Arquivo do mês: junho 2010

do tempo em que diarréia era cocô mole

Daí a pessoa leva o filhote pra passear na praça, munida de todos os apetrechos Copísticos Brasileiros – bola, camiseta, corneta. E ensina pra cria “corneta, filho, isso se chama cor-ne-ta”.

Para logo em seguida ouvir risadinhas de um grupo de meninas, todas na faixa dos 5 aninhos.

– O que foi? – você pergunta ao grupo de meninas risonhas.

– Vuvuzela, tia.

– Hã?

– Isso aí na mão dele…se chama vuvuzela, não corneta… vu-vu-ze-la.

E se acaba de rir da sua cara, o tal grupinho de baixa idade e muita opinião formada.

Maldito conflito de gerações.

Eu sou da época em que resfriado era resfriado, dor de barriga era dor de barriga e diarréia era cocô mole. Agora parece que todas essas mazelas da saúde humana passaram a atender pelo carinhoso apelido de “virose”.

A pessoa vai dormir achando que sabe tudo e quando acorda descobre que a corneta virou vuvuzela, toda pereba agora se chama virose e o plástico virou inimigo oficial da primeira infância. Isso mesmo – parece que o inocente plástico de outrora, quando colocado no microondas, solta uma substância de nome paroxítono que pode mais ou menos dizimar com a população inteira da India.

Assim fica difícil acompanhar.

***

Mas eu só passei aqui voando pra vocês não acharem que eu desapareci, sequestrada por algum grupinho de elementos de baixa idade e muita opinião própria. Aliás, interessante como hoje as crianças são cheias de opinião, percebem?

Na minha época a gente engolia um bocado de sapo, simplesmente porque adulto era adulto e criança era criança. E adulto era dono de uma coisa a qual criança NUNCA conseguia se apropriar: a verdade.

Quer ver um exemplo?

Quando eu tinha 5 anos, guardava dinheiro dentro do porquinho. Daí um dia meu irmão mais velho veio e se apropriou de minhas economias. Eu, então, resolvi me apropriar de alguns objetos do quarto dele, mas tive que devolver tudo porque minha mãe falou que aquilo não era correto.

Ela disse que dinheiro tinha que vir de forma merecida. E que eu deveria encontrar alguma maneira honesta de ganhar – trabalhando, por exemplo.

Por dias e dias eu fiquei pensando, calculando e imaginado uma maneira honesta e merecida de capitalizar. Foi quando eu vi um tijolo. E descobri que se eu raspasse aquele tijolo, o que saía dali era um pó vermelho, parecido com o tal do blush que as mulheres crescidas usavam na bochecha.

O plano era relativamente fácil e envolvia:

1. raspar  tijolos;

2. embalar aquele pó todo em pequenas embalagens individuais;

3. escrever BLUSH (em letras vermelhas), em cada um dos pacotinhos;

4. sair vendendo na vizinhança.

Alguns dias e muitos calos depois eu já tinha pó suficiente pra ser aceita em cartel de drogas colombiano.

Mas ao visitar a primeira vizinha, a propensa cliente já riu na minha cara e ameaçou contar tudo pra minha mãe. Como eu era criança de antigamente, daquelas que engoliam um bocado de sapo e aceitavam a verdade dos adultos, eu respirei fundo e falei “sim, senhora” .

Então eu joguei fora todo o fruto do meu trabalho de dias e disse adeus à possibilidade de sair na Revista Caras Kids .

Fico pensando se isso tivesse acontecido nos dias de hoje. Do jeito que a criançada é to-da cheia de opinião, a Robertinha 2010 certamente argumentaria com a vizinha, nos seguintes termos:

– Pois fique a senhora sabendo que este blush é feito de tijolo, que é feito de argila orgânica, encontrada nas várzeas e córregos. A argila é submetida a um processo natural de prensa e corte, o qual resulta neste excelente produto natural biodegradável.  Agora dá licença que eu vou pegar minha vuvuzela e protestar contra esse blush químico, nocivo e testado em animais que a SENHORA insiste em usar. Humpf.

na casa do astronauta

Eita, olha que honra a gente aqui ó.

Adorei a casa do astronauta, ô gracinha de lugar.

E, galera, obrigadíssima por todo o apoio e positive vibes pro meu pequeno Noah.

Shalom! Namastê! Axé!

Ele manda agradecer e diz que já está tocando o puteiro se sentindo novo em folha. E é claro que, por traz de todo filho recuperado, existe uma mãe que é só o pó feliz da vida.

Beijos a todos, a gente se vê lá na área vip do astronauta, então!

inapta a exercer essa tal maternidade

Mente quem diz que estamos preparadas pra vê-los sofrer. Não estamos. Passei aqui só pra dizer isso.

Já são 5 dias de colo constante por conta dessa virose maldita. E criança lá tinha que pegar virose? Quem foi que inventou essa brincadeira de mau gosto de que criança tem que sofrer, me fala?

Ele nasce e você se acha preparada. Daí ele pega um resfriado e você se sente de mãos atadas, mas continua acreditando que vai  tirar de letra.

Mas é ao vê-lo vomitar pela primeira vez  que você se dá conta do quanto suas mãos podem estar atadas. Ver a calça do seu filho cair porque ele ficou doente e perdeu peso deveria ser proibido por lei.

E diante do olhar assustado da cria, que se arregala ao perceber o próprio vômito, e procura no seu olhar a resposta pra tamanho desconforto, tudo que você consegue falar é:

– Foi a sopa filho. Ela queria muito ter ficado na sua barriguinha, mas ela lembrou que tinha compromisso e resolveu sair. Não faz mal, depois ela volta. Tchau, sopa.

Desculpem, mas hoje é assim que eu me sinto: nitidamente inapta a exercer essa tal maternidade.

a culpa do mundo é nossa

Queria começar agradecendo a todas as meninas que comentaram o meu post de ontem. Foi muito reconfortante saber que não, eu não sou louca.

Lembra como a vida inteira gente aprende que as mulheres são desunidas? Pois é. Parece que essa desunião começa a sucumbir assim que a gente vira mãe, na maioria dos casos. Pode notar. Ontem mesmo. Não só a galera me disse que eu sou normal como disseram que louca era ela, a psicóloga. Quem precisa de terapia quando você pode contar com uma mulherada porreta dessa?

Mas tenho que confessar: mesmo com o aval de vocês eu tive que dar uma google-lada básica para saber, pelo menos, como lidar  com essa disputa entre pai x filho. Porque claro que faz bem pro ego essa coisa de dois caras brigando por você. Mas eu não quero deixar os dois cheios de sequelas só pra sair de princesa na foto, né?

Tá, eu sei, tô sendo dramática. Mas Jocasta que é Jocasta faz tempestade em copinho de tequila, meu bem.

Daí eu caio em um forum (ai, céus) justamente sobre o tema. E lendo ali, lendo aqui, acabo caindo em um assunto que não tinha nada a ver com o que eu buscava, que é o ciúme doentio pela cria. Essa mulher, Joe (o forum era americano) dizia que estava tomada de uma ciumeira que ela considerava doentia. Que ela tinha tanto, mas tanto ciúme da filha, que não deixava a pobrezinha se relacionar com ninguém: nem com o pai, nem com a avó, nem com as tias. Mais grave ainda: ela pensava em tirar a filha da escolinha por puro ciúme da professora.

Fiquei comovida, intrigada, com vontade de dar pitaco. Passei a ler os conselhos da mulherada. Uma delas sugeria que ela criasse um blog para falar sobre o assunto, pois, quiçá outras mulheres também se sentissem assim e elas poderiam trocar idéias e trabalhar aquela ciumeira toda.

Joe então disse que já tinha tido um blog e que foi realmente muito gratificante receber comentários de tantas outras mulheres sobre o assunto. Mas que mesmo assim ela tinha decidido acabar com o blog. O motivo? “Bom, eu passei a ter muito ciúme das pessoas que deixavam comentários no meu blog porque percebi que elas comentavam também em outros blogues”.

Então, respondendo a minha própria pergunta:  quem precisa de terapia quando você pode contar com uma mulherada porreta dessa?

A Joe.  Desde que ela aceite que a terapeuta tenha, além dela, outras pacientes.

***

Copa X Culpa.

Hoje o maridão vai ser dispensado para assistir o jogo. Iupi! E eu também vou dar uma pausa no laboro pra torcer pro Brasil. Como a escola do Noah vai funcionar normalmente vamos deixá-lo lá e assistir o jogo inteiro, sozinhos, plenos e saltitantes.

Certo?

Mais ou menos.

Observem a equação:

Papai dispensado do trabalho + Mamãe dispensada do trabalho + Filho na escola  =

ELA. A MALEDITA CULPA.

Gente, é mole?? Culpa por não trazê-lo pra casa, já que estamos aqui, sem trabalhar. Claro que o resultado de trazê-lo pra casa seria ridículo: ninguém assistiria a Copa do Mundo porque Noah insistiria em  assistir ao dvd do Cocoricó na hora da cobrança de pênalti.

Acabei de passar na frente da escola, ele está lá, brincando, correndo, sendo feliz. Porque é que a gente é tão louca? (me responda, Joe!)

Tomada por esse sentimento totalmente descabido foi que eu compus o melô da Mãe Na Copa:

A culpa do mundo é nossa

Culpa de Mãe, é uma bosta

Tem culpa porque trabalha

Quando desmama

Quando desfralda

Boa Copa pra nós, mulherada.

E  deixemos a culpa pra escanteio (ai, que o galvão ia adorar essa…)

e quem não precisa de terapia??

Primeiro deixa eu falar de coisa séria:

A Priscila – a sorteada – apareceu.

(óóóóóóóóóóóó)

Nada disso. Vamos ficar felizes pela Priscila, gente. Ela me disse que nunca ganha nada em sorteio, olha que sorte ela deu!

(cara de indiferença)

Tá, eu sei que não dá pra ficar pulando de felicidade por não ter sido sorteada, mas quem sabe a próxima quem leva é você, hein!?

(buuuuuuu buuuuuuuuuuuu)

Ai, que feio fazer bu. Vai lá e dá um abraço na amiguinha Priscila. Muito bem.

***

Mais uma coisa importante.

Um plano de saúde cobrindo curso para gestantes te soa como uma coisa que aconteceria no Brasil? Ou você é da opinião que essas maravilhas só acontecem na Suíça? Hein? Pois acertou quem disse Rio de Janeiro – Brasil-sil-sil (na copa pode fazer essas cafonices, me deixa!)

Que bela iniciativa – clap clap clap, com empolgação. O curso eu mesma fiz e recomendo. Aline e Vitória são duas fofas. Uma duplinha que, com sua vasta experiência profissional, ajuda gravidinhas e gravidonas a enfrentar esse período de interrogações que é a primeira gravidez.

Antes de me inscrever eu pensei “putz, quer ver que eu vou chegar lá e vai ter aquele monte de doida barriguda aprendendo a segurar a boneca bochechinha?” Mas não. Um bom curso de gestante é bacana pra se falar de parto, de amamentação, de exercícios físicos, dos nossos medos e receios. E também pra encontrar outros seres que, como você, passaram de pessoa-super-classuda-descolada-de-andar-deslizante a uma  pessoa-cabine dupla-com andar de pinguim-e-incontinência-urinária.

Tá, você também concorda que curso de gestante é legal mas infelizmente  já gastou todo o seu orçamento de gravidez em coisas pro bebê e sutiãs beges? Então corre lá e vê se o seu plano não cobre esse curso supimpa. Mais informações aqui e aqui.

***

Agora coisas menos sérias MAS não menos importantes.

Eu  descobri que preciso de terapia.

Descobri isso ontem, numa sala de espera qualquer, ao trocar idéia com uma estranha (eu sei, mania besta). Papo vai, papo vem, ela me diz que é psicóloga.

Aqui eu abro parênteses pra explicar que eu sou tira-casquinha assumida. Sentei perto de um engenheiro, dá-lhe perguntas sobre engenharia. Dermatologistas – adoro. Professor. Vendedor de seguro. Hoje me considero apta, por exemplo,  a trocar os canos de minha casa – tudo por causa de uma viagem de 3 horas ao lado de um simpático encanador.

De dentista desconhecido eu quase não tiro casquinha, posto que o destino me presenteou com a melhor dentista do MUNDO. Além de excelente profissional, Fernanda já sabe dessa minha personalidade meio perguntenta. Na última vez, por exemplo, ela me explicou com detalhes as diferenças entre a dentição moderna e a do homem das cavernas. E eu pergunto: quem precisa do canal da Discovery quando se tem uma dentista dessa, me diz?

***

Mas voltando à sala de espera. Poxa. Uma psicóloga ali, dando sopa, e eu vou ler a Caras? Pra que? Pra achar que todo mundo é mais rico, mais magro e tem dentes infinitamente mais brancos que os meus? No, thanks.

Bom. Se ela mesma puxou papo e disse que era psicóloga, então não vai se incomodar se eu tirar uma casquinha despretensiosa, concorda?

– Pois é. O Noah agora está com essa coisa, né, de não deixar ninguém chegar perto de mim? Hahahaha, normal, né?

– Hum – diz ela.

– Pior ainda se for o pai quem está me beijando ou abraçando. Daí mesmo que ele vem correndo, separa a gente, me agarra e grita  “a mamãe é meu!!” . Hahahahaha, normalíssimo, né?

– Hum…sei.

Silêncio na sala de espera. Pensei, putz, ela não achou normal. Tentei ser mais coerente:

– Assim ó, eu sei que menino tem essa relação com a mãe, eu já li a respeito. E ele não faz isso de uma maneira doente doentia, sabe? Por exemplo: se o pai beija meu braço, ele corre e beija o outro braço. Super fofo e normal, concorda?

Silêncio.

Pensei, ah pro inferno. Por isso que eu não faço terapia. Eu fico DOENTE com essa cara de você e eu sabemos que não é só isso”.

A primeira vez que vi essa tal cara foi com o meu segundo terapeuta. Chego no consultório e a primeira coisa que o sujeito me pergunta é:

– Você lavou as mãos assim que chegou. Posso te perguntar porque?

– Porque…eu estava no metrô?

– Sei.

Daí ele olha pra mim por cima dos óculos e faz a maldita cara do  “você e eu sabemos que não é só isso”.

Tem dó.

Volta pra sala de espera. Então eu virei pra moça, com quem eu já estava arrependida de ter puxado conversa, e disse:

– Escuta, você acha que tem alguma coisa de errada com o Noah?

– Bom, Roberta (agora ela me chama pelo nome..todo mundo sabe que essa é uma técnica usada há milênios pelos médicos de cabeça). O Complexo de Edipo geralmente começa bem mais tarde, lá pelos 3 anos. Então pode-se dizer que é muito cedo pra que seu filho exteriorize conflitos edipianos.

Silêncio desgraçado.

– E então?

– Olha, toma o meu cartão. Me dá uma ligada um dia desses. Só pra bater um papinho.

E daí ela entrou na consulta. E eu fiquei ali, com o cartão na mão, pensando “Merda! Eles sempre fazem isso!”

***

Após o episódio devo concluir que:

1. Se o complexo de édipo só começa aos 3 anos, então Noah deve estar passando por um período pré-edipiano. O que to-do-mun-do-sa-be-que-é-nor-ma-lís-si-mo.  Né?

2. Se ele vai até a minha gaveta, cheira os meus sutiãs e dá um suspiro é porque gosta do aroma daquele sachezinho de lavanda que eu coloquei no armário. Nor-mal.

3. Não há com que se preocupar.

4. Talvez eu precise mesmo de terapia. Mas quem não precisa?

E a conclusão mais importante de todas:

Encanador, professor, dentista, médico, vendedor –  tudo bem. Mas tirar casquinha de psicólogo – nunca mais.

Porque eles vão te olhar esquisito, vão te entregar um cartão e te sugerir que você dê um pulinho no consultório- só pra bater um papinho.

(Mas você e eu sabemos que não é só isso.)

Atualizando, atualizando! Descobri alguém beeeeem mais louca que nós todas juntas aqui!

Radicais contra o carrinho de bebê. Infiéis com trauma do berço. E as que só amamentam na presença de Pitanguy.

Hoje eu recebi uma cliente fofíssima, a Helen. Helen é inglesa, se apaixonou por um brasileiro e veio viver com ele aqui no Rio de Janeiro. Eles então tiveram uma linda bebê – a Ingrid,  hoje com 2 meses.

Conheci Helen quando ela estava grávida: pessoa risonha, falante e totalmente de bem com a vida. Agora, na versão mãe, ela me pareceu a mesma pessoa, exceto pela barriga que virou bebê e o par de olheiras que nascem na base do olho e seguem até o pescoço. Minto. As minhas olheiras é que fazem o trajeto olho/pescoço. Em pessoa alta e loura feito a Helen,  as olheiras geralmente são discretas, contidas e educadas.

Quando encontro alguém com um bebê tão pequeno eu uso minha técnica do vai-roberta-vê-se-tenta-calar-a-boca-e-escuta-a-moça, que era o que eu mais sonhava que me acontecesse quando Noah era bebezinho. E ai, como era difícil. Todo mundo sempre tinha alguma coisa a dizer. A maioria é até bem intencionada, mas putaquel, quanto palpite.

***

Eu tento me conter – só sou palpiteira em casos extremos. Como, por exemplo, quando vi um bebê de seus 3 meses vestido com 5 camadas de roupas de lã em pleno verão carioca, suando em bicas, o pobrezinho.

Nesses casos o palpite é necessário, tudo em nome da continuidade da espécie.

Ao ver aquele bebezinho derretendo resolvi usar de uma técnica sutil de palpitamento: o método do Palpite Disfarçado de Mentirinha Necessária.

Funciona assim: você aborda a vítima e, como quem não quer nada, diz:

– Nossa, dá uma impressão que nossos bebês estão com frio, né? Tão pequenininhos! Acho que vou colocar um casaquinho no filhote – você diz, fingindo aquecer a mãozinha dele.

– Verdade. Melhor agasalhar – diz a moça.

– Se bem que…acho melhor não….depois do que eu li na Veja…

–  Na Veja? Na revista? O que?

– Não, nada não. Deixa pra lá. Deve ser exagero de jornalista.

– Será? Mas era uma matéria sobre agasalhar demais os bebês?

– Sobre bebês desidratados e tal. Parece que desidratação é …ai, deixa pra lá, não dá pra se fiar na Veja.

Reparei que ela foi tirando as 5 camadas de roupa do bebê e escutei ela dizer baixinho:  “Ai, meu deus, tá ensopado, será que desidratou, gente?!”

– Olha, longe de mim dar palpite. Mas coloca no peito que hidrata.

E fui embora, antes que ela me perguntasse qual era a porra da edição da Veja que trazia essa matéria sobre bebês desidratados. Missão cumprida, eu tinha certeza que tinha feito a coisa certa – bastava ver a cara de aliviado do bebê, que só faltou me dar uma piscadinha e me convidar pra jantar.

Lembrando que a Organização Mundial de Saúde só recomenda a P.D.M.N. (Palpites Disfarçados de Mentirinha Necessária) em casos considerados graves. Em todos os outros casos, contenha-se, ô palpiteira!

***

Mas voltando a Helen.  Putz, os 2 meses que sucedem o parto. Por um lado a gente fica obcecada pela cria, descobre esse amor devastador e se despede pra sempre daquele moço, o tal do Ego. Por outro lado essa é também uma fase de descoberta de nossas limitações (limite de sono, limite de tempo, da conta bancária).

Assim como a Helen eu também aproveitava os 40 minutos que tinha livres para ler sobre bebês, ói que pessoa mais cheia de assunto.

Daí que ela me disse que estava tendo dificuldades em se identificar com algum tipo de movimento específico. O pessoal do attachment parenting, por exemplo, não era pra ela.

Ai, o pessoal do attachment parenting.

Pra quem não conhece esse é um movimento bastante grande e relativamente respeitado nos Estados Unidos (e mais recentemente no Brasil) que, em sua vertente mais radical,  condena que o bebê durma no berço (ele deve dormir com o casal) e vê o uso de carrinho de bebês como uma maneira de separação traumática, que deve ser evitada a todo custo. A todo custo mesmo. Tipo pior que enfiar dedo na tomada, engolir moeda e bater na mãe.

Enfim, cada um cada um. Eu adoro e usei sling até não poder mais. Mas daí a pensar que colocar o bebê no carrinho significa criar o filho à distância já é um pouco demais. Além do mais, um dos meus TOC’s é achar que eu vou morrer, tipo, daqui a pouco. Então fico nessa nóia de ensinar o Noah a ter prazeres que envolvam ele e o planeta. Tipo contemplar o mar (do carrinho, comigo ao lado) e “ler” um livro (no berço, comigo ao lado).

***

Mas, olha, não adianta só jogar pedra nas queimadoras de carrinho, não. Que eu ainda prefiro ser uma delas a me tornar uma mãe que acha que pode encarar a maternidade e sair completamente ilesa dessa história toda.

Algo do tipo:

“Eu vou levar esse par de sapatos, aquela saia e …só a parte boa da maternidade, por favor”.

Ou ainda:

“Men-ti-ra que eles não vêm com auto-limpante! E o senhor está insinuando que sou eu que tenho que trocar esta fralda?”

Esse era com certeza o perfil daquela mãe que virou pro meu marido e disse que meus peitos iriam cair por conta da amamentação. Juro por deus que a pessoa virou  pro meu marido e esclareceu que ele deveria interromper imediatamente aquela insensatez. E em seguida ligar pra emergência do Pitangy.

***

O que me traz certo conforto é saber que a maioria de nós se encontra no meio termo. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

Carrinho pode,  sling pode, pode amamentar, pode parar, pode dormir junto, e pode dormir separado, pode dançar homem com homem e mulher com mulher.

E quem não dança segura a criança. Ou coloca ela no carrinho.

Sem achar que o carrinho é a carroça de belzebu. E nem justificar a infidelidade adulta do seu filho ao fato de ele ter dormido sozinho no berço por todos aqueles anos.

“Tadinho, ele se sentia tão sozinho, mas tão sozinho  naquele bercinho, que quando cresceu já levava umas 3 ou 4 pra cama só pra afastar a solidão”, diz a mãe, cheia de culpa.

transgressões, calendários… e sorteio!!

Sumida, eu sei. Mas as coisas na minha vida acumulam feito gordura localizada e eu chego à conclusão que não sei administrar meu tempo tão bem quanto eu gostaria. Nem administrar meu tempo e nem manter gavetas arrumadas. Também não sei  ver se melão já está maduro e sou péssima em lembrar de agradecer pelos selinhos recebidos (eu não mereço! eu não mereço!)

Daí hoje eu jurava que não teria tempo pra vir aqui, mas lembrei do que escrevi no post do sorteioque vai acontecer na primeira semana de junho”. Pensei, putaquel, vou ter que arrumar tempo pra escrever e fazer o sorteio.

Claro que primeiro eu tentei adiar. Mas minha educação cristã somada a uma personalidade cheia de TOC só me permite adiar alguma coisa mediante a anuência de terceiro. Alguém pra me passar a mão na cabeça e dizer “não faz mal, não tem problema, você não tem culpa, o universo quis assim”.

Então eu virei pro marido e, buscando autorização dele para enganar a mim mesma falei:

– Mas pensa comigo: a primeira semana de junho pode ser vista como até o dia 8, concorda?

– Não, meu amor, a primeira semana de junho vai até hoje, dia 7.

– Tem certeza? Pensa bem. Não se você não contar o primeiro dia, né verdade?

– E porque raios você não contaria o primeiro dia?

– Ah, sei lá, amor…é que eu prometi fazer o sorteio “na primeira semana de junho” mas eu tô tão sem tempo…diz pra mim que a primeira semana de junho vai até o dia 8, vai!

– Infelizmente não.

– Pô, amor, você nunca fica do meu lado! Tenho certeza que existem diferentes calendários mundiais onde a primeira semana de um mês vai até o dia 8, tá bom? Agora, se você não tem cultura e desconhece outras formas de contagem calendarística o problema é todo seu.

(adivinhou, filhote, a tendência é sobrar pra vocês, sempre)

Bom, e já que não adiei o dia, deixa eu pelo menos adiar o sorteio pro final do post, vai?

***

Domingo é dia de ir sozinha ao supermercado. O mercado fica pertinho de casa e faço questão de ir caminhando. Vou escutando Roxy Music no meu ipod. Som no último volume. Cabelos ao vento e lá sigo eu, livre e cantarolante. Sem marido, sem filho. Um exemplo de transgressão.

E aquela moça-pré-maternidade de outrora, sempre tão orgulhosa de ter aderido ao topless nas areias de Ibiza, hoje se pega escrevendo as palavras “transgressão” e “ir ao supermercado” no mesmo parágrafo. Ora, ora, se não é a maternidade uma caixinha de surpresas.

***

Mas ser mãe é isso mesmo: a gente é mãe o tempo todo, para o terror dos que não são/não querem/não estão a fim de ouvir conversinha de mãe.

E não há nada demais em falar e escrever sobre a maternidade – principalmente se você estiver rodeada de outras mães.

Como na escola, por exemplo. Falar de cocô na escola do seu filho está liberadíssimo. Numa escala de 1 a 10, sendo 1 “você está proibida de falar sobre seu filho” e 10 “pode falar até de meleca”, falar de cocô na escola há de ser um 10.

No parquinho também tá liberado – 9.

Na sala de espera do dentista, depende – numa escala de 1 a 10:

5 se houver pelo menos uma mãe presente;

2  se você for a única mãe.

e ZERO se os outros presentes forem adolescentes – você não destrói os sonhos de toda uma geração e sai andando. Contenha-se.

***

Eu jurei pra mim mesma que não falaria do Noah aos meus colegas do curso de francês. Até eu consigo achar insuportável uma pessoa só falar da cria justamente para um público “não criante”. Mas como a gente é mãe o tempo todo eu encontrei uma maneira sutil de trazer meu filho pra sala de aula. Nos exercícios de escrita francesa eu me utilizo dos chamados complementos “filhatórios”. Assim ó.

1. Complete o espaço pontilhado:

– Hoje eu vou tomar um chá com ………meu..filho……………….

– Paris é mais bonita quando  ……estou..com..meu..filho………..

– Aos domingos gosto de …….brincar..com..meu..filho……………

Eu não toco no nome dele. Mas se a pessoa ainda assim perceber que eu de fato sou mãe o problema é  excesso de sensibilidade DELA, né pessoal?

***

And the winner is..

De acordo com o tio Randômio, Número 62!

Foram 85 comentários, dos quais 80 participantes. A vencedora é a Priscilla! Iupi, parabéns, Priscilla!

O problema é que eu não tenho seu contato! Então vou ficar esperando, viu?

E se a Priscilla não aparecer (vai aparecer! vai aparecer!)  a gente realiza outro sorteio na segunda semana de junho. Dessa vez de acordo com um calendário muuuuito louco, que conta os dias da maneira que EU quiser, viu marido?

(que calendário é que nem…erm..cada um tem o seu.)