e tatuar o nome do filho, pode? da série “run, natasha, run”

Eu sei que ainda falta uma reforminha aqui, outra ali.

Mas não está ficando um pitelzinho esta residência? Hein?

E a ilustração, que espetáculo?! Quem fez foi a Lu Azevedo, aquela fofa talentosa.

Fofa, talentosa e paciente.

Porque, né, haja paciência pra atender esta cliente mala que vos escreve. Sabe o tipo de pessoa que quer uma ilustração onde o marido figure como Tarzan? Viajando de cipó de um país ao outro? Sem muito fru-fru, que frou-frou não combina com o estilo do blog, meio palavrãozento?

Enfim, a Lu é o cara: rápida, talentosa, tem um preço bacanérrimo e um filho lindo de morrer. Recomendo super. Depois conto mais sobre o blog e outras novidades bloguísticas. Vontade de contar já, mas ainda está no forno (não, gente, eu não tô grávida).

***

Mudando de assunto:

Meu filho é rapaz desfraldado.

E, putz, esse foi o desfralde mais rápido, inodoro e sem traumas que qualquer mãe desfraldadora já testemunhou. O processo se deu assim: primeiro ele pediu pra tirar a fralda. Dia seguinte comprei meia dúzia de cuecas, uma caixa de lexotan, um penico e me despedi da Pampers, aquela vazada ingrata. E foi isso, fim da história.

A partir daí não houve uma vez sequer que ele não tenha pedido pra ir ao banheiro fazer o business dele. Nenhuma.

Sério, desfralde de novela.

Mas antes que comecem a me chamar de nojenta, metida, desgraçada, esnobe, mulambenta e de outros adjetivos fofos que atribuímos às mães que se gabam de suas maternidades perrengue-free (aquelas cirigaitas do “meu filho seeeempre dormiu/comeu/mamou/cagou/acrescente aqui alguma outra mentira”), deixa eu lembrá-las que isso não veio de graça – eu sei que vou pagar caro por esse desfralde tranquilo.

Porque a mãe natureza, minha gente, trabalha por créditos.

E a verdade é que eu estava CHEIA de créditos a receber.

A saber:

– Meu filho não dormiu a noite inteira até os 16 meses de idade, dezesseis vezes trinta e uma noites na merda, me questionando se algum dia nessa vida eu saberia novamente o que é dormir. Tenho amigas desgraçadas cujos filhos começaram a dormir a noite toda com, tipo, 5 dias de vida.

– Meu filho não comia um prato inteiro até pouco tempo atrás, tipo, ontem. Tenho amigas nojentas cujos bebês batiam pratão de arroz e feijão com, míseros 7 meses de idade.

– Meu filho sofreu com cada um dos 102 dentes nascidos. Tenho amigas mulambentas que nem perceberam a dentição: foram dormir, acordaram e os filhos estavam lá, já com um bocado de dente na boca.

De onde se pode concluir que um desfralde manso e sem problemas é mais do que merecido e foi crédito conquistado.

Um cinegrafista amador registrou o momento em que papai e mamãe natureza discutiam o caso em questão.

– Essa moça ali já passou o cão, diz papai natureza. Filho não dormia, filho não comia. Posso dar uma aliviada no desfralde?

– Tá bom, alivia – responde a mamãe natureza. Mas os créditos dela terminam aqui. E ela que se prepare que eu vou mandar uma adolescência bem cabeluda.

– Vai mandar primeira nora bem ruinzinha da cabeça, é?

– Yep. Daquelas que arrotam, colocam os pés no sofá e gritam: “tiaaaaaaa, tem refri?” E o filho dela vai ficar amarradão. E vai tatuar o nome BIA nas costas. Não, Bia, não. Manda NATASHA que é nome mais longo, daí a tatuagem vai de ombro a ombro.

***

Falando em tatuagem, ando cheia de vontade de me tatuar.

Sério. Sabe quando coroa acorda toda Susana Vieira, achando que tem 18 anos?

Daí perguntei pra três amigas-mães-não-virtuais o que elas achavam da idéia de eu tatuar o nome do filhote no tornozelo. A resposta foi gritada, num uníssono: Não faça isso, sua louca!!!

– Pensa, Roberta, tatuagem com nome do filho!

– Imagina quando ele tiver uma namorada!

– E ela souber que a mamãe do namoradinho dela tem o nome do rapaz atrelado ao tornozelo!

– Vai te chamar de louca e desaparecer da vida dele pra sempre!

Então eu fechei os olhos e imaginei a tal Natasha fugindo do meu filho pra todo sempre, após ter reparado no tornozelo tatuado da sogra. Realmente não faz o menor sentido esse negócio de mãe tatuar o nome do filho.

(Vou marcar a tatuagem pra amanhã. Goodbye, Natasha.)

***

E pra não dizer que não houve nenhum acidente desfraldoso, tivemos dois episódios: um na escola, onde ele passa as manhãs, e um com a mamãe aqui. Devo salientar que ambos acidentes ocorreram por culpa EXCLUSIVA dos adultos envolvidos.

No primeiro acidente Noah pediu pra fazer XIXI e a professora achou que ele estivesse dizendo XIE XIE, que significa “obrigado” em mandarim.

Tá? Fiquei com uma pena do meu bichinho. Cheguei em casa, escrevi xixi e cocô num papel e entreguei pra professora, pra que ela lembrasse como que se mija em português (ô classe), até que ele se acostumasse a pedir pra ir ao banheiro em inglês.

No segundo acidente a culpa foi minha. Era o terceiro dia de desfralde e sabe quando a sua cabeça ainda não raciocina como cabeça de mãe cuequeira? Pois é. Estávamos eu e filhote em um Café, quando meu telefone tocou. Era o entregador de alguma coisa, falando sobre detalhes da entrega, horário, endereço.

– Mamãe, mamãe!

– Filho, a mamãe tá no telefone.

-Mas mamãe…

– Shhhh, Noah, mamãe tá no te-le-fo-ne.

Daí ele não aguentou esperar pela bruxa mãe e fez xixi ali mesmo, no chão.

Tá? Fiquei com uma pena do meu bichinho.

(Depois o rapaz cresce, se apaixona por pessoa que atende pelo nome de Natasha, tatua o nome da moça nas costas-ombro-a-ombro e a mãe fica se perguntando onde errou.)

***

Voltando ao lance da tatuagem. Quando Noah nasceu, a enfermeira foi logo dizendo:

– Sortuda você. Menino escorpiano é suuuuuper apegado a mãe. O meu filho Marco Aurélio, por exemplo: tá com 45 anos e ainda mora comigo. Namorador que só ele, mas não deixa a mãe sozinha de jei-to-ne-nhum. Fica só enrolando as namoradas, sabe como? E olha que ele é bonito, tem um escorpião todo bordado no braço… Aliás, não é porque é meu filho, mas..

E eu só ali, com a cria no peito, mega high em ocitocina, tentando decifrar aquele monte de previsões horóscopo-enfermeirais.

Pensamento lento, primeiro me veio a cabeça o tal Marco Aurélio e sua tatuagem de escorpião. Depois lembrei de outros dois escorpianos que eu conhecia, que…peraí…também tinham escorpiões tatuados no braço!!

Lembro direitinho que eu pensei :

“Carai, não vai ter jeito. Um dia esse bichinho ainda vai me aparecer em casa com um escorpião enorme tatuado no braço esquerdo. Porque se-to-do escorpiano faz isso, ele não vai ser diferente.”

E Noah continuava a mamar, a enfermeira a falar e eu a divagar:

“Bom, tudo bem, vai. Tatoo de escorpião é OK. Mas ó: que NUNCA me apareça de sunga amarela e nem branca”

(Please não me façam explicar os motivos de minha antipatia para com as sungas claras. Mas é que sunga clara é transparente, e acaba dando aquele efeito meio “bagunçado” na parte dianteira. A transparência da sunga dá um efeito meio acumulado naquilo tudo, percebe? Uma coisa meio sem eixo, sem norte, sem eira.)

Filho meu NUNCA vai usar sunga que deixe transparecer as partes acumuladas. E cofrinho aparecendo, então?! Soy contra, muy contra!

pagando a língua: agora só falta o escorpião tatuado no braço (e a NATASHA nas costas, ombro-a-ombro)

s1: Mas no fundo eu ainda prefiro que ele tatue o nome da namorada nas costas. Que tatuar mamãe no peitoral não dá, né moçada? (juro que já vi isso na praia…)

ps2: mas e mãe? pode tatuar nome da cria? pode? pode?

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