Arquivo do mês: maio 2010

A Bruxa e o Promotor

Dilema número 1:

Qual, na opinião de vocês, seria o destino mais apropriado para uma mulher que:

1. batia na mãe;

2. tem contra si cerca de 15 Boletins de Ocorrência, entre eles um B.O. por arrancar as roupas de um recém-nascido e caluniar a mãe de referido bebê (porque essa se recusou a dá-lo para adoção).

3. tem este semblante aqui:

Eu sei que quem vê cara não vê coração. Mas eu não convidava ela pro meu chá de bebê, não.

Muito bem.

Alternativa 1 – ela merece ganhar uma passagem de ida pro inferno – afinal de contas, quem bate na mãe e arranca roupa de recém nascido merece arder em algum lugar feio, emburacado e cheio de escorpião. Tomando coca-cola quente e sem gás. Morrendo de azia, com cãibra e na compania de Bin Laden. Condenada a usar um fone que emite zunido torturante no ouvido direito e  Galvão Bueno no ouvido esquerdo.

Alternativa 2 – ela merece ser agraciada com a guarda de uma linda garotinha de 2 anos.

***

Dilema número 2.

E qual, na opinião de vocês, deveria ser o destino de uma família que há anos acolhe crianças marginalizadas, abandonadas, carentes e delas cuida como se família fossem. Um casal que, além dos filhos “de sangue”, adotou e criou como seus outras muita crianças, jovens e adolescentes? Uma família que abriu o coração e as portas da casa para mais de mil pessoas, recuperando, re-integrando, enfim, fazendo aquilo que o Estado-com-letra-maiúscula não consegue fazer (por mais que a gente pague MUITO dinheiro pra que ele faça o dever de casa).

Alternativa 1 – A Família Santa Clara merece virar nome de rua, servir de exemplo a ser eternizado, imitado, consagrado. Uma iniciativa dessas deve ser aplaudida de joelhos, subsidiada, apoiada. Longa vida à Família Santa Clara! Com agradecimentos de toda a sociedade brasileira.

Alternativa 2 –  A Família Santa Clara merece ficar sem recursos e, em algum momento ser visitada por algum promotor jovem e vivaz, que deve arrancar as crianças daquele que consideram o único lar que já tiveram, dos braços da única e verdadeira família deles. E o pior: separando irmão de irmão.

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Agora me diz se é ou não é um país cheio de autoridades com bi-polaridade crônica.

***

Eis as mais recentes presepadas das autoridades:

Primeiro eles me jogam uma menina de 2 anos nas mãos de uma louca de pedra. A menina é torturada, xingada de cachorro (“mas cachorro é melhor que gente”, diz a tan-tan) e vai ficar marcada pra sempre. Valeu, Estado!

Agora eles resolvem traumatizar outros meninos e meninas que encontraram na Família Santa Clara o amor que nunca tiveram e a dignidade que mereciam mas que lhes foi cerceada. Foram arrancadas de suas caminhas, dos seus quartos, dos seus irmãos. E por que isso?  Porque o Estado (aquele que não consegue cuidar dessas mesmas crianças) entendeu que a casa não cumpre com as determinações previstas em lei. Nossa, que puuuuta idéia, Estado!

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O promotor disse que só estava cumprindo a lei.

O sujeito frequenta o curso de direito, estuda muito, vira promotor e faz um ótimo trabalho cumprindo a lei “tem remédio vencido no porão, vou marcar um X”, “ah, esse colchão não está limpo o suficiente, mais um X”.

“X+X-Y+xxx-yyy = Isso mesmo. Podem fazer as mochilas. Vocês vão comigo.”

***

Eu sei que a lei é pra todos. E que, de acordo com a lei, o estabelecimento não estaria apto a receber crianças. Mas se faltam recursos à família é porque custa caro cuidar daquilo que o Estado não consegue cuidar!

(e olha que a gente paga caro pro senhor cuidar, viu seu Estado?)

***

Enfim, um desabafo. Eu li o que estava passando com a Família Santa Clara aqui no Eneaotil, que é um blog que eu gosto muito. E fiquei super sensibilizada.

Eu sei que a lei é pra todos. Mas quem aplica há de ser HUMANO.

E humanos não separam irmão de irmão.

***

Esse é o site da Família Santa Clara. Eu vi que ali tem um link para doações e essa será uma das minhas maneiras de ajudar. Isso e colocar a boca no trombone.

Colocar a boca no trombone is the new black. Lembra do Ficha Limpa? Pois é, foi aprovado. Com restrições e luta árdua, mas foi. E você colaborou. Então continue divulgando/ajudando  toda causa que lhe pareça justa. Que blog é bonitinho e tal, mas também pode mudar um pouquinho o mundo. Eu acredito é na rapaziada, gente bonita!

Passa lá no Eneaotil que tem gente propondo maneiras criativas de ajudar a Família SC.

A que eu mais gostei foi essa de ligar pro seu Luciano Huck e pedir pra ele dar uma força na reforma da casa da Família Santa Clara. Alô, seu Huck, dá uma foiça aí, vá!

E eu acabei de pensar em outra: pegamos a casa lindíssima de veraneio da bruxa, que fica lá em Búzios, e transformamos ela em um belo abrigo pra crianças.

Ai, se me dão poder.

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expulso do avião/banido das padarias

O meu pai é carioca mas se criou no sul. A minha mãe nasceu no sul mas cresceu aqui no Rio de Janeiro. Fora essas duas referências, esta retirante que  vos escreve viveu anos em São Paulo, alguns outros em Salvador e mais uns tantos na capital inglesa.

E pra engrossar a feijoada com foie gras a moça ainda me casa com um francês, que chegou ao Rio aos 4 anos e que, apesar de ter estudado em colégio francês, cumpre com os três requisitos de carioquice adquirida: 1. chama quiosque de quioxxxxxxque; 2. chama zíper de “fecho ecler” e 3. toma mate gelado com biscoito globo (e-ca).

Sotaque não tenho mais –  hoje falo um paulisurioca abaianado. E acho deveras engraçado quando alguém me pergunta se sou de Minas (??) Deve ser o meu amor incondicional pelo pão de queijo.

Acho que Noah, apesar de ser carioca e viver no Rio, deve assimilar um pouquinho de tudo. A presença dos avós franceses é muito, muito forte na vida dele. Dá pra notar o quanto ele confia e  adora os avós e o quanto ele se desliga do português quando está com eles. Infelizmente o convívio com a parte sulista da família não é muito intenso, mas deus salve o skype e o youtube, né não?

E porque é que eu tô falando nisso mesmo? Eu ju-ro que tinha todo um sentido começar o post assim.

Ah. O sul. Passamos uns dias no sul, eu e filhote. O sul foi onde passei a infância e é bacana ver tudo aquilo agora, sob o prisma materno. Foi uma delícia rever todo mundo, sentir frio e tomar café da tarde 9 vezes ao dia.

Daí eu gostaria de dividir com vocês algumas das minhas aquisições nessa viagem:

– ganhei uma dor crônica na lombar, um achatamento das vértebras e calombos nos calcanhares:

O rapaz estava impossível: corria (a toda velocidade) pulava (por tudo), torturava (a mãe). Em um dos inesquecíveis episódios, na padaria, ele derrubou TODOS os porta-canudos das mesinhas, espalhando centenas deles pelo chão da padaria.

Da série dilemas de mãe. Eu poderia:

– Catar todos os canudos do chão, pedir mil desculpas e me oferecer para pagar tudinho. Comentar que o dia está mesmo lindo, pegar o filho num braço, o saco de pão no outro e ir embora cantarolando  “all we need is love”.

ou

– Poderia fazer de conta que não era a mãe dele, dizer que ele era filho de uma vizinha minha muito da irresponsável. E daí pegá-lo pela mão e soltar um “ora, ora, onde já se viu…bora, menino, que a tia vai levar você até a sua mãe”.

Mas daí veio a voz da razão, empostei o meu melhor timbre disciplinador e  coloquei o filhote pra catar os canudos comigo. Ele não achou muito engraçado, não, mas eu não voltei atrás. E sob os olhares de aprovação dos exigentes sulistas eu expliquei pra ele que aquilo era errado e que tinha me custado tempo, paciência e dinheiro. E que da próxima vez eu largava ele na porta da vizinha.

– duas MEGA olheiras-tipo-panda:

Nós dividimos a cama, eu e ele. Sabe lá o que é dormir com um indivíduo que tem a síndrome de ponteiro do relógio? Ele gira o corpo a 90 graus a cada 15 minutos, culminando SEMPRE em um muito bem dado chute no meu queixo. O dia em que eu cogitar cama compartilhada podem me internar.

– com uns buraquinhos a mais:

Eu tenho pra mim que  caloria adquirida em forma de pães e doces se convertem inevitável e imediatamente em celulite. Pode fazer o teste: dê uma geral nos seus buraquinhos, memorize a localização de cada um deles, se empanturre de tortas gordas e volte ao espelho. Se você não acredita em mim faça pequenos xizinhos nos buracos pré-existentes e, após a comilança, verifique se não é verdade isso do milagre da multiplicação dos furos. Pode confiar.

– com o nome na lista negra da empresa aérea Azul:

Certeza que eles nunca mais deixam a gente voar. Pense numa mãe levantando da poltrona para pegar uma fralda limpa no compartimento superior (claro que ele fez cocô fedido nos primeiros 10 minutos de vôo, o que mais eu esperava?!). Agora pense numa criança de 18 meses tirando proveito do fato de a mãe estar em pé e com as mãos ocupadas para sair correndo pelo corredor.  Até aí, fofo.

O drama começa quando eu vou buscá-lo lááááá no final do corredor e percebo que o cocô chernobyl vazou e que Noah agora se ocupa em roubar aqueles saquinhos de vomitar que ficam nos bolsões das poltronas. O ritual consistia em 1.dizer oooooooi ao passageiro, 2. enfiar o corpinho cagado junto ao joelho do infeliz e 3. descaradamente lhe roubar o saquinho de vomitar. Roubou de um, de dois, de três. E o cheiro piorando – cocô é sempre mais fedido a 30 mil pés, pode reparar.

Numa tentativa desesperada de salvar o tantico de dignidade que me restava eu agarro o pequeno terrorista, que se segura no cabelo da passageira e dá início ao mais enlouquecedor dos PITIS. E gritaria é sempre mais ensurdecedora a 30 mil pés, pode consultar. Minha vontade era abrir a janela e pular. Mas não sem antes trancafiá-lo no compartimento de bagagens.

***

A conclusão é que você amadureceu uns 16 anos nessas mini-férias.

E nem só de traumas, sacos de vômito e canudos espalhados foram feitos nossos dias, filho: todos te adoraram e você se sentiu completamente em casa.

Estava feliz e saltitante e abraçou e beijou todo mundo (inclusive dois estranhos).

Experimentou  o tal do danoninho (e não gostou).

Experimentou ração de cachorro (e adorou?) . Aliás, sobre a ração, juro que eu tentei evitar, mas você foi mais rápido. Que? Vingança ao seu piti no avião? Imagina! (hahahahaha hahahahaha – risada de bruxa.)

Passou a contar até 10. Do nada. Vá entender.

Percebeu que a mamãe se derrete toda e te ajuda NA HORA se você acrescentar a palavra “favô” às frases.

Em compensação já entendeu que a mamãe não te dá nada se você pede algo fazendo manha. Então você interrompe a manha, me olha nos olhos e diz com uma voz bem mais fina que o normal “favô, água, mamãe”.

Apontou um grilo e disse “ói aqui ó” e escutou a mamãe explicando se tratar de um bicho chamado grilo. Depois foi lá, pegou o lerdo do grilinho com os dedos e saiu pela casa gritando “bitchu, bitchu”. O grilo passa bem.

Você tocou o piano que sua mãe ganhou no natal de 1979, quando ela tinha 4 aninhos (yeah, you do the math..)

se vocês têm quase a mesma idade então porque você tem rugas e o piano não, hein mamãe?

Você alimentou os patos…

comeu um pedaço de jenipapo, ficou engasgado, com dor no papo...

E se vestiu de inverno…

pinheiros são nossos amigos

E eu pergunto: quem olha pra esse pitelzinho aí da foto pode imaginar que ele conste da lista negra de grandes companias aéreas e padarias espalhadas por esse país?

(Isso sem falar na Associação de Proteção aos Grilos.)

sorteio, viagem, beijinho, até mais!

Mas antes do sorteio, permitam umas pequenas divagações:

Vacina

Por que será que toda mãe sabe de antemão quando uma pessoa-vacinadora tem natureza carrasca e vai vacinar seu filho com a delicadeza de um elefante tropeçante? E eu me pergunto se é normal, diante de tamanha abruptidão contra a cria, que a gente queira tomar a vacina da mão da Ramba e enfiá-la na respectiva… erm…jugular.

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Malas prontas

Se eu represento pelo menos 4 vezes o tamanho do meu filho então porque será que ele fica com 85 e eu apenas com 15% do espaço da mala? E isso lá é um mundo justo e igualitário?

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Empresas aéreas 

Quando é que alguém vai ter coragem de dizer às atendentes de companias aéreas que aquela voz que elas insistem em fazer passa do limite do irritante? E que se o objetivo em fazer aquela voz é parecer pessoa magra, chique e inteligente, então eu vô tá te falano que não tá rolano, viu querida?

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TPM

Querida mamãe-natureza. Façamos um trato: a gente continua a arcar com o fato dos bebês nascerem coliquentos, refluxentos e sem dente nenhum na boca MAS, em troca, a senhora elimina a nossa TPM  e só a devolve quando a cria já tiver, assim, tipo 5 anos de idade. Se a senhora que é mulher  não fizer isso por nós, então quem raios vai fazer, hein mamãe natureza? O São Pedro, que nunca na vida sequer viu um tampax?

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Sobre o post das baladas

Tô passadíssima com os comentários ao post sobre baladas com a cria, que me levaram a crer que praticamente inexistem coisas bacanas pra mamãe, papai e bebê na maioria das cidades brasileiras.  

Então a partir de hoje, colega, toda vez que você sentar com aquele seu amigo investidor, vale a pena contar do filão que ele está perdendo. E mostrar pro rapaz o post e os comentários, inclusive o da Mari (que diz que em Berlim tinha uma caixa de areia no meio do bar, onde as crianças ficavam tomando cerveja – digo – brincando, enquanto papai e mamãe comiam salsichão), da Keiko (que disse que cafés com espaço pra criança brincar são suuuuuuper normais no Canadá) e também nesse post da Paula do NY with Kids.

Enfim, quem sabe alguém acabe se empolgando com a idéia.

Eu comentei isso com um amigo solteiro e sem filhos e ele disse “Nossa, é mesmo…Como é que vocês dão conta de sair com os bichinhos? Ainda bem que tem a praia, né?”

Claro, querido. Uma facilidade só tomar um capuccino nas areias de Copacabana. 

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Ficha Limpa

Um pequeno update em relação à votação do ficha limpa. Amanhã deve acontecer a votação dos últimos “destaques” da lei. Destaques são alterações sugeridas pelos caras-de-pau deputados. Algumas alterações são tão patéticas que praticamente anulam a lei.

Mas isso não vai acontecer! Tenho fé que amanhã será um dos dias mais importantes da história política recente. Dá uma olhada aqui se quiser ver quais são os deputados que estão tentando desfigurar o Ficha Limpa. A lista é longa e entre eles aquele que já foi bebê, lembra? Nosso bezerrão, aquele moço, o Dr Paulo Maluf

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Enfim, o sorteio

Eu de TPM, sensível e chorosa que só eu + super mega agradecida por ter tanta gente legal vindo aqui sempre.

Resultado: acordei, me olhei no espelho, achei uma espinha enorme brotando no meio da testa e soluçando falei:

“Eu sou uma pessoa de sorte, buááááááááááá, tanta sorte, buááááááááááá, preciso retribuir essa sorte toda, buááááááááááá”

(filho, marido e espinha me olhando assustados.)

Então eu queria agradecer de coração a todas as pessoas que acompanham meus delírios maternos. Especialmente aos que me deram tanta força em um momento muito difícil. Quando me perguntam, aliás, se eu não me arrependo de ter contado “precocemente”, aqui no blog, sobre a gravidez eu digo com 100% de certeza que NãO. Ter dividido aqui a minha tristeza fez tudo parecer mais claro, mais leve, menos difícil. Foi como ter um milhão de amigos, cada um retirando das minhas costas um pouquinho do peso, uma partícula do luto, um pedaço da dor. Muito obrigada. De coração.

Ui, chega. O sorteio

Então o Piscar de Olhos está sorteando um voucher de 80,00 (oitentão!) em compritas daqui. 

Para participar são 3 palitos:

1. clicar no botãozinho “clica aqui ó”, ali do lado direito do blog..(aquele ali, de assinar o blog e tals..achou?)

2. deixar um comentário aqui;

3. e mandar um email para mamae@minhamaequedisse.com.br com o assunto – adivinha? – “eu quero”.

e, gente, eu detesto ser aquela pentelha, que parece a professora de matemática da 4a. série, mas pra concorrer tem que seguir  OS 3 PASSOS…Sim, é todo um procedimento.

Você poderá escolher qualquer coisa do site  com o voucherzito (porque, gente,  não dá pra aguentar aqueles sorteios do tipo “exceto sapatos, blusas, tênis, saias, maiôs e gravatas. O resto (meias) pode”.

O envio é por sua conta, mas com PAC fica baratinho. 

O sorteio acontece na primeira semana de junho –  porque até lá, moçada, eu vou estar meio sumidinha. 

E quer saber? Já estou com saudades.

(ai, essa TPM ainda vai me matar…)

ei, cria! vamos pra balada?

E quando eu já achava que tudo estava perdido eis que chega às minhas mãos: 

Alô Rio de Janeiro!

Foi assim ó: a Ana (mãe da Elena) e a Tamara (mãe do Henryque) estavam cansadas dessa estória de exclusão materno-social (ã?). Aquela coisa de não poder levar a cria  pro bar, pro restaurante e tal, já que a maioria dos lugares ignora a existência desse tipo de ser chamado bebê. Bebê? O que é isso?, pensam eles.

Daí elas resolveram arregaçar as mangas, dobrar as fraldas e criar o Sambebê, que promove shows de samba e música brasileira de primeiríssima, para mamães e papais que adorariam fazer um programa que não envolva necessariamente a trilha sonora do Cocoricó.

Gente, será este um sinal da volta da identidade enquanto pessoa física???

Eu troquei emails com a Ana e ela me explicou que o volume do som será mais baixo do que aquele ouvido em shows “normais”, não se pode fumar, tem trocador e – prestenção – o ambiente tem tapetinhos e brinquedos espalhados. Sim, como num conto de fadas, cara amiga mãe.

Eu vou. Bora gente carioca?

Iniciativas como essa ou como o Cinematerna me deixam muito, mas muito feliz. 

Quer ver outro exemplo? Eu e maridón tínhamos parado de levar Noah nos restaurantes porque ele ou 1. corre e grita “cocô no bum-bum, cocô no bum-bum” (detonando com o apetite da pessoa ao lado) ou 2. fica no meio do caminho dos garçons, provocando acidentes memoráveis e sorrisinhos amarelos de nossa parte.

Até que eu descobri um restaurante chamado Joaquina, que, aos domingos coloca uma cama elástica e dois balanços pra criançada se acabar. Pense em uma pessoa feliz. Era eu quando descobri que poderia comer (por sinal, comida brasileira de primeira) e tomar chopp com o maridão sem o chatíssimo revesamento-toma-que-o-filho-é-teu-enquanto-eu-como. 

Eu acho que passou da hora do empresariado em geral entender que existe toda uma galera pertencente ao mundo bebesístico, que deixa de sair (e portanto de gastar dinheiro, viu seu empresário?) pela falta de opção child friendly.

Lembro da minha invejinha branca quando a Flávia, mãe do Astronauta, falou aqui do Sónar Kids. Sónar é um festival de música que já existe há algum tempo em Barcelona (eu fui! eu fui!) e recentemente foi adaptado à uma versão infantil.

E vocês? Onde vocês vivem existem bares, restaurantes, shows e afins adaptados pra criançada?
(Sempre que eu termino um post com uma pergunta lembro do “Você Decide”. Ai, dona rede globo, me deixa, viu?)

Deixo vocês com beijo grande de Dia das Mães e uma pequena amostra do que Noah (aqui com 13 meses) aprontará no SamBebê. Olha a Unidos da Mamadeira aí, gente!

Alguém viu minha identidade por aí???

E, não, colegas – eu não me refiro ao documento de identidade.

Acontece assim: primeiro você desaprende a andar de salto. Depois vira a mãe do Noah (Ou da Clara. Ou do Felipe. Ou dos gêmeos.) Desconhece assuntos que não envolvam fralda, escola, catarro e birra. E perde o contato com seus amigos “desfilhados”.

(Abre parênteses pra explicar que não, sua amiga sem filhos não “esqueceu” de retornar a ligação. Ela sabiamente preferiu pegar um cineminha a ouvir suas estórias sobre adaptação escolar  e nebulizadores.)

Será que sou só eu, ou ser mãe implica mesmo em perder um pouco da identidade? Não é de hoje que eu me vejo meio monotemática. Quando Noah tinha 6 meses eu escrevi isso aqui. E de lá pra cá a coisa piorou, amiga leitora.

E não pára por aí. Além de meio perdidinha e monotemática de pai e mãe você vê aflorar ainda outras surpresinhas da sua personalidade. Adjetivos como CHATA/PENTELHA/CONTROLADORA hoje descrevem cerca de 52% de meu adorável ser.

Outro dia uma leitora-cliente-que -se-tornou-amiga veio aqui em casa e disse que estava se achando uma pessoa meio chatinha. E que toda vez que o marido jogava a filha pra cima (mas que mania é essa que todo homem tem??!)  ela ficava atrás dos dois falando “cuidado com o lustre, ai meu deus, vai bater no teto”.

Eu sou (ou melhor, eu ESTOU) igualzinha a ela.

Talvez a coisa melhore com o tempo. Ou com um segundo filho?

E eu acho que minha situação é agravada pelo fato de que, quando não estou sendo mãe, estou vendendo coisas pra mães, escrevendo/lendo coisas de mãe. E aí me sobram 20 minutos e eu faço o que? Fico pentelhando deputado, em nome de…adivinha? Mães?! Ai, que preguiça.

E daí? Faz o que? Senta e chora? Vai pra terapia? Enche a cara com as amigas solteiras e, quando elas perguntarem como anda a sua vida, você fala “ai, já volto”, corre pro banheiro e fica lá até que elas mudem de assunto?

Vocês também se sentem meio assim?

(Porque terapia MESMO eu vou precisar se vocês me responderem  “Ai, Roberta, nada a ver:  eu sou suuuuuper a mesma pessoa de antes”.)

***

ps: Os comentários do post Filhos do Neocid deveriam ser publicados em livro. Foi libertador pra mim saber que todo mundo (da nossa geração) é meio filho de neocid, cigarrinho de chocolate e suco de revólver. Geração Unidos da Sobreviventes.

Filhos do Neocid

Toda vez que eu me pego me achando uma pessoa suuuuper bacana e descolada, vem o meu inconsciente e manda meu alter-ego baixar a bolinha imediatamente.

Porque por trás dessa mãe que se orgulha tanto em dizer que o filho come espinafre e tofu, jaz uma menina que:

– Tomava um suco que vinha dentro de um revólver.

Juro por deus que o suco vinha dentro de uma arma de fogo. O suco do revólver era composto de 1% de água e 99% de corantes em geral, que atribuiam ao líquido uma cor vinho Chernobyl. Devastador.

– Foi contaminada por Neocid, muito Neocid.

E eu fui uma menina piolhenta, então você imagina. Eu não sei exatamente qual era a função de referido inseticida (matar baratas, mãe?) mas penso que a coisa era uma usina de toxinas, posto que a frase que antecedia a sessão era “filha, agora a mamãe vai passar neocid em você – fecha bem o olho, ou essa tua pupila derrete

– Tomou leite retirado do mercado PRA SEMPRE.

Diz a minha mãe que eu mamei no peito até os 3 meses. Depois disso ela resolveu me dar um leite de nome impronunciável que, após aquele ano, saiu de mercado, posto que os acionistas decidiram investir em segmentos mais lucrativos, como o tráfico de drogas e o jogo do bicho.

– Viajou no chiqueirinho da Caravan 

Eu e meus 4 primos, atrás, rolando feito garrafa de refrigerante de vidro, cantando pro motorista que o poste não era de borracha e tal e coisa. Como assim cinto de segurança? Hello??

***

Mãezinha, querida, a culpa não era sua. Eram outros tempos e revólver ainda era considerado um recipiente gracinha pra se colocar o suco do bebê. 

Noah, meu filho, se um dia descobrirem que tofu nada mais é do que um elemento nascido da junção de fumaça tóxica e metais venenosos e que a quinoa é, na verdade, cancerígena, relaxa. Você vai sobreviver.

O Ministério da Saúde adverte: comer formiga causa sequelas e mexer com leoa faz mal pras vértebras

– A mãe e o pai dessa aqui mesmo ó, eles vão di-re-to pro Chile, lá na Argentina, e deixam a pequena aqui comigo. Aí eu te pergunto: e eles ligam pra essa criança, meu deus do céu?

Essa foi a frase que eu escutei outro dia, de uma babá que passeava no calçadão com outra babá: cada uma empurrando o respectivo carrinho, as duas de branco.

Na mesma hora eu pensei: por onde raios andará Maria de Fátima?

***

Minha mãe voltou a trabalhar quando eu ainda tinha poucos meses de idade, então eu sou da turma dos que colecionaram babás. Fátima foi uma delas. Eu gostava tanto, mas tanto tanto da Fátima, que tenho um desenho guardado, onde se lê:  “AS PESSOAS QUE MAIS AMO NO MUNDO” e estão lá: minha mãe, meu pai  e ela – Maria de Fátima.

Maria de Fátima não gostava muito de falar a verdade. Aliás, a moça raramente atinha-se aos fatos. Por exemplo: ela me dizia que era, na verdade, uma princesa, que o pai dela tinha um castelo e que ela só trabalhava de babá porque o pai a havia expulsado. Motivo? “Meu pai não gosta do Reginaldo”, dizia ela chorando.

Reginaldo era mais feio que bater na mãe e vinha buscá-la de moto. Mesmo assim eu acreditava na versão romântica da moça, de que ele era um cavaleiro apaixonado. Montado em sua cinquentinha.

Além de mentirosa, Fátima era ruinzinha da cabeça. Lembro que ela convenceu minha amiguinha Rosana a comer formiga, “que faz o olho ficar azul, boba”. 

***

Há quem diga que vem daí minha relutância em ter uma babá pra chamar de minha. Que comer formiga aos 4 anos de idade há de causar relativo trauma e deixar sequelas na pessoa, concorda?

(sequelas essas que não envolvem, necessariamente, a pigmentação do olho.)

***

PS: A palavra “sequelas” ficou com trema ou não, hein?! Não que isso vá fazer diferença: eu não tenho a menor idéia onde possa achá-lo nesse meu teclado gringo.

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PS2: Obrigada a todas as divulgadoras e/ou simpatizantes da campanha Sanguenozói. Vocês são incríveis! E isso foi só o começo,  a coisa vai seguir bombando – recebi muitas idéias de mães igualmente felinas. Então não percam os próximos capítulos. Brrrrrrrrrrrr (ih…sei lá se é essa a onomatopéia leonina??)

PS3: Falando nisso, segundo o site webciencia.com :

“A leoa é quem governa a família – ela é muito corajosa e decidida. Quando várias famílias estão no mesmo local, as leoninas revezam nos cuidados com os filhotes. São elas que caçam para a família, enquanto o leão protege. (…) Com sua força, a leoa é capaz de quebrar a coluna vertebral de uma zebra (…).

(Ouviu, senhor político mal intencionado? Tamo de olho na vertebral! )

***

PS4: Falando nisso II, respondendo ao comentário da Camila (novo blog em construção) se vc vem sempre aqui e o seu blog não consta ali no “leio sem piscar”, não se sinta injustiçada(o)! Manda o link no comentário, que eu adiciono, leio e divulgo, com prazer. Se a gente não divulga como que uma leoa fica sabendo da existência da outra, né não?

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PS5: Daqui a pouco tem sorteio de fofurices daqui. Pó deixar que eu aviso!