Ai, os palpites

Estava na feira comprando meus carboidratos quando vi uma moça vestindo seu bebezinho de uns 3/4 meses num canguru bacanão. Ao lado dela uma senhora escolhendo suas batatas mas cuidando dos pepinos alheios suspira “coitadinho, esse negócio deve machucar tanto…”

Em homenagem a essa corajosa mãe e seu lindo bebê eu reblogo o post abaixo, um desabafo de quando Noah estava com 5 meses de vida, rodeado de palpiteiras profissionais. Impressão minha ou os palpiteiros somem assim que seu filho começa a andar?  Por que, hein? Medo de que o bebê seja adestrado, tipo “canela, ataca canela!” 

Mãe Pode (março 2009)

Eu nunca fui das 20 pessoas mais politicamente corretas que eu conheço, nem de longe. Expressões Politicamente Incorretas como índio, gringo, país subdesenvolvido e palhaço sempre fizeram parte do meu vocabulário. 

Depois que virei mãe, então – me tornei exemplo do que não se dizer. Por exemplo, quando Noah tinha um mês, e eu ainda me preocupava com germes e bactérias, não era raro que alguém me visse segurando mãozinha catarrenta de criança de 7 anos que se aproximasse do meu filho e dizer “não põe a mão no meu filho, porra!”   ”cuidado, ele é muito pequenininho, não se mexe em mãozinha de bebê”.  Recebi vários olhares de reprovação dos pais dos pestinhas, todos devidamente ignorados. 

Não sei quem foi que disse – e eu concord0 – que mãe pode se dar ao luxo de ser politicamente incorreta.  Por exemplo, já ouvi mãe dizer que não contratou a babá porque ela tinha espinha. Já vi mãe furar  fila, gritar com policial e bater em velhinha. Mãe pode.  

Ontem, na fila do supermercado, eu me superei. Estava com o Noah nesse sling que eu adoro adoro adoro, com o qual vou a todos os lados e que – lógico! – é super seguro. Seguro mesmo, sling sueco. Já imaginou sueco fazendo um sling que arrebenta? Não consigo imaginar aquele povo alto e louro dizendo, naquela linguagem cheia de trema e bolinha:

“Både! För dig och för oss! Vi på!”  (Fodeu! Arrebentou o sling! O bebê caiu na chom!)

Mas apesar da nítida segurança, ainda tem gente na rua que tem certeza de que dito objeto trata-se, na verdade, de algum tipo de instrumento de tortura viking. Todo santo dia escuto murmúrios de senhoras transeuntes:

– tadinho

– ó, coitadinho

– meu deus, pobrezinho

– Både för dig och för oss! Vi på! 

E ouço ainda:

– “Mas ele não está sofrendo, coitado?”

– “Não machuca ele, não, coitado?”

– “E ele não vai cair, coitado?”

– Både för dig och för oss! Vi på, coitådö!

Então. Voltando a fila do supermercado. Vira a moça da frente e diz:

– Escuta aqui, esse troço não machuca ele não, coitado?

– Olha, machucar machuca, mas sabe que eu nem ligo? Ele chora um pouco e se acostuma com a dor. Depois é só chegar em casa, limpar o sangue e voilá! 

Nem preciso dizer que a fila inteira me olhou como se eu fosse a reencarnação lactante de Saddam Hussein. Um escândalo que calou a boca da moça e me fez pensar que é legal isso de se fazer de louca. E pro inferno com o politicamente correto. Mãe pode.

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22 Respostas para “Ai, os palpites

  1. Ahuahuahuhauhauha
    To rachando o bico de tanto rir!!
    Queria ter visto a cena… o povo é bem ridículo mesmo, né? Vê lá se alguma mãe teria coragem de fazer o filho sofrer…huahuhauha
    Amei, Roberta! Beijo grande!

  2. Ai Disas… Vou te dizer, viu? Aqui na Ásia se uma mulher carrega o filho sem um sling/canguru/similares todo mundo olha imaginando de que planeta veio a criatura…

  3. Ah vixe, se palpite enriquecesse, nao sobrava uma mae pobre no mundo. Slings sao campeoes de escandalo alheio..eu com o meu de anel e uma senhora me parou na rua para perguntar se minha filha tinha pernas… pensando na sua estrategia eu deveria ter simplesmente respondido que nao, justamente por isso usava aquele sling 🙂

  4. Rô, era uma vez em Peruíbe, eu devia ter uns 12 anos e meu primo Danilo que hoje tem 23, uns 2,5 aninhos quando ele, fazendo um castelinho de areia, pega um bocadão desse bolo e mete na boca… Minha tia sai correndo em auxílio e minha mãe, sentada em seu trono, diz em disparada: Deeeeixa Nadir, não precisa lamber a língua dele naaão…é vitamina S (su-jei-ra) aaaaahahahahaha… nunca me esqueci…

  5. Hahahahaha!
    Dava tudo para estar atras de vc na fila!
    Vc já imaginou se o governo aprovasse uma lei dizendo que a mãe tem o direito de receber uma taxa no valor de R$1,00 por cada palpite ou critica recebida???

  6. Já tinha lido esse seu post hilário! E ultimamente tenho tido muita vontade de virar tosca, esganar alguém… uma hora vai acontecer. Os hormônios do bem da gravidez se foram. O leite desperta os hormônios do mal…

  7. pois passei pelo mesmo, e com o mesmo sling que peguei emprestado de ti! Estava na fila do supermercado outro dia e uma velinha chegou a dizer que a perninha da Luisa estava “gangrenando” de tao vermelha, pode???
    Outro dia na praca tambem tinha uma senhora, que ate me seguiu, pra dizer que aquilo nao estava certo, pobre bebe…. ai ai da vontade de mandar para aquele lugar, mas dai respiro fundo, dou um sorriso amarelo, mando nao se preocupar e sigo em frente, um dia quase cheguei a dizer pra uma mulher mandar cuidar dos netos dela que da minha filha cuidava eu, haja viu!!

  8. ops, velinha nao, velhinha, sorry….

  9. Ha, ha, ha! Me lembro bem desse post, muito bom!

    Pois eu, que tambem tinha um sling sueco igualzinho, ja estava acostumada a andar com o Nic ali dentro, ao mesmo tempo que sorria e acenava pro povo, principalmente qdo estivemos no Brasil. O povo simplesmente nao acreditava que ele tava confortavel, mesmo que ele tivesse dormindo serenamente! Um saco isso…

    Mas como sabemos – e esse ditado fica muito melhor quando dito em sueco – “antar att det var bra gav inte säljer”. Que quer dizer, “se palpite fosse bom não davam, vendiam”.

    (eu sei que vc é fluente em sueco, assim como eu, mas traduzi pras outras que passam por aqui, ne?) 🙂

    Bejjos prä vos e pro coitådinho do Nöåh ke söfreu nesse sling sverige!!!

  10. Mãe pode é ótimo. Vou usar, tá?
    Amei o texto, foi bom vc ter reblogado (este eu não tinha lido)!
    Beijos

  11. Adorei o post! Estou rindo até agora.

    O sling ainda causa surpresa nas pessoas mesmo…quando andava com a Alice no pouch tinha gente que me seguia no supermercado ou no shopping para ver o que tinha dentro, pode? Isso sem contar as perguntas estúpidas clássicas (ela não sufoca? a coluna não entorta?), queria ter tido coragem de dar uma resposta igual a tua.
    Agora quando ando com ela no ring percebo que muitas pessoas (ainda!!!) olham surpresas.
    Concordo que “mãe pode”. Eu tb tinha (e tenho) uma certa bronca com as pessoas que pegam em mãozinhas de bebês. Lembro que uma vez eu estava com a Alice com uns 3 ou 4 meses, na frente do trabalho do maridão, quando chega uma colega dele do almoço com um cigarro na mão. Ela termina de fumar, joga o dito cujo fora e vem afofar minha filha e agarra as mãozinhas e as bochechas dela. Acho que só não deu beijo estalado pq a minha cara não foi das mais simpáticas. Não tive dúvidas, dei aquele sorrisão amarelo e saquei o pacotinho de lenços umedecidos para limpar as mãozinhas da filhota (eu sei, eu sei, pode ser exagero mas “mãe pode”, ainda mais de primeira viagem, hahaha).

  12. Cara, to rindo ate agora…chamei meu marido pra ouvor o post e rimos de novo.
    Meu filhote de 3 meses e meio têm atraído este tipo de comentários e eu fico enfurecida.
    Moro nos USA e ja ouvi tanta baboseira por sair de casa com meu filhote durante o Inverno. Sei o quanto é frio aqui (ate porque nao tem como negar, a gente congela!), mas tomo todos os cuidados necessarios, as vezes acho ate que exagero. E ele é super saudavel, nao teve nenhum problema de saude, gracas a Deus. Nao da pra ficar meses dentro de casa so porque voce tem um bebezinho. É bom ate pra ele sair um pouquinho, ver gente. Com todos os cuidados necessarios, claro.
    O ultimo que ouvi, de uma vizinha foi: Escuta, onde voces tanto vao com um bebe de 3 meses, num frio desses? Nao da pra esperar o Inverno passar pra sair, nao?
    Ainda to aprendendo ingles, mas alguns palavroes eu ja aprendi, rapidinho…pra ocasioes como esta! 🙂 Mae pode mesmo!
    Bjs,

  13. sabe que o que sempre me irritou mto foram os comentários a respeito da semelhança física entre meu marido e meu filho né?! hj em dia nem ligo mais, mas qdo ele era recém nascido eu não suportava certos comentários! tipo, dizer que eles eram parecidos na boua, mas dizer que o bebê não tinha nada meu e que era todinho o pai, ou que nem parecia meu filho, etc, etc eu achava uma baita duma sacanagem, sendo que eu carreguei aquela barrigona por 9 meses, inchei horrores, engordei 20 kilos e passei mta dor pra nem um parto normal eu conseguí ter pq a bichinha não dilatou!! mas aí que uma vez na fila do mercado, eis que uma mulher, bem feia por sinal, vira pra trás e me diz: “nossa, é a cara do pai né?! não tem nada teu! esse nem precisa de DNA!!” e eu respondo: ” ps então tia, a Sra. nem imagina o alívio né, pq eu dei pra vários né, mas ainda bem que esse veio a cara do pai!”
    hahahahahahahaha
    não me segurei! a mulher não acreditava no que tava ouvindo!! mas enfim…depois fui pra casa satisfeita! valeu! haha
    beijooooooos

  14. Quanto mais horas passo na internet lendo os blogs dessa confraria, mais me identifico e me acalmo! Pois, por indicação da Mari do Pequeno Guia vim parar neste post delicioso, que fala exatamente da mesma situação que passei hoje no supermercado. Pena que não tive a mesma presença de espírito que você teve pra mandar uma resposta como a sua! Pois que me aguardem!

  15. Bom seria a gente ter paciência para explicar a essas pessoas o que é o sling e como funciona. O problema é que quando a gente é mãe a gente se sente julgada e criticada o tempo todo e acaba se irritando com esses comentários (que na maioria das vezes são mesmo críticos e julgadores). E o pior é que o sling é usado há milhares (isso mesmo, milhares!) de anos. Mas por aqui ainda é novidade…

  16. Gente, to chorando de rir! Que bom que nao sou a unica a ficar indignada com palpiteiros de plantão! Pra me acalmar fico sempre tentando imaginar o processo mental das pessoas que te vêem gravida e resolvem te contar alguma desgraceira sangrenta sobre gravidez, que te vêem cuidar do filho e explicam como dá pra quase matar a criança fazendo o que vc esta fazendo na hora. A maioria nao deve fazer por mal, deve achar que está ajudando ou sendo bacaninha, mas tem ZERO de filtro!!! Vou adotar o filtro zero tb, mãe é a unica que realmente pode!

  17. Pingback: Radicais contra o carrinho de bebê. Infiéis com trauma do berço. E as que só amamentam na presença de Pitanguy. « Piscar de Olhos

  18. Dude, NEM SOU MÃE, mas tive uma síncope com isso aqui:
    “- Både för dig och för oss! Vi på, coitådö!”

    Colocando seu blog no meu reader JÁ.

  19. Hahahahah identificação total!!! Amei a resposta!!! posso usar?! já não aguento mais a galera do mas não machuca, esquenta, aperta, faz mal? Lá está Nicole toda serelepe, rindo a todo canto dentro do sling (aliás o único lugar onde ela dorme de dia) e as perguntas continuam… será que esse povo não vê o que está acontecendo na frente deles? Parabéns pelo blog!!!!

  20. Concordo com tudo e já passei por isso.
    Só queria dizer que o seu carregador de bb sueco não é sling, é canguru. Dizem ser prejudicial para bb antes dos 3 meses, por não dar um apoio adequado para a cabecinha, o que não acontece com o sling. Sling é carregador não estruturado, é um pano mole, pode ser pouch, de argola, de velcro ou wrap.
    bjs

  21. Pior quando os protestos são de dentro de casa. Minha irmã já chegouao cúmulo de dizer..não coloca ele nisso daí quando eu estiver por perto. Tamanha é a agonia dela ao ver meu pequerrucho no sling!! Haja saco…e não adianta mandar ela pra..pqp..digo, pra net ou seilá onde se informar..ela não vai ! =(

  22. Você é das minhas…
    Adorei sei blog.. Parabéns!!
    Beijos

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