Parto Humanizado – Poderá Eunice realizar esse sonho?

Eunice trabalha no Banco do Brasil. Ganha R$ 1.500,00 por mês o que, somados aos R$ 1.200,00 percebidos pelo marido garante o pagamento do aluguel de R$ 650,00, o condomínio de R$ 90,00 e os planos de saúde do casal e do filho Ricardinho. Não sobra muito para prestações em geral, mas ainda bem que a geladeira já foi quitada. E que Ricardinho estuda em colégio público. E que o pré-natal de Eunice está correndo tranquilo, como planejado.

O que muitos não sabem é que Eunice já teve seus momentos de estrela e lembra com carinho da época em que figurou como modelo principal em um encarte de uma famosa loja de eletrodomésticos. Que belos tempos.

Talvez tenha sido por isso que Eunice tenha se emocionado tanto ao ver Gisele Bundchen no fantástico aquela noite, falando sobre seu parto, na banheira, sem anestesia.

– Vem ver, Arnaldo, olha que coisa linda! Ah, eu quero parir assim, feito a Gisele.

No outro dia ela mal conseguiu trabalhar. Lembrava exatamente do que havia passado no parto do seu filho, um parto cheio de intervenções, um médico mal humorado, apressado e intervencionista.

– Mas era o médico do Plano, vou reclamar?

Mas essa vez ia ser diferente. Ela ia parir de forma natural, se possível na banheira, feito a Gisele Bundchen.  Futucou, procurou, entrou no google, tudo pra saber mais e descolar o nome do profissional que pudesse ajudá-la a parir como Gisele. Mas no final, foi a filha do gerente do banco quem passou o contato pra Eunice.

– Ela é maravilhosa, você vai adorar.

E Eunice saiu saltitante, contato na mão e aquela emoção que ficou do discurso da moça, sobre o empoderamento da mulher e tal e coisa. Eunice só faltou chorar.

No outro dia ela saiu pra trabalhar como sempre, deu um beijão no marido e avisou:

– Arnaldo, hoje eu vou ligar lá pra mulher do parto humanizado. Na hora do almoço te ligo pra dizer como foi. 

– Eunice, isso é pra gente rica, meu amor. Du-vi-de-o-dó que nosso plano vá pagar negócio de parir de cócora, Eunice. Acorda!

– Ai, Arnaldo, teu problema é que você é negativo, viu? Olha, beijo, e não esquece de botar crédito no seu celular!

E Eunice foi. E ela esperou a hora do almoço pra ligar pra profissional. E, ansiosa, ela ligou. E a medida em que as coisas se esclareciam e os valores vinham a tona, o sorriso de Eunice foi se desmanchando. Só se ela vendesse a geladeira, pensou.

– Olha, e tem um ágio de 30% se o parto ocorrer num feriado, fim de semana ou madrugada. 

E Eunice fechou os olhos e imaginou as primeiras contrações ocorrendo num sábado de manhã:

– Ai, Arnaldo, acho que num vai dar pra esperar até segunda-feira, não…aaaaai ai ui aaaai!

– Eunice, meu amor, Eunice, pelamordedeus segura mais um pouquinho, só mais dois dias e a gente não vai precisar vender o berço e o carrinho…ó aperta a mão, aperta a mão que passa.

E foi com essa cena na cabeça que Eunice desligou o telefone e disse adeus ao sonho de parir de uma maneira mais humana. Voltou pro Banco, enxugou as lágrimas e jogou no lixo a Revista Caras com a Gisele na capa.

***

Ps: esse post é dedicado a todas as mulheres que gostariam de ter um parto mais “digno” mas não podem bancar tamanha dignidade. Esse post serve também para encorajar histórias de sucesso pois ler relatos de P.H. é sempre bonito e renovador. Eu  mesma já li trocentos e choro cada vez.

Mas ele serve também para repudiar qualquer forma de crítica, discriminação e ofensa aquelas mulheres que não podem “optar” por um parto humanizado. Tal atitude é, ao meu ver, cruel e NADA humana.

PS2: Paloma, seu post (e sua perspicácia) me inspiraram 🙂

PS3: Alguem saberia me dizer se já existe um movimento no sentido de “popularizar” o parto humanizado? Existem médicos que aceitam planos de saúde?

PS4: Diga não ao radicalismo mal direcionado e sim ao radicalismo contra quem realmente importa. Ajude a Eunice. Não a critique –  é mais inteligente e surte muito mais efeito (e ela não vai te achar uma pentelha, dona da verdade…)

PS5: A Eunice não chama Eunice, e o Banco do Brasil não tem nada a ver com isso. Juro por Deus.

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44 Respostas para “Parto Humanizado – Poderá Eunice realizar esse sonho?

  1. sensacional!!!
    me envolvi com a história da Eunice e a entrevista da Gisele pro Fantástico tb mexeu comigo, em diversos pontos…

    queria muito um PH qdo chegar a minha vez e, apesar de nao ganhar como Eunice, vou ser sincera que tb nao posso nada fora do plano de saúde… e agora, comofaz?

    Excelente discussao.

    bejus!

  2. Sensacional mesmo!
    Neste mundinho de deus, estou mais para Eunice que para Gisele, infelizmente para mim. Tenho pago tudo particular, mesmo com plano, pois os melhores e mais recomendados médicos não aceitam planos. E, mesmo tendo meus momentos Gisele, não consigo bancar os “humanizados” que conheci até agora, pois eles cobram muito mais caro, bem acima do mercado – fora o ágio. Aí eu me pergunto: vale a pena me endividar toda e passar os primeiros meses com o baby no colo e pagando dívidas? Será que não vai estragar o meu pós-parto?

  3. Maravilhoso!!! Os médicos “humanizados” estão fazendo reserva de mercado, quando na verdade esse serviço diferenciado que eles oferecem deveria ser o básico. Alguém da OMS deveria ler esse post. A realidade nua e crua. Bjs

  4. Post para ler de joelho, Roberta!
    Esse assunto me deixa meretriz da vida. É o fim da picada ver o Brasil chegar ao ponto de que parto normal – e humanizado – é coisa de gente rica. Louvável o exemplo da Gisele, mas infelizmente o tiro sai pela culatra: já tá cheio de médico com cifrões nos olhos, querendo tirar proveito da enxurrada de “partos humanizados” que virão por aí.
    Desculpinhas pelo comentário sem agregar valor, só vomitei minha ira…
    Bjs!

  5. Ô Roberta, fala pra Eunice fazer o pré natal no SUS, ruim por ruim é melhor que convênio. E na hora de parir, já pra casa de parto, no Rio sei que queriam fechar uma delas. Aqui em Sampa tem duas. Atendimento humanizado total, enfermeiras assistem o parto. É uma opção gratuita para quem não pode com o parto em casa.
    Bos sorte pras Eunices!!!

  6. Parece que eu enxerguei a minha história…Queria muito um PH mas após a consulta com o médico vi que os valores ficavam inviáveis, até pelo fato de eu não estar trabalhando. Acabei passando por uma cesárea traumática, com direito a intercorrência e uma noite na UTI, separada da minha filha. Por sorte com ela foi tudo bem (o problema foi só comigo). Mas sei que vou carregar essa cicatriz na alma para sempre. Esse assunto mexe demais comigo, e mesmo 8 meses depois tem horas que me dá uma tristeza grande em pensar como poderia ter sido diferente.
    Muito bom esse post.

  7. A Eunice conhece as casas de parto?
    São públicas e pari dignamente numa delas.
    http://sites.google.com/site/caetaneando/casadopartosapopemba

  8. Meninas, obrigada pelos comentários, que bom que a Eunice não está sozinha!
    As meninas que sugeriram as Casas de Parto, obrigada! Será que existe um site para que quem não esteja nas grandes capitais como Rio e SP possam buscar ajuda?!
    Isso não nos tira o problema principal: se toda a classe baixa e média do Brasil invadirem as Casas de Parto elas evidentemente não serão suficientes, concordam? Precisa de mais. Precisa que o governo faça mais. Precisa de ONG, sindicato, associação e cooperativa.
    Não tapemos o sol com a peneira: que bom que as Casas de Parto funcionam, mas elas não bastam.
    E isso não apaga a indústria careira do “parto humanizado” e elitizado, eu acho!
    Obrigada pelas sugestões!
    Beijos a todas!

  9. Psiu, mvtezini sou eu aqui: http://projetomacieira.blogspot.com/

    vamos trocar idéias para transformar!

    beijo

  10. Eu fiz um parto humanizado domiciliar com parteira, doula e pediatra neonatal, e ficou mais barato que se eu fosse fazer no hospital com meu GO do convênio mais as taxas para os demais que nem participariam do meu parto, um absurdo!!! Enfim, lendo fiquei pensando se realmente houve uma pesquisa de valores e de profissionais…conheço alguns que cobram caro…muito caro pra mim e encontrei alguns que cabia no meu bolso, tenho uma amiga Eunice e era seu 3ºfilho, ela fez com parteira e pagou parcelado… Infelizmente temos que nos sacrificar financeiramente para termos um parto de verdade e saudável principamente para nosso bebê, e isso não é por que é caro, é por que não temos uma medicina verdadeira nesse país. Eu pagaria mais caro e parcelaria em mais vezes se fosse necessário. Nada é melhor que estar com seu filho nos braços se emocionar com seu primeiro olhar, esperar o cordão parar de pulsar, com o maridão junto cortando o cordão, a pediatra realizando os exames do seu lado, amamenta lo, e dormir já na sua cama com seu filhinho juntinho…

  11. A sugestão das Casas de Parto é realmente a solução. E não é necessário se preocupar com a hipótese de elas não darem conta da demanda, pois o problema atualmente é o contrário! Em São Paulo, a Casa de Parto de Sapopemba, com um atendimento maravilhoso, está quase fechando por falta de procura. Para o governo seria muito mais barato criar e manter casas de parto a atendimentos hospitalares. Sendo assim, tomara mesmo que as casas de parto não deem conta e que a entrevista da Gisele ajude a divulgar o parto natural humanizado! O que não dá é para engolir as taxas altíssimas de cesáreas desnecessárias, socialmente aceitas e totalmente desumanas.
    Beijos,
    Quel

  12. Pois e amiga, infelizmente parto natural, humanizado, eh coisa de gente “fina”, ou algumas Casas de Parto, que sao poucas. Medicos de plano nao querem nem saber de esperar muito tempo para ver se o bebe vai descer, se vai se posicionar, se vai isso ou aquilo. Ate hoje tenho duvidas se nao poderia ter esperado mais e Luisa ter nascido de parto normal, mas isso eu nunca vou saber, entao procuro tirar este pensamento da cabeca rapidinho e pensar que o que importa eh que Luisa esta aqui comigo firme e forte (cada vez mais forte e cheia de dobrinhas, uma fofa!!).
    Tem sim que haver uma campanha nacional para que o parto humanizado seja um direito da mulher, independente da classe social, mas ai teriamos que comprar uma briga com os planos de saude, que pagam muito pouco aos medicos, e que por isso nao querem esperar muito tempo em um unico parto, e por ai vai….
    E pensar que decido ter meu filho aqui e nao na Inglaterra porque la eles deixam a mulher ate o ultimo suspiro pra ver se o bebe nasce sem intervencao… ai ai

  13. puxa vida… assusta mesmo ter q pagar um parto. seja humanizado ou não.
    mas como mariana já falou lá em cima, existem Casas de Parto. são lugares públicos, portanto gratuitos, onde vc tem um parto humanizado.
    é só dar um google.
    fora isso depende da profissional com que se fala… tenho certeza q muita gente agora vai se aproveitar da nova moda e cobrar preços absurdos, mas tem tb mta gente realmente em prol da humanização q tem preços mais normais, e parcelam e etc e tal…..
    não se desiste de um sonho assim na primeira…
    sorte a todas nós gestantes e uma excelente hora!

  14. Alexssandra, que bom que vc conseguiu um bom preço! Tenho certeza que seu parto vai ficar sempre na memória e isso realmente não tem preço (se vc pode pagar por ele).
    Pena que tem muita gente que não consegue nem bom preço nem Casas de Parto.
    O que ocorre é que esse nosso Brasilzão é extenso, menina, e em muitos lugares a coisa não funciona assim, não! Por isso essa discussão, entende?
    Depois conta pra gente em que cidade vc está!
    Beijo, parabéns pela perseverança e sorte sempre!
    Fabiolla, Raquel, valeu! E que o governo nos ouça!
    Meninas, esse post não tem intenção nenhuma alem de ajudar, viu? Juro, juro, juro. Ajudar não somente as mulheres que estão em grandes centros, onde existem recursos, como as que não estão.
    Beijos!
    Roberta

  15. Outra coisa: tem alguem por aí que na verdade pariu em uma Casa de Parto? Por favor, manifeste-se, mulher! Porque também não adianta a gente dizer que existem Casas de Parto ótimas por aí “mas eu preferi pagar particular”. Concordam ou tô viajando?

  16. Teve esse post (com relato e tudo):

    ellyguevara // fevereiro 4, 2010 às 11:20 pm | Responder

    A Eunice conhece as casas de parto?
    São públicas e pari dignamente numa delas.
    http://sites.google.com/site/caetaneando/casadopartosapopemba

  17. Olá, meninas!
    Concordo sobre a elitização do parto, mas também acho que há profissionais ótimos disponíveis… Meu parto foi em casa, com parteira e só. Estava completamente sem grana (ainda estou), mas não queria ter de me locomover quase 40km para chegar à Casa de Parto, nem ter de ir ao H.U. Quando comentei esse “probleminha” com a parteira que escolhi, ela disse o seguinte: “Olha, vai nascer de qualquer jeito, você pagando ou não”. E não falamos mais nisso. Até hoje (ai, que vergonha!) não paguei ela e ela nem me cobrou. Sabe que vou pagando aos pouquinhos, o que der, e não é tanto. É justo e vale!
    Sem contar de muitas histórias que o plano cobre. Eu não tenho plano, mas a parteira disse que ela consegue reembolso. Acho que não é “fácil”, mas é possível. Claro que tem de ser mais fácil, mas antes de levantarmos uma bandeira pró-casa-de-parto e pró-parteiras “públicas” é necessário conscientizarmos a mulherada do quão bem faz ter um parto natural. Esse deveria ser o primeiro passo. Depois consegue-se o segundo mais facilmente, pois terá número.

  18. Querida amiga,
    eu penso que parir (no significado pleno e realizador da coisa) custa caro, muito caro!!! Mas não é dinheiro não!!
    Custa cair na realidade de que nossos planos são um fiasco!
    Perceber que aquele médico da família não é tão boa gente assim!
    Assumir virar as costas para um médico que te acompanhou a um tempão pq ele não faz parto normal, por mais que diga que vc pode ter um, que acha lindo, mas que nunca fez….
    Custa perceber que o parto é seu e que quem tem que escolher como e onde é vc, não é o médico, nem o marido, nem a família….
    É realizar que para parir no Brasil não basta ser gestante, tem que correr muito atrás, tem que querer com garra, tem que saber quais são as desculpas mais usadas para as desneCesáreas.
    Tem que saber que a instituição médica aprende na faculdade a fazer cirurgia!!!! E que é nisso que eles são bons e ponto. Se vc quer um parto normal tem que procurar uma enfermeira (que é a especialista em parto normal, ou um médico que saia do perfil tradicional.
    Custa muito cair na realidade de que quem quer um parto normal nada contra a corrente!
    É preciso também perceber que a saúde no Brasil depende da nossa atuação como cidadã, então se exitem poucas casas de parto é pq o CRM está fechando elas aos poucos e que se vc não participa da passeata contra o fechamento, não assina o abaixo assinado, não vota direito como quer ter mais casas de parto???
    Custa muita pesquisa tb, entrar em listas de discussões (partodoprincípio, partonosso, partohumanizado, entre outras) e pesquisar, pedir, perguntar, correr atrás de relatos de parto e perguntar quem assistiu o parto de fulana….
    Custa também não cair na pilha de que só tem parto quem pode pagar!!! Pq a grande maioria dos profissionais humanizados de verdade parcelam preço, recebem o quanto o seu plano reembolsa ( e os planos são obrigados a reembolsar parto Domiciliar tb-embora não gostem) e combram o que vc pode pagar.
    Custa ainda perceber que aquele cara que se diz ban-ban-ban em parto e que fala que seu parto será simples e maravilhoso pode ser apenas um mercenário seguindo um modismo e que se aproveita para sugar nossa grana.
    Custa acreditar na natureza e que parir é algo que 90% das mulheres são capazes de parir e que não precisam de alimentação de Über model, nem de dinheiro de Über model e nem exercícios específicos para parir, afinal somos mulheres e capazes de parir.
    Custa tb não ter medo de se abrir para parir, pq o parto não é só físico , mas tb emocional!

    Afinal, se vc que Eunice, vc vai conseguir parir ! Se quiser umas dicas pode me perguntar pq conheço uma penca de profissionais MUITO acessíveis e muitas mulheres buscam casas de parto independentes de situação financeira.

    Querida, parto é para todas e vamos lutar para garantir nosso direito!!

    • Puxa, tem tempo que não leio uma discussão assim sobre parto.
      Sou casada e ainda não tenho filhos, mas desde que namoramos eu e meu marido compramos a ideia do parto domiciliar, devemos encomendar nosso bebê para o ano que vem. Moro em Curitiba e até onde eu sei só existem dois obstetras aqui que fazem parto domiciliar. Demorei muito para descobrir onde eles se escondiam. Queria que meu ginecologista pudesse ser também meu obstetra, por isso procurei até achar e achei. Meu ginecologista atende por plano de saúde.
      Então, de repente, dá pra fazer todo o acompanhamento pelo plano e pagar só parto em si. Com certeza aí não fica tão caro. Se o obstetra do plano não atende parto domiciliar, faz o acompanhamento com um e o parto com o que faz o PD.
      De qualquer forma, o que me intrigou um pouco foi o seu comentário, Gabi, de que os planos são obrigados a reembolsar parto domiciliar. Como é que se faz isso?

  19. Clap! Clap! Clap! De pé!

    E quanto às casas de parto, eu não fui, mas minha professora de yôga foi (parece coisa do Silvio Santos, eu não vi mas minha mulher Silvia viu…). Falando sério, parece que tudo funciona bem, você tem que fazer todo o pré-natal lá e beleza. No caso da minha professora, infelizmente teve que ser transferida para o hospital na última hora, depois de 16 horas de trabalho de parto. Mas parece que enquanto lá foi tudo bem.

    beijos!

  20. Acho que profissional humanizado DE VERDADE tem “pagamento humanizado” também. Tive um parto domiciliar com parteira e pediatra, não foi nenhum absurdo de caro (e minha renda familiar é semelhante à da Eunice!), e ambas deixaram claro que ninguém ia deixar de atender o meu parto por causa de dinheiro. Quando desse, eu pagaria! Os valores são muito justos, pois nenhum profissional consegue alimentar seus próprios filhos ganhando 200 pratas pra acompanhar um trabalho de parto de 48 horas… Eu sinceramente acho que você conhece os profissionais errados, pseudo-humanizados…
    Beijos!

  21. Eu acho sinceramente, que tudo é questão de “prioridade”, será que a Eunice, quer mesmo um parto humanizado, por tudo que isso representa ao bebê e a mamãe… Ou ela só quer parir como a Gisele?

    Que bom seria se o problema fosse que todo mundo quisesse ter um parto humanizado, mas que não tivesse recursos para isso. Porque se fosse assim, os médicos teriam que tomar outra postura.
    Mas acho que a realidade ainda é outra.

    A realidade é que é mais comum encontrar pessoas que não tem plano de saúde mas se endivida pra pagar uma cesárea+anestesista+quarto em hospital particular, porque não quer sentir dor.
    A realidade é que pessoas que optam por PD são chamadas de louca, irresponsável, e outras palavras mais fortes.

    Eu tive um pd e não faço parte da elite. Não tenho plano de saúde, fiz todo o meu pré natal no sistema publico. Não paguei nenhuma ultrassom 3D, e nenhum exame extra. Controlei minha ansiedade pra saber o sexo antes da hora, não fiz lembrancinhas de nascimento e tive que cortar muitas coisas (supérfluas?) do enxoval do bebê. Na época tinha sido demitida e o dinheiro invertido no parto não estava sobrando na conta corrente. Mas foi a melhor inversão que fiz, sem sombra de duvidas. E paguei menos, que a amiga que não queria sentir dor, e pagou cesárea+anestesista+quarto em hospital particular.

    Tenho outra amiga que não tinha plano de saúde e realmente não podia pagar nem um centavo a mais por um parto mais humanizado. Ela foi pro hospital com 5 cm de dilatação, chegando lá as contrações pararam… e horas depois queriam induzir o parto. Ela falou que ia em casa buscar não sei o que, e foi com o marido pra praça ao lado do hospital, e esperou ali até se sentir tranquila e voltar as contrações. Voltou ao hospital, a ponto de parir e teve um parto rápido sem intervenções e ao lado do marido. Um parto humanizado… mas claro… isso não conta, né? Não tem o glamour de ser a Gisele e ter parido na banheira de casa.

    desculpa o comentário tão grande…. é que as vezes esse assunto me tira do sério. Tenho recebido comentários agressivo e muito muito incômodos no meu relato de parto. Acabei descontando aqui no teu canto. sorry…

    beijão querida

  22. Gabi, o seu comentário está ótimo. Os planos são um fiasco (aqui em Brasília não tem um pediatra que atenda, por exemplo, e eles estão certos, porque ganham pouquíssimo). Nadar contra a corrente dá trabalho mesmo. Mas, quando vc entra nestas listas e diz que não quer parir em casa, já não gostam muito. Aí vem a patrulha e num lugar onde queríamso encontrar solidariedade encontramos patrulha ideológica e emocional.
    Agora, já que vc se dispôs, eu gostaria sim, de pedir ajuda para descobrir onde ter um parto humanizado em Brasília sem ser na minha casa e sem ter que me endividar pelos próximos nove anos.

  23. Roberta,
    Que belo post….até acalmou meu coração depois de ter visto uma Obstetra falando no programa Mais Você, e usando a Gisele como exemplo, que as crianças nascidas de parto humanizado são mais amadas!! Amadas!! Acredita nisso???? Quase surtei.
    Um beijo grande…
    PS1.: não tinha tido a oportunidade de te mandar mensagem ainda, sobre o bebê, mas… como todo mundo já falou.. Deus é quem sabe e logo, logo vc estará com outro rebento nos braços e no coração…
    PS2: Aguardando as novidades no outro site!!

  24. Gentes gentes, eu queria agradecer os diferentes pontos de vista, bem como o respeito com o qual as opiniões estão sendo dadas. Essa é uma discussão aberta, democrática e ninguém está ganhando dinheiro pra defender seu ponto de vista, né pessoal? Então tá tudo lindo.
    Venho recebendo alguns emails muito legais, mulherada mais tímida, que prefere (com todo o direito) se manifestar de uma maneira mais low profile.
    Algumas delas pedem a querida Gabi (comentário acima) orientações no sentido de encontrar profissionais (Campinas, Manaus) e a nossa Paloma que adicionou Brasilia. Então, Gabiiii, se você puder dar uma mãe seria ótimo. Melhor ainda que seja aqui nos comentarios do Blog, assim outras mulheres podem aproveitar dessa informação, né não? Lembrando que querer um PH não significa necessariamente almejar um Parto Domiciliar. O respeito pelas que não querem um PD é condição primordial para uma discussão saudável. Sem imposições, minha gente bonita!
    O que me leva a pensar na seguinte questão: existe por um acaso algum diretório na Internet com nomes de profissionais, preços, regras para reembolso com planos de saúde e endereços das Casas de Parto? Acho que parideiras que já passaram por essa linda experiência e se unem fervorosamente a favor do PH poderiam tentar criar um blog, onde mulheres do Brasil inteiro dessem dicas e info a respeito. Porque gentem, o Brasil não é feito do eixo Rio/SP. Poderia chamar ondeparirhumanizado.blogspot ou coisa do tipo? Enfim, só um pitaco.
    Achei muito interessante que em comentários tão pequenos tenha sido possível captar a maneira como cada uma enxerga o assunto. As alternativas dadas, as historias de sucesso com parcelamentos, economias, a experiência da nossa querida Flavia, mãe do Astronauta, que teve um PD em Barcelona, as meninas de SP, enfim. Também foi uma surpresa boa saber mais sobre as Casas de Parto através da Elly, que na verdade pariu em uma Casa de Parto, e também as elucidações dadas pela Mari, do Projeto Macieira, em relações as regras de admissão das CP (vou colocá-las em um comentário posterior).
    Mas peço permissão para dizer que também ouvi muitas histórias que confirmam a inascessibilidade do PH no Brasil.
    E, gente, pensa comigo: se uma discussão dessas tem o poder de gerar outras discussões, que um dia podem mudar a opinião de um médico ou de uma empresa de Planos de Saúde ou um representante do governo, é bom que a gente jogue aberto.
    E isso exclui fazer de conta que isso aqui é a Suécia. Não tem nem sentido eu escrever uma carta a uma autoridade (e vocês sabem que eu adoro fazer isso) e no final dizer “olha, mas não precisa mudar nada não porque Beltrana, Ciclana e Fulana disseram que nosso sistema é maravilhoso e que a mulherada é que não quer “parir humanizado” o suficiente.
    Daí não, gente. Vamos contar nossas histórias de sucesso sem desmerecer as que realmente tentaram e não conseguiram (lembre-se o mundo não é feito de Rio-SP-Europa). Vamos lavar roupa suja. Não é hora de você querer provar que o PH é maravilhoso, a gente já sabe disso!
    Então, por favor, ainda que você tenha tido sucesso no seu parto, mas acha que o sistema poderia ser melhor e menos injusto, põe pra fora!
    E se você conhece profissionais de PH sérios e que não cobrem o tal do ágio (os 30% citados acima vem de uma historia real, gente!) e que sejam justos e bacanas, divulguem!
    Vamos pensar como homens uma vez na vida: mais foco, menos emoção 🙂
    Beijos a todas e simbora Brasil! Que aqui não é a Suécia mas a gente é legal!

  25. Nossa, amei o post, até porque estava sonhando com o PH e mediante tantas dificuldades, vejo que ser humano e natural está na moda e é cada vez mais caro!!!
    Ressalto também o movimento que quase criminaliza a realização de cesarianas e muitas das vezes as pessoas não consideram o custo que acaba sendo o PN…

  26. pro pessoal que ia mandar a Eunice pra Csa de Parto seria uma perda de tempo, pois já que ela fez uma cesarea antes não seria aceita.
    Pra quem não sabe, você não pode ter feito uma cesareana previamente se quiser um Parto “Humanizado” em uma das Casas de Parto.
    Bjs

  27. Cristiane, acho que Eunice não tem cesárea prévia, se eu entendi bem ela passou por um parto normal típico da nossa realidade, ou seja, cheio de intervenções. Realmente essa é mais uma das restrições pra casa de parto, mas ela ainda pode ter um parto humanizado, que aliás tanto para a mãe quanto para o bebê é melhor do que uma nova cirurgia.
    beijo

  28. FANTÁSTICO!! Temos que começar mesmo de a falar a discutir sobre o aSsunto que até pouco tempo nem se “pensava” em falar em PN e muito menos de PH. O mais comum eram as “Giseles” da Globo falar sobre a data e hora do nascimento!
    Pelo menos essa reportagem serviu para começar uma discussão…

    ps! MUDANDO DE ASSUNTO: Não tenho muita coisa no blog sobre a vida em Portugal, mas fala para sua amiga que posso passar para ela as informações que ela precisar!!

  29. ai adorei tanto!
    sem nem mais o que dizer (a galera aí em cima já disse tudo)

    beijinhos!
    :)***

  30. Gente, pirei na batatinha com todos os posts acima, que mesmo sem poder-querer ser mae agora, vou pensar no parto humanizado no meu futuro!!! Love. Ju

  31. Bom, começo dizendo que gosto muito do seu blog, Roberta. Sempre trazendo assuntos interessantes e pertinentes com sua pitada de sarcasmo e humor. Não tem nada melhor pra engolir um papo sério como esse. Agora, minha opinião, talvez seca demais, sei lá, mas vamos lá: tive uma gravidez tubária, tive que passar pelo sofrimento de uma “cesareana”, e voltei pra casa sem um bebê nos braços. Detesto sentir dor, e detestaria que meu próximo filho viesse ao mundo em meio ao meu estresse por causa da dor. Não sou médica, não tenho parentes médicos, mas tenho muito respeito pelo trabalho deles e principalmente pela ciência. Pretendo dar ao meu bebê, dentro da minha barriga e quando ele resolver chegar, todos os respaldos científicos que puder, além do meu sexto sentido de futura mãe em potencial. Prefiro um parto natural, sem dor, a outra cesárea. Isso é verdade. Mas, como já vivi na pele, não mando no que meu corpo quer, nem no que meu bebê achar que é melhor para ele. Portanto, vou aceitar o que vier, contanto que ele esteja saudável, inteiro, e eu esteja saudável para cuidar dele e ajudá-lo a iniciar sua jornada. Não me interessa a forma como ele/ela vier ao mundo. Neste momento, depois do que passei, o simples e essencial fato de ele/ela vir ao mundo já me basta, me completa e me realiza.

  32. Ju, mãe da Letícia

    Gente, e quem, como eu, não se enquadra na casa de parto? Bebê podálico, tive cesárea. E aí? Parto domiciliar nessas condições também não rola! E mesmo que rolasse, e se a opção da mulher for por PNH? em que mudar de opção porque é caro demais?

    Acho fácil falar que Eunice procurou o profissional errado. Que tem outro que parcela, que não cobra. Por que não há preços e planos mais acessíveis, então, para não ficar na base do favor, do profissional bonzinho?

    Eu, que tive equipe humanizada, estou até hoje pagando o banco, de onde tirei o empréstimo para cobrir o final do pré-natal, o parto e pediatra. Tivemos problemas com aleitamento e alergias, e foi muito duro de pagar todos os tratamentos ao mesmo tempo que parto. Mesmo as mamães mais prevenidas, que fazem a poupança para o parto, às vezes topam com um bebê com a saúde comprometida e gastos sem fim.

  33. Olha, eu acho que escolher um parto Natural por modismo é isso mesmo. Se Eunice descontruisse muita coisa dentro dela ia ver que bastava uma enfermeira obstetra para ela parir em casa. Ela não ia ter que vender a geladeira. Assim como foi comigo. Se você percebe que gravidez não é doença, dispensa o médico, o pediatra humanizado. Pari como as mulheres sempre pariram. E os profissionais humanizados facilitam o pagamento. Se Eunice frequentasse as listas de discussão, os grupos de apoio (tudo gratuito) ela conseguiria apoio, isso tenho certeza.

  34. Ju, mãe da Letícia

    Kalu, querida, eu bem que queria parir como todo mundo pare. De preferência em casa. Mas tive de pagar por uma cesárea minimamente humanizada.
    Digo por experiência própria que nem todos facilitam o pagamento e que, mesmo facilitando, aperta muito a gente.

  35. Pra quem quer indicação sobre profissionais humanizados, na rede de GAPPs (Grupo Apoiado pela Parto do Princípio) as gestantes podem participar de encontros gratuitos, se informar, compartilhar experiências e receber indicação de profissionais.

    http://www.partodoprincipio.com.br/conteudo.php?src=gappperto&ext=html

  36. oi ro!
    tô meio perdida nessa discussão toda, fiquei vááários dias sem adentrar a blogosfera… tenho várias coisas a colocar, mas deixa eu digerir a polêmica um pouquinho…
    mas sabe, sei lá, achei os posts de vocês meio agressivos às avessas… como se todo médico que se propõe a ser parceiro da mulher na empreitada do parto normal ou natural fosse necessáriamente um mercenário, ou como se todas as mulheres que defendem o parto natural fossem xiitas e tal… Só para lembrar, eu e a Flá (do AStronauta) tivemos PD, e nem por isso condenamos outras formas de parto… enfim, apesar dos posts serem ótimos, super bem escritos e inteligentes, ainda sinto um rancinho de fundo, sei lá… Tô viajando?
    beijo grande, vou ver se me inspiro a falar do assunto no blog!
    tha

    • Oi, Tha, welcome back! Senti sua falta, querida.

      Olha, não acho que meus posts (só posso falar pelos meus, né amiga?) tenham sido agressivos ou que tenham acusado todos os médicos de serem mercenários, Tha. Pelo contrário, se vc for ler o segundo post (Dilemas de Eunice) eu menciono as respostas positivas que obtive tanto em relação as Casas de Parto quanto em relação a profissionais bacanas. O objetivo do post era trazer discussão e mostrar que muita gente se esforça sim pr encontrar um profissional que caiba no orçamento, mas não encontra! Caso da Paloma, Tha, vc “conhece” ela, sabe que se trata de uma pessoa de bom senso. Meu objetivo era abrir a discussão e trocar informações, só isso. E não agredir ninguem. Eu me inspirei em um amiga querida, que fez tudo tudo o que pôde para ter um parto mais “humanizado”, leu, abreu seu coração, desfez paradigmas, rezou, chorou, fez cursos, tudo. Mas infelizmente só poderia ter um parto pelo plano de saúde. Vc sabe onde essa historia termina, não sabe? Ou vc já deu sorte de conhecer alguem que tenha tido um parto normal pelo plano?
      Tha, de verdade, o objetivo era falar sobre a desnecessidade de medicalizar o parto, bem como da industria do humanizado. Só isso. Era questionar quanto dinheiro a brasileira tem que gastar para ter um parto digno. Porque não é todo mundo que pode pagar, Tha, a gente sabe disso.
      Bom, querida, estou a disposição. Infelizmente já arrumei inimigas demais nessa historia e vou parar por aqui…
      beijo grande!

  37. Porque ninguem cita VALORES. as ultimas 3 semanas, tudo q eu fiz foi buscar por parto, preco, maternidade, casa de parto. Rola uma certa difuculdade em mencionar o custo da coisa. sempre tem um paguei caro, foi mais barato, deu p parecelar. Quero saber “quanto”… de repente o que é barato p uns, custa muito p outros, o oposto tb acontece.

    Adorei o texto!

  38. Hummm… Não sou especialista, mas talvez eu possa passar algumas noções de valores. Uma boa equipe particular para um parto domiciliar, com obstetra e pediatra, é o que custa mais caro. Creio que o obstetra cobre de R$ 4 mil a 6 mil pelo parto, além das consultas particulares. Lembrando que tudo pode ser reembolsado pelo plano de saúde, dependendo do caso (se não o valor total, pelo menos uma parte). Não sei quanto o pediatra cobra (uns R$ 2 mil, talvez?). Se quiser ter no hospital com essa equipe, aí é possível ver as opções do convênio ou, se não tiver, é possível conversar com o médico quanto a um hospital público para o atendimento (mas não sei ao certo até onde isso é possível). Pagar o hospital por fora deve ser caríssimo, fora de questão. Um parto domiciliar com uma boa parteira (que é enfermeira obstetra, não médica) custa uns R$ 4 mil. Não é barato, mas não acho um absurdo (será a minha escolha no próximo parto). Mas se mesmo assim eu não tivesse dinheiro algum, optaria de olhos fechados por uma Casa de Parto (que é totalmente de graça, pelo SUS). Caso não houvesse uma acessível (ou se eu tivesse cesárea prévia ou mais de 41 semanas de gestação, por exemplo – condições que eles não atendem), eu tentaria parto normal com plantonista de um hospital público, mas me informaria muuuito antes, para eliminar ao máximo as chances de cesárea (que muitas vezes é decorrente de uma tentativa frustrada de parto normal, decorrente de cansaço da gestante e da equipe, após várias intervenções desnecessárias e falta de tato no atendimento). Acho que contratar uma doula, pelo menos, seria muito bom (custa uns R$ 700,00 a R$ 1.000, mas inclui atendimento pré e pós-parto também). Ela pode ficar na casa da gestante dando suporte até chegar a hora certa de ir para a maternidade. Assim, o tempo de internação diminui, o que ajuda a manter a mãe, pelo máximo de tempo possível, mais à vontade, com liberdade, sem se submeter a protocolos desagradáveis do hospital. O ideal é já chegar quase parindo e deixar bem claro que quer ser avisada de qualquer intervenção que for feita. Assim a equipe não-humanizada do hospital não precisa fazer muita coisa além de deixar a criança vir ao mundo naturalmente. A doula pode ajudar bastante a mãe a dosar o que é ou não necessário, conversando com a equipe do hospital se for o caso, e dando à mãe inclusive apoio emocional. Enfim… acho que o principal mesmo é a mãe se informar muito e ter certeza do que quer. Porque aí, mesmo que ela não possa ter um parto domiciliar na banheira com uma equipe show (como a Gisele Bündchen), ela não precisa abrir mão de vivenciar o momento do parto de uma maneira muito especial.
    Beijos!

  39. Ju, mãe da Letícia

    Raquel,
    A imensa maioria dos convênios não reembolsa. O meu reembolsa se não existir nenhum especialista credenciado no mesmo estado.
    6 mil não parece muito para algumas pessoas, mas para outras é muito mais do que podem pagar. Acho complicado gastar os tubos no parto e nada reservar para o bebê. Aqui o rombo no orçamento foi enorme, não só por pré-natal e parto, mas pela quantidade e freqüência de especialistas em aleitamento que precisamos consultar.
    Quanto às outras opções, não me enquadrando nas casas de parto não sei se teria coragem de ir para o Sus, pois a maioria dos relatos que li são de parto vaginal, e não humanizado. E às vezes, aqueles partos bem frank mesmo… Não acho que Sus seja procaria, é só medo do desconhecido…
    Gostei mesmo foi da sugestão da doula. Será que existem algumasmais em conta, para as mamães com menos recursos?

  40. Oi, Ju!
    Acho que aí depende da preferência de cada mulher. Eu, particularmente, prefiro um parto normal hospitalar frank (pelo SUS mesmo) a uma cesárea em hospital particular. Porque cesárea humanizada é o que não existe meeesmo, e com médico de convênio a chance de conseguir parto normal é mínima (chuto uns 10%). Mesmo porque hospital particular pode ser bem menos humanizado que hospital público. Vale lembrar que humanização não é serviço de hotelaria. Eu tive meu primeiro filho no Hospital Universitário da USP (público) e, por menos humanizado que seja o parto, pelo menos meu filho não foi separado de mim nem por um segundo no pós-parto, pude amamentá-lo desde a primeira hora, em livre demanda, por exemplo. Já a maternidade do meu convênio que eu fui visitar deixaria meu bebê no berçário à noite (entre mil outras coisas). Mas, conforme eu comentei, o importante mesmo é a mãe se informar muito durante a gestação, conhecer as opções de hospital, elaborar um plano de parto e verificar com seu médico e com a maternidade a real possibilidade de que seus desejos sejam respeitados, enfim… Quanto mais informação, maior a chance de sucesso. E a informação é grátis, pena que esteja inacessível para a maioria das mães, que acabam simplesmente seguindo os protocolos de seus obstetras. Ir atrás de uma doula é uma boa sim. Confesso que nunca pesquisei os preços, mas imagino que, se a mãe quiser e garimpar bem, não deva ser difícil encontrar alguma mais em conta sim.
    Beijos!

  41. Ju, mãe da Letícia

    Oi, Raquel! O HU era uma das minhas opções para o próximo bebê, mas uma amiga pariu lá e nenhuma dessas coisas foi respeitada, acredita? Eu pensava que a humanização lá, por ser hospital-escola, fosse padrão, mas é meio que loteria…
    Eu tive cesa necessária em maternidade privada e assino embaixo que a galera não tem noção de humanização. Se a cirurgia foi em ambiente tranqüilo e respeitoso, e pude amamentar na primeira hora, isso se deve à equipe que me atendeu, e não aos procedimentos da maternidade.
    Juro que não sei se encarava um parto frank. Eu não encarei a cesárea! Sei que foi necessária, mas foi muito difícil de aceitar e digerir…
    Eu pesquisei algumas doulas, e para nós o preço foi proibitivo. Hoje eu já poderia pagar, mas na época não rolava mesmo…
    Aliás, estou feliz porque este mês pagamos a última prestação do empréstimo que fizemos para pagar a equipe. 29 meses depois, mas consguimos quitar!

    Beijos, Ju

  42. A verdade é que bons profissionais cobram caro porque planos de saúde não os remuneram decentemente. E os médicos de plano querem fazer cesárea logo porque os planos não os remuneram decentemente. Eu tenho um plano de saúde, mas os médicos em quem confio de verdade (não apenas o obstetra) não aceitam planos. Porque não querem ser obrigados a fazer 20 consultas por dia. Querem atender 4 ou 5 pacientes por dia, bem atendidos. Sim, isso elitiza, mas não os chamemos de mercenários. Ele são profissionais mais honestos do que seus colegas que fingem fazer um atendidmento decente.
    Vou pagar R$ 4 mil reais pelo meu parto – obstetra mais equipe, sem contar o anestesista se for necessário. Parceladinho em 6 vezes. O plano cobre o hospital e a internação, minha e do bebê. Queria fazer num hospital de referência aqui no Rio, mas meu plano não cobre. Tem muito médico de PH que, além de não aceitar nenhum plano, só aceita fazer o parto nesses hospitais caríssimos, que os planos mais básicos nunca cobrem.
    É, quem não tem como pagar sofre, porque a verdade é que a situação no Brasil hoje em dia é assim: ou você paga por um profissional de reconhecido comprometimento à “causa” do PH, ou poder ter 95% de certeza de que seu médico vai forçar a barra de uma cesárea na hora do parto. É mais fácil consegiur fazer um parto normal na rede pública do que através de plano de sáude.
    Agora, quem já viu sabe, parto normal na rede pública não é nem um pouco humanizado, pelo menos não nas grandes maternidades e hospitais.

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