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o buda e o michael jackson

E vocês acham que eu não sei que isso não se faz?

Sumir assim, de maneira tão foragida, surrupiada e misteriosa?

Sim, porque não há desaforo mais desalentado nessa vida de meu deus que evadir-se dos seus, deixando porra nenhuma de pista de seu paradeiro.

O cumadis, perdoa, vá.

Mas é que nesse momento há tanta, mas TANTA vida lá fora, que eu me recuso a ficar aqui dentro.

Nem foi tanto tempo assim desde a última vez que a gente se falou, mas de lá pra cá muita coisa sucedeu, a saber:

Noah está na escola e eu sou mulher depilada e fresquinha de tu-do.

Vida semi-organizada, casa semi-mobiliada e pernas devidamente depiladas, comecei a vagar por aí. Dia desses juntei toda minha faceirice e fui numa lojinha chinesa comprar umas quinquilharias xingui-lingui.

Chegando em Chinatown, vi esse templo budista lindo de chorar e resolvi dar aquela entradinha curiosa. Ali me deparei com um monge (tão ou mais depilado que eu) que veio em minha direção, sorriu aquele sorriso mongístico, me apontou um incenso de cheiro adocicado e me falou uma meia dúzia de palavras fofo-tibetanas.

Saí de lá leve, com a existência impregnada de incenso adocicado, feliz e espiritualizada e, flutuando, entrei na loja da esquina, que vendia os budas mais lindos que eu já vi.

Eu fui pra Chinatown em busca de quinquilharias xingui-lingui. Voltei de lá  matriculada no Yoga, decidida a levar a meditação a sério e com um Buda do tamanho de uma criança de 1 ano embaixo dos braços.

(o que me leva a suspeitar de que, além de doce, aquele diacho de incenso dá  um  barato for-tís-si-mo, vai por mim).

se te chamarem de doida a gente põe a culpa no incenso, tá mamãe?

***

Eu já vinha me enveredando nos caminhos da tal meditação desde que ainda estávamos no Rio. Nenhum motivo especial. Só achei que ser mãe estava me deixando doida, muito doida demais e que, por ser a maternidade tão intensa, tinhosa e barulhenta, ela estava acabando por me ensurdecer. Eu precisava ficar em silêncio pra poder ouvir as vozes que residem o fundo do fundilho dos meus pensamentos. Sim pessoal, as vozes. Num ri, não, vá.

Daí pensei: já que a vida me mandou pra Asia, que é o berço da meditação, então bora comprar um Buda estiloso, calar a boca por alguns minutos do dia e perseguir o sonho de ser pessoa mais centrada e misteriosa. Porque, né, se até a Madonna que já cuspiu na estátua da Virgem Maria e beijou a boca da Britney Spears consegue, então porque não eu?

Do que se pode especular dois desfechos a longo prazo, a saber:

Desfecho número 1:

A meditação, o yoga e um bocado de incenso adocicado surtem efeito e eu me livro de todas as neuras, preocupações, TOC’s e culpas, chegando ao patamar máximo de iluminação e vida plena. Elimino, completamente, a carne da minha vida. Compro um gato, o qual passo a chamar Dalai Lama e, uma vez por ano, me jogo num daqueles retiros na India, onde como lentilha e vegetarianices em geral, medito e faço voto de silêncio durante 15 dias seguidos.

Desfecho número 2:

Assim como abandonei a natação e o boxe, eu abandono a meditação e viro piada aqui em casa.

– Papai, lembra aquela vez que a mamãe comprou um buda do tamanho de uma criança de 1 ano e trouxe ele pra casa, de metrô?

– Hahahahaha, lembro, filho. Ela cismou que ia meditar todos os dias até o final da vida dela, que durou só dois meses, ô vida curta.

– Hahahahaha, foi na mesma época em que ela resolveu que o gato ia se chamar Dalai Lama, ói que original. O manhê, cê já voltou a comer carne ou vai esperar a libertação do Tibet antes? Hahahahahaha.

E os dois se acabam de rir, enquanto eu, de cabeça baixa, divido minha picanha nada vegetariana com o gato Dalai Lama.

de metrô: filho num braço, buda no outro

***

Mas não foi pra falar de mim que eu vim aqui, não. Queria dizer que tenho lido todos os blogues comadrentos e compadrentos- comadres da velha guarda e as que vem surgindo por aí. Aliás, caraca, quanto blog novo. Quero muito fazer uma atualização dos blogues amigos, mas me falta coordenação pra realizar esse tipo de trabalho burocrático. As vezes eu acho que quem precisa de uma babá sou eu.

Mas falando do que interessa, Noah está muito bem, obrigada. Fica na escola até as 2 da tarde e volta pro colo da mamá, onde permanece até que a última lâmpada se apague.

Muita gente já tinha me alertado, mas nunca na minha vida que eu ia acreditar que em tão pouco tempo o rapaz já fosse me sair com tanta palavra estrangeira no vocabulário. E tanto orgulho assim cabe num coração de mãe, gente? Tô me achando pessoa mega importante e desenvolta, quando o mérito é, na realidade, dele e somente dele.

Macaco virou monkey, desculpa virou sorry e rio virou RIVA. Distribui hellos por onde chega e bye-byes por onde sai.

Dia desses me olhou, apontou pra pia e disse:

– MOCHORRENDS, mamãe, MOCHORRENDS.

Levou coisa de 3 dias pra eu entender que o rapaz tava era, de fato, me mandando lavar as mãos (repita em voz alta WASH YOUR HANDS, e repare na semelhança fonética, please).

monkeys são amigos

***

Enfim, a escola. Na turma dele tem uma japonesinha linda de morrer, uma boneca de porcelana, que, ave maria, desenvolveu uma paixão precoce e turbulenta para com a pessoa do meu filho. Sei disso porque além de mãe sou mulher:  percebo sentimento mal intencionado de longe.

Em comum eles carregam a expatriação: os dois saíram da pátria que chamavam de sua e foram apresentados a esse mundo de meu deus. Um fala português, a outra japonês; Ele adora dançar, ela curte mesmo é um quebra-cabeça. A mais meiga leitura de Eduardo e Mônica, versão nipo-brasileira (quem lembra de eduardo & mônica, levanta a mãozinha!)

Daí que outro dia fui buscar o pequeno e a bonequinha japonesa estava chorando. Me chamou a atenção a maneira peculiar e silenciosa com a qual a garota chorava: as duas mãozinhas na frente do rosto, ela balançava o corpo pra frente e pra trás, soluçando, bem baixinho.

Pensei “Sorte é da mãe dela que não passa vergonha enquanto o filho berra e se joga no chão do shopping center”.

Passado um tempo, Noah me pediu algo, eu não dei e ele foi pro quarto dele. Achei esquisitíssima aquela ausência de piti e fui atrás: lá estava ele, sentado no chão, mãozinhas segurando o rosto, chorando silenciosamente.

Nisso marido entrou no quarto e disse “chega a ser bonitinho..”

– Bonitinhoooooo?? Tá louco, amor??? O rapaz vai crescer TODO repreendido, TODO cheio de minhoca não extravasada na cabeça, TODO Michael Jackson, deus o tenha?! E daí quando ele crescer e o terapeuta concluir que é TUDO culpa da mãe repressora, é você que vai pagar terapia, viu? A dele e a minha.

E a louca continua:

– Filho, pode levantar já daí e dar piti. Põe pra fora, grita, extravasa, roda a baiana, filhote! Eu, hein!

a culpa é da mãe, aquela repressora de emoções

***

Tirando a garotinha que chora baixinho, todos os outros amiguinhos da escola são porra loucas iguais a  meu filho, então certeza que ele está em ótima compania.

Porque não importa de que parte do mundo ela seja, criança de 2 anos é criança de 2 anos. Crianças dessa idade dão piti, tiram a gente do sério e são imensa e completamente adoráveis, com suas tiradas, declarações de amor e constante alegria de viver.

E talvez tenha sido essa a razão do meu sumiço: eu fiquei com medo de piscar os olhos e perder isso…

happy chinese new year!

Juro que a partir de agora estarei mais presente. Toda centrada, espiritualizada, mas sempre do fundão.

Esse post é dedicado a todas as fofas que me pediram sinal de fumaça, explicitamente, por email, por comentário ou em pensamento, em especial a Luciana, Robertinha, Patrícia, Paloma, Lia, Flavia, Carol, Dani, Paula, Thais, Cynthia, Tchella, Marcia, Mariana, Thaty, Kamila, Jussara, Rachel, Marycea (que leu o meu último post, mostrou pro marido, os dois se inspiraram e resolveram parar com a pílula – acredito que isso me autoriza a ser madrinha virtual do rebento, então?). A todas que me deram força no post de chegada a Cingapura e, em especial, a uma outra mãe do fundão, leitora que eu ADORO, dona de alguns dos comentários mais cômicos deste blog – Regina Tavares. A imagem da sua filha cantando Agonição de Amor me fez passar mal de gargalhar…porque raios você não nos presenteia com um blog, hain menina?

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notícias de cingapura

* aviso ao leitor: este post contém palavras de baixo calão, linguagem chula e escancarada apologia ao errado, ao imoral e ao politicamente incorreto.

E eis que das cinzas ela renasce, feito Fênix de tetas,  MORTA de saudades, gente bonita!

Daí resolvi mandar filho e marido pra piscina e resumir um pouco do que aconteceu desde a última vez que a gente se falou. Então senta, coloca as crianças pra brincar com  massinha e põe a skol pra gelar, que lá vem história.

Da viagem

Reza o Código Internacional de Viajantes que:

Um lugar é considerado longe pra caralho distante quando, pra chegar nele, o sujeito tem que enfrentar 2 vôos longuíssimos, 20 comissários de bordo, 6 pilotos, 8 malas, turbulências moderadas e perrengues incontáveis, que envolvem uma criança de 2 anos, uma mãe descabelada e um pai tentando evitar, sem êxito, que referida criança enfie o dedo indicador na narina do passageiro ao lado.

O homem que teve o nariz invadido ficou fulo da vida dele e eu não tiro a razão do passageiro – afinal, existem mil maneiras mais agradáveis de ser acordado do que com um dedinho bisbilhotento na narina da gente.

Por outro lado, nem acho que a intenção do filhote tenha sido azucrinar o alemão, não. Arrisco dizer, inclusive, que o objetivo de tamanha bisbilhotagem era puramente estético, já que, de avantajadas narinas, brotavam pêlos de tamanho bastante significativo. Na boa, até eu fiquei com vontade de dar uma podada na juba nasal do rapaz.

Parece boa pessoa, mas é um pinçador profissional de narinas

Da chegada

Nós decidimos dividir o trajeto Rio-Cingapura em duas partes : primeiro voamos do Rio a Paris, onde passamos 5 dias.

uma paradinha em paris pra ver família e usar gorro de tigre

Mal nos adaptamos ao fuso horário francês e já era hora de embarcar pra mais um vôo longo, dessa vez pra Asia. Minha Nossa Senhora do Guaraná em Pó, que gastura.

Só sei que, no final, chegamos em Cingapura as 19:00 – horário local, o que significava MEIO DIA no horário dessa mãe exausta que vos escreve. Até que acomodamos as 8 malas no nosso apart-hotel e tal e coisa já eram 21:00 no horário local, 2 da tarde no nosso relógio biológico. Pensei, vou tentar:

– Noah, olha só, eu sei que você tá acordadão, mas aqui já são 9 da noite, hora de dormir. A gente vai ter que fazer um esforço e ir pra cama agora, tá bom? Assim, amanhã a gente acorda em horário local adequado. Combinado?

Ele nem respondeu nada, só fez que não com a cabeça. Mas eu sei que, se já tivesse idade pra expressar exatamente o que pensa, o rapaz daria uma gargalhada colossal,  e me diria:

– Claro, sua lunática, claro. Vou guardar toda essa minha energia de pessoa de 2 anos e 2 meses e ir dormir, só pra você ficar feliz e satisfeita. Não quer que eu escove os dentes também, maluca?

Só sei que deu DUAS da manhã (umas 6 da tarde pra gente) e estávamos os três lá, deitados na ponte de um parque qualquer, olhando pro céu e conversando. O que me dá raiva é ter certeza absoluta que em algum momento alguma mãe passou, nos viu deitados na ponte, cutucou o marido e falou:

– Agora olha praquilo e me diz, Arnaldo Jin Huan Lan, o que faz uma criatura irresponsável daquela, que me traz uma criança pra rua às 2 da manhã, pensar que tem o menor talento pra ser mãe, me diz?

Que mãe é mãe, não importa em que continente ela esteja.

A Cidade

– Amor, vai me dizer que você também não acha estranho?

– Estranho o que, Roberta?

– Essa perfeição toda, isso tudo é muito esquisito, amor! Pensa comigo: a cidade é linda, limpa, organizada, cheia de atrações infantis, extremamente segura, a comida é maravilhosa…Tudo parece muito perfeitinho, François! Alguma coisa deve estar muito errada e eu vou descobrir o que é. Ah, vou.

-Neurose.

– Que? Quem?

– Neu-ro-se, o nome da doença é neurose. E diz que só cura com acompanhamento médico.

Deixa ele me chamar de louca que eu não ligo, não. De hoje em diante, minha nova missão de-vi-da é descobrir que raios há de errado nessa cidade.  Porque cer-te-za que alguma estria, unha encravada ou celulite ela há de ter. Deixa comigo.


Falta de Paciência

Já tem um mês que filhote e eu estamos, evidentemente, grudados um no outro 24 horas por dia. E num hotel, ainda por cima, já que ainda estamos buscando apartamento.

O lado negativo de ficar tanto tempo junto é que a paciência fica inversamente proporcional ao tempo em que vocês estão grudados.

Exemplo: ontem ele decidiu que jogaria seus peixinhos de plástico na privada. Quando eu entrei no banheiro, virou pra mim e disse “essa é a piscina dos peixinhos, mamãe”.

Então vejamos o que diria uma mãe de espírito elevado, dotada de paciência e pernas depiladas:

Meu filho, mas o que é isso?! Eu entendo a associação que você fez, uma vez que este vaso sanitário pode sim remeter a uma idéia de piscina de seres pequenos, como são estas réplicas de peixinhos. Mas entenda que esta água não é limpa e pode acabar trazendo doenças. Vamos lavar bem as mãos?”

Agora vejamos o desfecho da mesma cena, desta vez por uma mãe cronicamente estafada, pernas  peludas e cutículas saindo pelo ladrão:

“Caralho, Noah, a mão na privada não! Vamo já lavar essa mão antes que você pegue uma difteria, uma febre tifóide, uma malária, uma conjuntivite e a porra toda. Mas que merda, filho!”

Adaptação

Pois o filhote já fala hello, bye bye e thanks. A melhor amiga dele, aqui no hotel, é da Finlândia, vejam vocês. Eu não tenho idéia de como raios eles dão conta, mas os bichinhos se comunicam, brincam, trocam segredos e combinam de brincar mais amanhã.

Cingapura é composta, em grande parte por estrangeiros, muito europeu, muito americano, enfim são milhares e milhares de gringos, que, como nós, vieram parar aqui em terras asiáticas a trabalho.

melhores amigos, eles se comunicam em piscinês

Noah sempre empresta seus brinquedos pra um garotinho suíço, pouco mais velho que ele. Dia desses o suíço finalmente trouxe um brinquedinho pra piscina e Noah foi brincar um pouquinho com tal bonequinho do amigo suíço. O suíço não gostou e arrancou o brinquedo das mãos do filhote. Vocês acreditam que a mãe suicenta, mesmo sabendo que o filho dela brinca com os brinquedos do Noah TODOS OS DIAS, pediu pro meu filho devolver o bonequinho muito do paraguaio, porque esse era o brinquedo favorito do filho dela???

Ai, na hora pensei tanto em vocês. Arranquei o brinquedo do Noah, devolvi pro suíço e disse assim pra mãe dele:

– Eu entendo isso de brinquedo favorito, não se preocupe. O jacaré com que seu filho sempre brinca também é um fa-vo-ri-to do meu filho, mas sou EU que insisto que ele empreste, que aprenda a dividir.

(tudo isso dito com ar desaforado, mãozinha na cintura, ao melhor estilo “suburbana-versus-gringa”)

Alguns minutos depois o suicinho já estava pegando os brinquedos do filhote de novo.

Então vejamos o que diria uma mãe de espírito elevado, dotada de paciência e pernas depiladas:

“Filho, não guarda rancor e empresta o seu brinquedo pra ele. Assim você ensina pro menino que dividir é legal.”

Agora vejamos o desfecho da mesma cena, desta vez por uma mãe cronicamente estafada, pernas  peludas e cutículas saindo pelo ladrão:

“Filho, corre lá e arranca o jacaré da mão daquele moleque. Que nem fodendo que aquele projeto-de-mão-de-vaca-suíça vai brincar com suas coisas”.

Mãe Amiga

Outra consequência de se ficar grudada na cria 24 horas por dia, todos os dias, é que vocês passam a ter código e condutas que só melhores amigos possuem: risada de porquinho, concurso de arroto, linguagem própria. Este último vale um post, e aconteceu de maneira bem natural: do nada começamos a arrancar a última sílaba das palavras.

Estou na cozinha e digo “Noah, quer um pouco de su?” E começamos a rir. Então ele vai pra piscina e grita “socô, socô”. E a gente se acaba de rir. Mamãe virou mamã, cadeira virou cadê, suco é SU, socorro é socô. Hoje de manhã ele ampliou nossa linguagem secreta, chamando chafariz de chafalá (vide vídeo).

Noah também deu pra compor músicas com uma batida meio gospel, digamos assim. A letra me remete a uma mistura de música evangélica com A metade da laranja, de Fábio Júnior, e diz assim:

“Agonição, agonição, agonição

De amor, de amor”

Eu registrei essas e outras maluquices nesse vídeo. Isso que dá passar o dia inteiro a la grudê.

Um bom ano pra nós todos, gente bonita.

mas e francês lá gosta de criança?

Depende, ué.

Nesse aspecto a França é igualzinha ao Brasil ou a qualquer outro lugar do universo:  há os que genuinamente gostam de criança, os que toleram mas não necessariamente simpatizam e os que preferem uma injeção anti-tetânica nas duas pálpebras a tolerar a presença de uma mini pessoa no mesmo ambiente.

Quando eu morava em Londres lembro de ter presenciado uma cena meio absurda: eu estava na Accessorize (gastando dinheiro com desnecessarize, of course), quando ouvi alguém gritando em português que  “esses ingleses não gostam mesmo de criança, fui super mal tratada, só porque estou com meu filho, eles preferem cachorro, esses ingleses”.

E tal.

E a moça saiu da loja, puxando o marido e o filho, enfurecida.

Não dei muita atenção.  Na hora de pagar acabei ouvindo a atendente da loja explicar à outra atendente  que era “um absurdo, olha só esses lenços sujos de chocolate, como é que a mãe deixa a criança com dedos lambuzados de chocolate pegar os lenços da loja, e os brincos a crianças também tirou do lugar…”

E tal.

Eu não tenho opinião nenhuma formada a respeito da relação Ingleses x Crianças, apesar dos 5 anos vividos em Londres. Não tenho essa opinião por um motivo lógico: eu não tinha filhos e portanto não prestava atenção no universo criancento. Se você me perguntar como são os parquinhos na Inglaterra eu não vou saber dizer MESMO. Mas se você me perguntar dos pubs…

Só usei o exemplo de Londres porque imaginei a repercussão que essa estória poderia acabar tendo: a mulher – logicamente sem razão – pode ter voltado ao Brasil e dito a meio mundo que os ingleses foram intolerantes com o filho dela (e que eles preferem cachorro, blá blá blá, comem mal, que povinho, e como chove!)

E quem não viu os lenços da loja cheios de chocolate e a funcionária tendo que catar os brincos que o filhotinho dela jogou no chão realmente poderia concluir o mesmo.

A maternidade deveria vir acompanhada de um Código de Boas Condutas Para Um Convívio Pacífico Para Com o Resto do Mundo.

Tem regra de comportamento em parquinho, regra de brinquedo emprestado (lembram?), posicionamento de carrinhos no elevador, regra de não oferecer comida a crianças que você não conhece e duas outras regras importantíssimas:

1. seu-filho-sujou-limpa;

2. sua-filha-quebrou-paga.

E, sim – essas regras são internacionais. Uma adaptaçãozinha aqui, outra ali – mas via de regra é isso: bom senso, bons modos e canja de galinha nunca deram celulite em ninguém.

***

Tudo isso pra dizer que sim – Noah foi muito bem tratado pelos franceses. Claro que da família eu já esperava isso – ele tem tios maravilhosos e um primo que há de ser o rapazinho mais genial que eu conheço.

Me refiro a ter sido muito bem tratado por estranhos.

Acho que criança tem mesmo esse poder de despertar o lado bom das pessoas. E elas têm essa colossal capacidade de fazer com que adultos venham a agir de maneira outrora impensável.

Como nesse almoço de família, lá na Bretanha, por exemplo.

Não me perguntem COMO Noah conseguiu essa façanha – mas quando eu vi lá  estavam os franceses no restaurante cantando “A Baleia”. Juro pra vocês.

Eu não consigo ensinar um francês a falar “bom dia”. E o moleque, pouco maior que uma baguete, consegue explicar aos familiares gringos que a baleia, minha gente, é amiga da sereia.

Esqueçam os diplomatas – relações exteriores deveriam ser executadas por crianças.

Vê se eu tô exagerando:

Nossa ansiedade maior era em relação aos parisienses, conhecidos por seus inegáveis acessos de rabugentices.

Pois mesmo lá as pessoas se mostraram bastante child friendly: Noah ganhou croissant da moça da padaria, piscadinhas da senhora na farmácia, distribuiu e recebeu bonjour ‘s por todos os lados.

Aliás, se fosse pra eu dar um pitaco tá aí: ensinar a cria a dar um olá na língua do país pra onde você vai viajar pode ser visto com muita simpatia. Porque é internacionalmente fofo, gente, ver aquela criança entrar no trem, no supermercado ou na padaria exclamando um bonjour, na França. Ou witaj!, na Polônia. Ou Konnichiwa!, no Japão. (agradeçam ao dindo google)

Vai por mim – o povo quase sempre responde com um sorriso.

Mas o momento em que o rapaz conquistou de vez o coração das velhinhas parisienses foi quando ele aprendeu a dizer…

(versão português 😉

Na mira do perigo…

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A chamada mãe-sem-noção.

Assim vivem os tartarugos marinhos (da série “não basta ser pai…”)

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A semana em que você amadureceu

Por alguma razão que eu desconheço, nas duas últimas semanas você amadureceu uns 11 anos, meu filho.

Você simplesmente levantou e ficou em pé no berço…

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Entrou no próprio armário e decidiu quais sapatos deveriam ser jogados fora…

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Reagiu com charme ao ser estrangulado…

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..E depois ficou numa boa com o agressor…

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Engatinhou…

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Pulou a cerca, questionando a habilidade do papai em construir cercadinhos caseiros…

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Funciona mais ou menos assim: você põe o seu filhote no berço e vai dormir. Na manhã seguinte encontra ele casado, fumando charuto e apostando em corrida de cavalos.

Heading South

Minha gente bonita, estaremos viajando pelos próximos 8 dias. Mala cheia de casacos, meias e botas , e com o coração precisando ser aquecido, já que maridão ficará por aqui. Serão dias de reencontros e descobertas, família grande e cheiro de mato, frio de lascar e café com gosto de casa.

Pra você, filhote será, além de tudo, conhecer a família que é sua, mas que você ainda não conhece. Você vai ser muito abraçado e beijado, vai sentir novos cheiros, vai descobrir sotaques.

E se comportar como um príncipe no avião, sorrir pra aeromoça e só acordar 3 horas depois, combinado? 

 

Porque super bebês sempre se comportam no aviaão, viu filho?

Porque super bebês sempre se comportam no avião, viu filho?