

Pois o filhote já fala hello, bye bye e thanks. A melhor amiga dele, aqui no hotel, é da Finlândia, vejam vocês. Eu não tenho idéia de como raios eles dão conta, mas os bichinhos se comunicam, brincam, trocam segredos e combinam de brincar mais amanhã.

Cingapura é composta, em grande parte por estrangeiros, muito europeu, muito americano, enfim são milhares e milhares de gringos, que, como nós, vieram parar aqui em terras asiáticas a trabalho.

melhores amigos, eles se comunicam em piscinês

Noah sempre empresta seus brinquedos pra um garotinho suíço, pouco mais velho que ele. Dia desses o suíço finalmente trouxe um brinquedinho pra piscina e Noah foi brincar um pouquinho com tal bonequinho do amigo suíço. O suíço não gostou e arrancou o brinquedo das mãos do filhote. Vocês acreditam que a mãe suicenta, mesmo sabendo que o filho dela brinca com os brinquedos do Noah TODOS OS DIAS, pediu pro meu filho devolver o bonequinho muito do paraguaio, porque esse era o brinquedo favorito do filho dela???

Ai, na hora pensei tanto em vocês. Arranquei o brinquedo do Noah, devolvi pro suíço e disse assim pra mãe dele:

– Eu entendo isso de brinquedo favorito, não se preocupe. O jacaré com que seu filho sempre brinca também é um fa-vo-ri-to do meu filho, mas sou EU que insisto que ele empreste, que aprenda a dividir.

(tudo isso dito com ar desaforado, mãozinha na cintura, ao melhor estilo “suburbana-versus-gringa”)

Alguns minutos depois o suicinho já estava pegando os brinquedos do filhote de novo.

Então vejamos o que diria uma mãe de espírito elevado, dotada de paciência e pernas depiladas:

“Filho, não guarda rancor e empresta o seu brinquedo pra ele. Assim você ensina pro menino que dividir é legal.”

Agora vejamos o desfecho da mesma cena, desta vez por uma mãe cronicamente estafada, pernas  peludas e cutículas saindo pelo ladrão:

“Filho, corre lá e arranca o jacaré da mão daquele moleque. Que nem fodendo que aquele projeto-de-mão-de-vaca-suíça vai brincar com suas coisas”.

Mãe Amiga

Outra consequência de se ficar grudada na cria 24 horas por dia, todos os dias, é que vocês passam a ter código e condutas que só melhores amigos possuem: risada de porquinho, concurso de arroto, linguagem própria. Este último vale um post, e aconteceu de maneira bem natural: do nada começamos a arrancar a última sílaba das palavras.

Estou na cozinha e digo “Noah, quer um pouco de su?” E começamos a rir. Então ele vai pra piscina e grita “socô, socô”. E a gente se acaba de rir. Mamãe virou mamã, cadeira virou cadê, suco é SU, socorro é socô. Hoje de manhã ele ampliou nossa linguagem secreta, chamando chafariz de chafalá (vide vídeo).

Noah também deu pra compor músicas com uma batida meio gospel, digamos assim. A letra me remete a uma mistura de música evangélica com A metade da laranja, de Fábio Júnior, e diz assim:

“Agonição, agonição, agonição

De amor, de amor”

Eu registrei essas e outras maluquices nesse vídeo. Isso que dá passar o dia inteiro a la grudê.

Um bom ano pra nós todos, gente bonita.

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mãe desprendida, mãe neurótica

Todo mundo sabe que fazer as malas pra mudar de país é exercitar o dom do desprendimento.

E ser desprendida  é reduzir a sua bagagem e selecionar apenas e tão somente aquilo que você efetivamente vai usar lá do outro lado do mundo.

Na prática isso significa parar na frente do seu armário, analisar peça por peça e ser dolorosamente sincera com você mesma.

O seu vestidinho vermelho, por exemplo. Eu sei que ele te acompanhou em baladas inesquecíveis e só traz boas lembranças daquele fim de semana em Angra. Mas, pensa comigo – ele só fazia sentido quando você chegava na balada em câmera lenta, com cara de mistério e drink na mão.  Esse vestido não combina, meu bem, de jeito nenhum, com seu novo estilo maternidade de chegada triunfal: carrinho em punho, bolsa térmica em mãos e um pentelhinho de pouco mais de 90 centímetros que faz questão de levantar o rodopiante vestido para se esconder bem ENTRE as suas pernas. Não, querida, não ORNA.

Portanto, o vestido fica. Good bye, my friend.

Quando o assunto é sapato, a realidade pode ser ainda mais dolorosa. Sabe aquele par  de sapatos que você a-do-ra e que  são seus fiéis escudeiros pra festa classuda? Pois é, eles também ficam.

Porque existe uma razão, cara amiga mãe, desse arraso de sensualidade saltos 15 estarem esquecidos no fundo do armário: esse par de belezura está munida de saltos pré-maternidade. E embora esse lapso não venha escrito no manual-pré-filho,você e eu sabemos que a maternidade traz consigo a total incapacidade de deslizar em saltos muito altos. Seja porque seu pé cresceu (o meu nunca mais voltou ao tamanho de antes), seja porque eles não foram feitos pra equilibrar o seu peso + o peso do seu filho juntos.

Então, moça, respira fundo e exercite o tal desprendimento: os sapatos sexy mamma ficam.

E assim você vai reduzindo a sua vida inteira de ornamentos a uma, duas malas. E tudo bem. Não faz sentido atravessar oceanos com tralhas que nunca mais serão usadas.

Então você respira fundo e se sente orgulhosa do ser desprendido e elevado em que você se transformou. Uma pessoa livre da materialidade e das amarras do capitalismo – praticamente uma BUDA de tetas.

(Mas a elevação toda acaba assim que você descobre que a Dior vai liquidar estoque  BEM na semana em que você chega em Cingapura!!? Agora, se isso não for intervenção divina…)

***

Dito isto, pensei que seria missão fácil essa de exercitar o desprendimento em relação aos brinquedos do Noah. Porque não dá pra levar tudo, gente. Mas também não dá pro rapaz mudar de país, dizer tchau pra família e amigos e – ainda por cima – perder contato com o coelho Pepe pra sempre? Ah, não.  Alguns brinquedos a gente vai ter que levar.

(Abre parênteses pra explicar que nós optamos por não levar nossas coisas da casa em containers. Elas ficam, a gente compra tudo novo por lá. Essa é uma das opções dadas pela empresa – eles economizam com o container e, em troca, te ajudam a comprar tudo novo. Vale a pena, uma porque você nem sabe se seus eletros vão funcionar por lá (ou se existe assistência técnica etc) e duas porque Cingapura oferece tudo de mais moderno e bacana. Se eu estou me desfazendo do vestidinho vermelho e sapatinho sexy mamma acho que posso tranquilamente abrir mão do liquidificador walita, concordam? Fecha parênteses.)

Ocorre que, putamerda, como é difícil optar entre um teclado que ele começou a tocar aos 8 meses de idade ou um cachorro no qual ele tropeçou quando começou a andar. Tudo me remete a lembranças, tudo tem sua importância, nada é dotado de insignificância ou desdém. Afinal, essa é a história do meu filho. E o que pode ser mais importante que isso?

Mas o que tem que ser feito, tem que ser feito. E assim eu começo a doar os brinquedos que não poderão ser levados com a gente. Ando tão sentimental em relação a isso que desistimos de vender a mobília do pequeno e resolvemos doar pra um orfanato. Não que a história de vida do Noah não estaria em ótimas mãos (meninas, obrigada pelo interesse em comprar tudo!) mas porque concluimos que existem crianças que carecem de tudo – inclusive de história. E torcemos pra que o berço ou o cadeirão do filhote não sejam somente úteis, mas que sejam parte da história de alguém (que não tem história).

Ai, caraca, olha o chororô.

Daí que eu já dei alguns brinquedos, e confesso que me senti muito bem imaginando o rostinho das crianças que os receberiam. Até que chegou a hora da Bia ( A Girafa) e o Romero (O Camelo Caramelo). Daí, malandro, a casa caiu.

– Alô, amor – diz a mulher, aos prantos.

– Que foi? Que aconteceu???

– Nada importante, não se preocupa. Cê tá em reunião?

– Tô em reunião – sussurra o marido – O que aconteceu???

– Não me faça escolher entre a Bia e o Romero – responde a mulher, aos prantos – Eu te imploro: não me faça optar por um ou outro! Buáááááááááá…

– Que? Que Romero? Que Bia? Do que você tá falando, Roberta? – sussurra o marido.

– Como que Bia, François!? A girafa Bia! E o Romero, o camelo caramelo! Eu não posso ser forçada a fazer com que nosso filho viva sem um ou sem o outro!! Isso não tá certo, coitadinho!! Buááááááááááááá!

– Não fica assim – diz ele, já com voz de quem pediu licença e saiu da reunião – Olha, a gente leva os dois, tá bom?

– Promete? Buáááááááááá…

– Prometo. Nunca nessa vida a gente vai embora sem levar a Bia e o Romero. Combinado?

– Combinado. E sabe aquele meu casaco listrado? Aquele que você disse que eu nunca uso e que era melhor dar pra alguém? Então…eu quero levar ele também. Porque eu usei ele direto na gravidez do Noah…snif.

– Leva o casaco.

E o pobre marido volta pra reunião e passa a tarde inteira pensando em que merda ele ainda poderia tirar das malas dele, só pra fazer mais espaço pros brinquedos do filho( e pras neuroses da mãe).

Mas me diga, amiga (o) leitor (a):  Por acaso é fácil quando a vida nos prega peças e nos faz optar entre a girafa e o camelo?

(tô carente, sou perigosa mãe e tenho um teclado em mãos – é favor não me contrariar.)

Voltamos – Parte I

Cheguei.

E não, eu não deveria estar aqui postando.

Pensa comigo:  mala a ser desfeita, 315 pedidos a serem processados, 1 filho a ser criado e 3 kilos a serem perdidos – e a gata ignora tudo isso e vai escrever no blog.

Então este será um postezinho bem mequetrefe,  preguiçoso e jet-leguento. Pra facilitar elaborei uma lista com as DMF – Dúvidas Mais Frequentes.

Ou FAQ, como eles dizem lá.

FAQ – Mas Roberta, você não acha que seria muito mais produtivo e sensato ir lavar cuecas  e desfazer as malas em vez de escrever no blog?

Não mesmo. De que me vale ir pra França se eu não posso nem vir aqui me exibir um pouco, me diga? Se é pra pessoa viajar e guardar tudo pra si melhor suspender Paris e marcar a próxima viagem pra Piracicaba, oras.

FAQ – Você conseguiu manter a sua promessa de ser fina e francesa e viajar com pouca bagagem dessa vez?

Claro que não. Viajamos com três malas lotadas, prontos para todo e qualquer imprevisto – falta de luz, neve, tsunami, mudança de moeda e golpe militar. Ser prevenida é chique.

(Ou vocês acham que a mocinha que aparece com 12 modelitos diferentes na matéria “Arrasando em Paris” , da Revista Vogue, viaja somente com uma necessaire em punho? )

FAQ – Conseguiram chegar ao aeroporto com antecedência e tal?

Chegamos ao aeroporto com bastante antecedência, check in impecável, tempo pra fazer tudo, cabelos ao vento e aquele olhar de mulher-mãe-experiente-decidida-e-organizada. Se algum paparazzi tivesse a imbecilidade de se interessar por mim era nessa hora que eu gostaria que ele me fotografasse.

FAQ – Algum fato curioso antes do embarque?

Na saída do check in uma super revelação: Noah me olha, me abraça e diz “Tabéta”. Demorou pra eu entender, mas caiu a ficha: a moça da Air France devolveu meu passaporte e disse “Roberta”.  E Noah ouviu. E ele finalmente entendeu que as outras pessoas, estranhamente, não me chamam de mamãe. Elas se referem a mim como Tabéta.

FAQ – Sé-rio? E daí?

Bom, como tínhamos tempo eu decidi que era hora de bater um papinho com o filhote:

– Filho. Seguinte. 1 ano e 9 meses é idade suficiente pra você entender que papai e mamãe são na verdade duas pessoas que, como você, têm nome e vida própria.  Tá. Vida própria é exagero, mas nome a gente tem. A mamãe se chama Roberta. E o teu pai, nas horas vagas, atende por François. Isso. Fran-ço-is. Entendeu?

Lógico que entendeu. E aproveitou para esclarecer o caso tic-tac.

***

FAQ – Tudo bem. Noah entendeu que a mãe tem nome e o pai também. Mas o que isso tem a ver com a viagem pra França?

Well. Assim que colocou os pés em Paris, ainda no aeroporto, Noah parou de chamar o pai de papai e passou a chamá-lo François. Sem mais nem menos.

A mamãe seguiu sendo mamãe (até porque, apesar de original, o nome Tabéta é deveras desprovido de charme e dignidade, percebem?) Mas papai passou a atender simplesmente por François.

FAQ – Fale um pouco da sua experiência no avião com uma criatura de 1 ano e 9 meses.

Tô pronta pra falar sobre isso, não. Mas posso adiantar que a coisa foi feia e traumatizante.

FAQ – Ah!! Conta uma presepada aérea, vai.

Tá bom. Só uma. Antes de sair de casa rumo ao aeroporto, devidamente munidos de brinquedos, guloseimas, dvd’s, e demais distrações para a aeronave, decidimos que levaríamos as fraldas (20 delas!) distribuídas em duas bagagens de mão. Pelo menos foi isso que eu entendi – eu colocaria 10 na bolsa azul e François 10 na mochila cinza – metade/metade. Ambas pra dentro da aeronave.

Ocorre que antes de embarcar Noah fez cocô. E eu fui ao fraldário trocá-lo. Quando abri a fralda ele estava TO-DOAS-SA-DO. E  que mãe gosta de ver a cria assada, me diz? Virei pra funcionária e falei:

– Olha que fralda desgraçada que deixou meu filho todo assado. Eu nunca compro essa marca, foi meu marido.

– Eita que marido é bom mas é ruim, né? – disse a moça do fraldário.

Daí eu lembrei que as outras 10 fraldas que estavam na mochila cinza eram da marca que eu gosto e que não assam a bunda do filhote. Respirei fundo e disse:

– Olha o que eu faço com essas fraldas, ó.

E fui tirando uma por uma da bolsa azul, doando as fraldas ao fraldário do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro.

De um jeito que só uma mulher-mãe-experiente-organizada-e- decidida o faria.

Corta.

Mais tarde, dentro do avião…

– Ai, amor, tudo certo, que bom, que bom! Olha a carinha dele, olha como tá feliz! Meio assado, mas feliz. Mas também eu deixei TO-DAS aquelas fraldas malditas lá no fraldário. Vê se não compra mais aquela marca, tá?

– Você o que???

– Deixei lá. Mas não se preocupa. Tem mais 10 fraldas na mochila cinza, que você colocou…você colocou, né???

– Nãããããããoooooooooo!!!!!!!!!!!!

Corta. Senhoras e senhores, embarque encerrado. Dentro de alguns instantes daremos início a decolagem. Nosso tempo de vôo até Paris será de aproximadamente 11 horas e ZERO fralda.

– Robertaaaaaaa, como é que você me deixa as fraldas no fraldário??

– Ué,  era pra você ter colocado aquelas outras 10 fraldas dentro da mochila cinza, porra! E agora? Ai, meu deus!

– Pede pra moça do lado…

– Que moça do lado, François?? O filho dela deve ter uns 5 anos, já usa cueca, entendeu? Cu-e-ca. Putaqueopariu. Olha só. Você que é francês, vai lá no comissário com cara de gay e pergunta se ele não tem fralda no estoque.

– Que estoque, Roberta?? Você acha que a Air France estoca fralda?? E que tipo de pai e mãe esquece de trazer fralda pro avião, cacete.

– Vai lá, amor, os gays sempre te amam. Vai, é a nossa única esperança!!

E ele foi. E voltou com 4 fraldas RN. Repito: QUATRO FRALDAS TAMANHO RECEM NASCIDO. Para um moleque de quase dois anos.

Ah. E o cara não era gay, aparentemente. E tinha dois filhos. E disse com ar de superioridade que “fralda é a primeira coisa que se coloca na bagagem de mão”. E eu senti vontade de enfiar a porcaria da fralda RN dentro do nariz francês dele.

FAQ – Gente, que tipo de pai e mãe viaja sem fralda ? Mas deu pra se virar com as RN?? Elas são tão pequeninas!

Deu porque a gente regulou líquidos pra ele. Eu sei, eu sei:  que tipo de pai e mãe regula água pro próprio filho? O mesmo tipo que coloca fralda fio dental na bunda assada da cria.

FAQ – Caraca. Espero que pelo menos Noah tenha se comportado no avião?

Realmente prefiro não falar sobre o assunto. Mas para que tenham uma idéia do inferno aéreo, segue trecho do comentário feito a este post pela Melissa, uma moça educadíssima que estava sentada perto da gente no avião:

(…) Sim, sou eu – Melissa – a moça que estava sentada com o menino de 5 anos na mesma fileira que vocês, só que na janela, no vôo GIG-CDG. Sou testemunha ocular de sua noite mal dormida. Mas não se preocupe, vou deixar constado aqui que Noah não incomodou a mais ninguém a não ser a seus próprios pais. Uma coisa aquele ar seco e aquela pressão horrorosa do avião têm: abafam ruídos que é uma beleza!(…)

FAQ – Mas então seu filho dá piti no avião, não deixa a tal Melissa dormir e você ainda por cima dá o endereço do seu blog pra ela? Você não acha que isso já é tortura demais?

Pois é. Mas é que eu sofro da síndrome do “tem que me amar, preciso ser amada, por favor me ame!” Então dei o endereço do blog para que a Melissa constatasse que sou mulher-mãe-experiente-organizada-e-decidida.

Mas graças a deus não desperto interesse algum nos paparazzi. Porque, convenhamos,   “Fulana é vista emendando duas fraldas RN uma na outra em classe econômica de avião…”

E há glamour parisiense que me salve de uma lembrança dessa?

***

Fotos e demais francesices em breve!

malas prontas!

Você sabe que seu filho atingiu o auge dos modos cariocas quando, aos 20 meses de vida, ele avista um helicóptero grande no céu e exclama CARACA!

Fora o sotaque e as gírias o rapaz desenvolveu certas habilidades exibicionistas para impressionar pessoas do sexo oposto. Exemplo. Noah leva a mão à frente da boca para tossir, eu que ensinei. E pode me chamar de neurótica que eu não ligo – sou fã assumida dos bons modos.

Daí que toda vez que ele tosse com a tal mãozinha-bons-modos a mulherada acha o máximo e sai suspirando:

“oooh, ele coloca a mão na frente quando tosse, que fofo”

“ooooh, que fofo”

“oooooh”

E tal.

Pois ele entendeu que a coisa pega bem pra ele. Então toda vez que uma atendente de loja/velhinha no elevador/moça da padaria o cumprimenta, ele SEMPRE, repito, SEMPRE força uma tossezinha mequetrefe e aciona a tal mãozinha-bons-modos, só pra impressionar. Cof cof cof, faz o cara de pau.

Ele é meu filho, mas não vale nada.

Fora o sotaque, gírias e galanteios carioquentos ainda tem o fato de ele adorar Tim Maia. A música preferida segue sendo Do Leme ao Pontal, a qual ele gosta de ouvir pela manhã. Lepuntal, mamãe, Lepuntal.

Mas hoje de manhã ele se superou na carioquice aguda. Chegamos a praia, e ele já foi seguindo em direção a um grupo de estranhos. Então ele pára na frente do grupo, abana e diz:

– Oi, pissoal.

E segue caminhando, com sua sunga cor cenoura.

Funciona assim: você dá boa noite pro seu filho e vai dormir. Quando acorda descobre que ele foi abduzido e no lugar dele, deitado no berço, está  Nuno Leal Maia (ou qualquer genérico que represente a carioqueza exarcebada).

fui dormir noah...

...e acordei nuno...

***

Daí vocês podem se perguntar que tipo de pessoa leva o filho à praia em plena terça-feira de manhã?  O tipo de pessoa que decidiu que, dessa vez, virose nenhuma vai impedir que a família viaje, ué.

Noah não vai `a escola desde a última quinta-feira – justamente para estar saudável, lindo e loiro amanhã, dia em que viajamos.

Para conseguir trabalhar com ele a tira-colo eu usei a tática do “ajuda a mamãe, filhote”. E colocava ele pra “dobrar” roupa ao lado das minhas encomendas.

Antes de descer pro correio eu resolvi verificar mais uma vez se estava tudo ok. E qual não foi minha surpresa ao perceber que meu ajudante tinha achado por bem enfiar um SUTIAN meu dentro de uma das caixas. A encomenda ia pra Manaus, visualizem o desastre.

Vale dizer que eu venho desesperadamente procurando minha colher de pau preferida. Se alguém veio a receber referida colher é favor entrar em contato. Pela compreensão, obrigada.

***

E então Noah vai conhecer a terra que guarda 50% de suas origens. Aqueles 50% que não usam sunga cenoura.

A gente desembarca em Paris, dorme na casa da cunhada e de lá segue de trem para a Bretanha. Vai ser uma viagem ao tempo, uma região desenhada por aldeias medievais, e que foi residência de Asterix e do Mago Merlin, ói que sorte a nossa.

Juro que conto tudo na volta.

Mas eu fiquei impressionadíssima com as muitas dicas de entretenimento no avião, obrigada gente bonita!

Daí ontem eu catei Noah pelas mãos e rumamos em busca dos tais entretenimentos.

Foi meio que unanimidade essa coisa de levar besteiras comestíveis. Então resolvi admitir que cenoura e arroz integral podem até fazer muito bem, mas não distraem picas.

Comprei bala e chocolate. Dei um chocolatinho de test drive, pra ver se o rapaz não reagia mal. Nada. Adorou. Parecia que tinha nascido dentro de um ovo de chocolate, tamanha familiaridade.

Eu me senti tão, mas tão mal por estar comprando aquele veneninho todo pro filhote que, na fila do caixa, eu não parava de me justificar. Gente que estava láááá do outro lado da loja ainda podia ouvir palavras de justificativa como “primeira vez”, “não dou nunca, nunca”, “são 12 horas de vôo”, “nunca”, “jamais” “quinoa forever”.

E eis que a amadora aqui resolve testar as balas tic-tac sabor laranja. Seriam aquelas merdinhas poderosas o suficiente para interromper um bem dado piti aéreo? Já dei duas balinhas, uma em cada mão.

Dali a pouco ouço alguém me chamar do carrinho.

– Mamãe!

Eu resolvi não dar atenção, estava ocupada procurando o elevador e segui empurrando o carrinho.

– Mamãe!

Continuei ignorando, mas diante do olhar meio espantado da galera que passava pela gente, resolvi parar e ver o que ele queria.

A cena era a seguinte:  filhote sorrindo, um tic-tac em cada narina, só com as pontinhas pra fora.

Pânico. Juro que eu fechei os olhos e me imaginei chegando ao hospital com a criança naquele estado, tentando explicar que tudo não passava de um mal entendido, que eu era da turma da granola, mas que eu ia viajar e…e…

– Tem gente que deveria ser proibida de ser mãe – diria a enfermeira –  Aquela ali dava tanta porcaria pra criança que tinha tic-tac saindo pelas narinas.

Pânico. Tira do carrinho. Um dos tic-tacs saiu na hora, com a risada do filhote ao ver minha cara de terror. O outro, porém, resolveu seguir o caminho inverso e entrar de vez.

Pânico meu e dele, que já não estava achando isso tão engraçado assim. Assoa, filho, deixa a mamãe…espera filho, assoa o nariz! Nada. A porra não saia e ele já estava começando a chorar. Fora que o rosto da criatura estava bordô, de tão forte que é a tal balinha.

A minha sorte é que anjo da guarda de mãe faz plantão. Me deu um estalo e eu lembrei que ele tem foto sensibilidade e que espirra assim que sai no sol ou na claridade. Saí do shopping e não deu outra:

-Atchuuuuum.

E o tic-tac saiu.

E a gente riu.

E ele não quis mais tic-tac.

E eu finalmente descobri o que os médicos querem dizer quando nos alertam para os perigos das guloseimas.

***

Beijo, queridas e queridos! Até a volta!

Ah! E boa hora pra quem é de boa hora – um parto tranquilo e feliz, gravidinhas!

massa de modelar? dvd? lexotan?

Pronto. O minuto de silêncio já era. Hora de sacudir a poeira, agradecer por todo o imenso carinho de sempre e tocar a vida pra frente – que atrás vem gente apressada, né não?

Então chega de silêncio e bora tagarelar sobre coisa boa.

A partir de hoje Noah estará 24 horas por dia grudado na saia justa desta que vos escreve. O motivo parece meio bobo, exagerado e descabido, mas eu mesma sou pessoa boba, exagerada e descabida (não caibo nas minhas calças 38), então faz todo sentido.

Na semana que vem nós vamos viajar.  E como já  experimentamos o traumático cancelamento de uma viagem porque o pequeno ficou, de véspera, muitíssimo doente, então resolvi deixá-lo longe da escola e das perebas em geral pra que ele esteja saudável, lindo e desencatarrado pro dia da viagem. Prevenida é a mãe, eu sei.

Mas qualquer coisa é melhor do que ver seu filho sofrendo, fungando e tossindo do Rio de Janeiro a Paris. E os demais passageiros agradecem. Eles ainda vão ter que aturar um alopradinho gritando “cocô no bum-bum, mamãe!” e roubando saquinhos de vômito, mas pelo menos da tosse e do catarro eles se livraram.

E sim, eu já estou tensa com a parte aérea da viagem – Noah já me deu motivos de sobra pra isso, tô mentindo?

Pensando nisso venho fazendo uma listinhas de providências pra que tudo saia da melhor maneira possível. Primeira coisa:

Organizar entretenimento barato para distrair  a cria durante  o vôo:

1. DVD do Cocoricó

Problema: Noah anda meio enjoado do Cocoricó.

Solução: Levar também um DVD alternativo, tipo  pornografia pesada A Turma da Mônica.

2. Brinquedinhos da loja de 1,99

Problema: Brinquedinhos de 1,99 tendem a quebrar em pequenos pedaços, os quais podem provocar engasgamento. E engasgamentos devem ser evitados, posto que passageiros de vôo internacional não suportam o barulho de pessoa engasgada.

Solução: Comprar somente brinquedos de 1,99 que quebrem em pedaços grandes OU  em pedaços pequenos o suficiente para serem engolidos sem estardalhaços ou engasgamentos (ps: esses pedaços pequenos, engolidos sem estardalhaços, tendem a reaparecer na fralda no dia seguinte e devem ser inutilizados!).

(é brincadeira, né, ô conselho tutelar!)

3. Apelar para guloseimas e quitutes mergulhados em gordura trans

Problema: Por não estar acostumado a comer toda essa besteirada, Noah pode acabar tendo uma reação esquisita e mal cheirosa (e mal cheiro DEVE ser evitado, a todo custo!)

Solução: 1. Encarregar somente o pai da troca de fraldas durante o vôo, assim você se protege dos gases tóxicos que resultam da ingestão de tamanha porcariada (ps: se o pai não aceitar vale roubar no par ou ímpar!) 2. Fazer caretinha de mal cheiro pro passageiro de trás, como se fosse o passageiro ao lado que tivesse peidado.


Plano B – a ser executado caso o entretenimento barato não surta o efeito desejado e a cria dê piti aos 70 mil pés

– Desculpar-se em francês impecável; E logo em seguida comentar o quão injusta foi a desclassificação da França na copa do mundo.

– Deixar o marido se virar com os conterrâneos e assistir Friends enquanto ele resolve os atritos franco-brasileiros.

– Dizer aos passageiros que tudo não passa de um filme (vocês não sabiam??!). Prometer cachê e explicar que o filme é sobre uma criança barulhenta e hiperativa, que detona com a paz de todos os passageiros, mas acaba virando herói, ao descobrir que a companhia aérea fabrica os pães que serve a bordo com restos de papel higiênico, copos plásticos e gordura hidrogenada.

– Se fingir de louca, balançando o corpo pra frente e pra trás e engolindo, um a um, os brinquedinhos de 1,99.

**

Mas se nada disso funcionar, juro que não vou estressar.

Que quem é que vai lembrar de perrengue aéreo,  gordura trans, brinquedo barato e o raio do Cocoricó ao se deparar com uma paisagem dessa, me diz?

Mas eu estou super aceitando dicas, viu? Está aberta a temporada de pitacos de entretenimento a bordo. Como entreter uma criança que se vê trancafiada em um micro espaço aéreo onde não se pode correr, nem falar alto, nem roubar saquinhos de vômito, nem nada daquilo que faz com que seja tão legal ser terrorista criança!

Massa de modelar?

DVD?

Lexotan?

** atualizando:

1. Pausa pra comentar comentários! Estou adorando as dicas, que maravilha de gente viajada e descolada!

2. O comentário da Pati do Coisas de Mãe é profissional, vocês sabem, né? Ela é autora do livro “Crianças a Bordo – Como viajar com seus filhos sem enlouquecer”

Eu vou aproveitar pra jabalizar, que coisa boa a gente tem que divulgar, pô! Então. O livro da Pati tem 100 páginas (mas cabe no bolso) e dá valiosas dicas pra quem quer se arriscar no maravilhoso (mas não menos assustador) mundo da viagem com as crianças. Passa no blog dela e se informa sobre como comprar!

3. Lia, querida, roubar no par ou ímpar é uma técnica milenar que não deve ser divulgada, assim, tão irresponsavelmente. Posso te dizer que pouquíssimas pessoas têm o privilégio de sobredito conhecimento. Ente eles o autor de “O Segredo” (hã??) Enfim, pergunte ao Mestre dos Magos, vai que ele libera…