Arquivo do mês: fevereiro 2010

Ai, os palpites

Estava na feira comprando meus carboidratos quando vi uma moça vestindo seu bebezinho de uns 3/4 meses num canguru bacanão. Ao lado dela uma senhora escolhendo suas batatas mas cuidando dos pepinos alheios suspira “coitadinho, esse negócio deve machucar tanto…”

Em homenagem a essa corajosa mãe e seu lindo bebê eu reblogo o post abaixo, um desabafo de quando Noah estava com 5 meses de vida, rodeado de palpiteiras profissionais. Impressão minha ou os palpiteiros somem assim que seu filho começa a andar?  Por que, hein? Medo de que o bebê seja adestrado, tipo “canela, ataca canela!” 

Mãe Pode (março 2009)

Eu nunca fui das 20 pessoas mais politicamente corretas que eu conheço, nem de longe. Expressões Politicamente Incorretas como índio, gringo, país subdesenvolvido e palhaço sempre fizeram parte do meu vocabulário. 

Depois que virei mãe, então – me tornei exemplo do que não se dizer. Por exemplo, quando Noah tinha um mês, e eu ainda me preocupava com germes e bactérias, não era raro que alguém me visse segurando mãozinha catarrenta de criança de 7 anos que se aproximasse do meu filho e dizer “não põe a mão no meu filho, porra!”   ”cuidado, ele é muito pequenininho, não se mexe em mãozinha de bebê”.  Recebi vários olhares de reprovação dos pais dos pestinhas, todos devidamente ignorados. 

Não sei quem foi que disse – e eu concord0 – que mãe pode se dar ao luxo de ser politicamente incorreta.  Por exemplo, já ouvi mãe dizer que não contratou a babá porque ela tinha espinha. Já vi mãe furar  fila, gritar com policial e bater em velhinha. Mãe pode.  

Ontem, na fila do supermercado, eu me superei. Estava com o Noah nesse sling que eu adoro adoro adoro, com o qual vou a todos os lados e que – lógico! – é super seguro. Seguro mesmo, sling sueco. Já imaginou sueco fazendo um sling que arrebenta? Não consigo imaginar aquele povo alto e louro dizendo, naquela linguagem cheia de trema e bolinha:

“Både! För dig och för oss! Vi på!”  (Fodeu! Arrebentou o sling! O bebê caiu na chom!)

Mas apesar da nítida segurança, ainda tem gente na rua que tem certeza de que dito objeto trata-se, na verdade, de algum tipo de instrumento de tortura viking. Todo santo dia escuto murmúrios de senhoras transeuntes:

– tadinho

– ó, coitadinho

– meu deus, pobrezinho

– Både för dig och för oss! Vi på! 

E ouço ainda:

– “Mas ele não está sofrendo, coitado?”

– “Não machuca ele, não, coitado?”

– “E ele não vai cair, coitado?”

– Både för dig och för oss! Vi på, coitådö!

Então. Voltando a fila do supermercado. Vira a moça da frente e diz:

– Escuta aqui, esse troço não machuca ele não, coitado?

– Olha, machucar machuca, mas sabe que eu nem ligo? Ele chora um pouco e se acostuma com a dor. Depois é só chegar em casa, limpar o sangue e voilá! 

Nem preciso dizer que a fila inteira me olhou como se eu fosse a reencarnação lactante de Saddam Hussein. Um escândalo que calou a boca da moça e me fez pensar que é legal isso de se fazer de louca. E pro inferno com o politicamente correto. Mãe pode.

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era uma vez um blog…

…que virou um site!!

http://minhamaequedisse.com.br/

Juro pelo snoopy que tá tudo praticamente a preço de custo.

Um horror, vai lá.

ps: pouquíssimas numerações, desculpem…mas mês que vem tem mais, prometo.

Pras tuas namoradas

Então, filho, como eu espero que um dia você leia esse blog e tire suas próprias conclusões sobre a louca da sua mãe  sua infância, separei algumas corujices pra que você saiba quem você era e o que fazia aos 15 meses. 

Manhêêêêê!!!!!!!

Essa é uma fase grude, tudo é mamãe, mamãe, mamãe. Quer dizer, era. Desde que sua vó esteve aqui, no mês passado, e você me ouviu chamá-la “manhê” você achou a palavra manhê beeeem mais legal. Eis o que eu escuto em 85% do meu dia:

Love is in the air…

O papai também deixou de ser papai. Desde a semana passada você só chama o papai de “amor” que é coincidentemente a maneira como a mamãe se refere a ele. Os vizinhos devem adorar tanto amor desde as 7 da manhã.

Chatterbox

Você a-do-ra falar. Ama, simplesmente, ama. Fala acordado, fala dormindo. Ontem a noite eu te ouvi sonâmbulo falando “não não não” e depois “é meu, é meu, é meu”. Provavelmente um pesadelo, onde o menino Felipe te roubava um brinquedo ou a namorada. O bonitinho de te ver falando é perceber que você quer imitar nossa cantadinha na hora de falar. Assim ó:

Bate-papo de boteco

Muitas vezes não faz o menor sentido o que você fala. Mas aqueles anos de boteco afinal servem pra alguma coisa: quem entende bêbado há de entender as tuas confidências, filho.

I’m a bad bad boy

Desde que você nasceu você faz uma cara de bravo apaixonante e há alguns meses você aprendeu que as pessoas acham isso engraçado. Então faz questão de fazer a tal cara de bravo. Que dura, como  você pode ver, cerca de meio segundo.

Enfim, coisas de mãe filmar essas pequenices.  Mas eu tenho a impressão que esses videozinhos ainda me serão muito úteis, em alguns anos, quando meu discurso for:

“Oi, muito prazer Fernanda. Noah fala muito bem de você. Então, quer ver como ele era com 15 meses?”

E se a tua namorada for das minhas ela vai ganhar a sogra assim:

“Eu vou ficar aqui na sala com sua mãe, Noah! Tô louca pra te ver bebezinho.”

Garota esperta.

é tudo bili-bili

– Roberta, mas você fechou o olho o tempo todo! Perdeu as partes mais legais do filme, maó bobona você.

– Ai, Kátia, me deixa! Credo, eu não gosto das cenas de sangue. Sei que é tudo bili-bili mas mesmo assim dá um medo…

– Que é isso, bili-bili?

– Ah, deixa pra lá, vai. 

(diálogo entre as meninas Kátia e Roberta, na saída do cinema, após exibição de “A volta dos mortos vivos”.  Brasil, anos 80, mascando chicletes mini)

chicletes mini

Bili-bili foi um termo – até onde eu sei – inventado pelo meu pai. Não sei da onde ele tirou ou com quem aprendeu e nem tenho a pretensão de acreditar que se trata de estrangerismo adotado por papai. Apesar de admitir que cheguei a mentir a respeito do tema, por insistência da menina Ana Felipa.

Roberta :  Não, meu pai não inventou bili-bili, tá, Ana?  Essa palavra já existia.

Ana Felipa: Ai, nem existia, Roberta, foi teu pai que inventou, admite tá bom?

R: Existe sim, é palavra americana, burra! Tipo “billy-billy”, que significa “de mentirinha”. Nos Estados Unidos o pessoal fala di-re-to, tá Ana?

Bili-bili era prenúncio de cena forte ou imprópria, porém “de mentira”.  Meu pai tinha um timing excelente para a coisa.

– Filha, agora não tenha medo e não te assusta, que a seguir vem uma cena onde tudo é bili-bili.

Pra mim essa era a hora de fechar os olhos e me concentrar no mantra “é tudo catchup, é tudo catchup, o sangue é catchup, o sangue é bili-bili”.

Os anos passaram e o bili-bili, de certa forma, sempre me acompanhou.

Por exemplo, sujeito de 15 anos de idade me pedia em namoro e me jurava amor eterno –   bili-bili. Chefe me prometia aumento – bili-bili. Em filmes de terror, até hoje me pego pensando- Deixa de ser ridícula, essa mulher não vai morrer de verdade, ela é uma atriz, é bili-bili. Trouxa é tu que é ainda por cima mal paga.

Quanto mais velha – mais cética, e,  portanto, maior o bili-bili. Governador corrupto foi preso? Não comemora muito ,não, que essa porra é bili-bili. Como também é bili-bili que o prefeito vá ler minha carta. Respondê-la, então – bilibilibilibilibilibili.

E também tem a pessoa-bili-bili, um tipo de gente que simplesmente não parece ser de verdade, posto que perfeita demais, compreende? Angelina e Brad, por exemplo – Bili-bili. 

Perfeito demais, barato demais, fácil demais? Bili-bili.

E há também os ricos demais. O último que presenciei foi na (loja de departamento) Harrods, em Londres:  o bem vestido cliente comprava um broche abarrotado de diamantes para a filha de 8 anos. O broche tinha o formato de um cavalo e o tamanho de uma ameixa preta.  Alonguei os ouvidos e escutei a justificativa que ele dava a vendedora:

– é que no sábado minha filha montará a cavalo pela primeira vez…esse broche é uma lembrancinha, para que ela nunca esqueça da data.

 Tipo, eu ganhei um copo d’agua depois de montar a primeira vez. Isso e uma dor  alucinante nas nádegas.

Nesta categoria too rich to be true se incluem todos aqueles que vivem distantes da realidade da pessoa física que vos escreve. Os que possuem avião próprio, por exemplo – irritantes e bili bili de pai e mãe.

Enfim. E eu cheguei até aqui sem saber porque raios resolvi lembrar do bili-bili de meu pai. Foco, Roberta, foco. Ah. Já sei. Talvez tenha sido pelo ocorrido no carnaval. 

Eis que a pessoa se organiza com a família, de modo a passar aqueles dias encalorados de festa profana em país com temperatura mais apropriada e entretenimento menos carnal.

Foi mais ou menos assim, minha gente pé no chão: passagem comprada, vôo confirmado e Noah adoece, febre e muito catarro (glamour?). Catarro esse instalado principalmente no ouvido, o que provocaria uma dor sem parâmetros, coitadinho, durante o vôo. Então decidimos poupá-lo dessa dor. Havia também algum catarro nos pulmões e a tal da febre, quadro esse que certamente não melhoraria com a chegada aos -7 de temperatura.

Adiamos a viagem (e essa não foi a primeira vez) e constatamos o que já sabíamos: com criança a vida fica mais gostosa, tem mais aventuras e é infinitamente mais cheia de amor. Mas vida com criança também é ridiculamente imprevisível: um segundo lá estão vocês de malas prontas, presentes comprados, família ansiosamente esperando e, piscou o olho, lá estão vocês, na emergência do Copa D’or.

E minha cunhada nos esperando com tudo organizado e pronto e lindo e fofo.. Très, très désolé, Isa! Pena, mas prioridades são prioridades, e Noah é definitivamente o number one, sempre. E não existe paris, ótimos vinhos, excelente comida, clima romântico, jantar com a família reunida, sogros cuidando do pequeno enquanto os pais constatam que la vie é mesmo bela pra cacete etc etc etc que seja mais importante que a saúde e o bem estar do nosso filhote.

(mas que sair dos 40 graus cariocas rumo aos -7 parisienses definitivamente acrescentaria  aquele tão precisado glamour ao curriculo vital da pessoa, ah, isso acrescentaria, combinamos?  “O casal foge do calor dos trópicos e apresenta  Noah ao seu primeiro capuccino na capital francesa.”)

Ai, o mundo dos bili-bili.

***

Em tempo: foto tirada no domingo, no Jardim Botânico. O pequeno virou fã de peixes em geral – não pode ver um que já faz a boca de peixinho. Isso é quase sempre engraçado e deveras inesperado dado ao mumero de pessoas que circulam com peixes ou tubarões estampados na camiseta. Para cada um Noah oferece uma boca peixinho. E a mãe faz junto  – que é pra manter o espírito de parceria (e a fama de pessoa equilibrada.)

ô mãe, eu acho que eu vi um peixinho

Pirata é fotografado nas ruas do RJ (acompanhado de mulher bastante comum e nada misteriosa, para decepção dos paparazzi)

Esta é pra você reforçar aquela idéia de que piratas são sujeitos barbudos, bêbados e imundos… 

… aquele sujeito que nunca sorri e que mantem aquele semblante de bad boy que a mulherada tanto aprecia…

espera, tira a foto na frente da esco...

 

A fantasia é do Mamãe eu Quero e eu adorei: fresquinha, super confortável e lindinha de tudo, né gente? Ju, você já era minha cliente, agora eu virei a sua! Só falta a gente arrumar tempo pro tal cafezinho. Bom carnaval!

O Encantador de Bebês

E eis que de repente, não mais que de repente, seu filho passa a dormir a noite inteira.

E você agradece aos céus, acende vela e atribui o milagre aos bons fluidos do novo apartamento, para o qual vocês mudaram recentemente.

– Deve ser o tal feng shui, conclui você.

Você sabe que, no fundo, não tem mérito nenhum na nova conquista do seu filho, visto que nunca conseguiu colocar em prática a vasta literatura empoeirada na estante. A literatura, aquela literatura, lembra? Que basicamente manda você deixar o rapaz se estrebuchar de chorar até que ele volte a dormir?

Você até tentou, por 3 minutos. Mas morreu de pena do filhote, tadinho.

E depois tem o seu problema de carência, aquela voz irritante na sua cabeça que diz “todos precisam me amar, todos precisam me amar, os vizinhos precisam me amar, eu preciso ser amada”. E vizinho que não dorme, não ama. Então você aposenta a literatura e fica em paz com os vizinhos.

Mas a paciência e o otimismo venceram:  você foi pacientemente acordada no meio da noite durante 15 meses, então é merecedora dessa nova fase, esse amadurecimento, essa recompensa divina.

Deus ouviu minhas preces e a vida recomeça agora! 

***

Pausa para uma verdade menos romântica. Diálogo entre marido e eu, na cama, antes de dormir:

– Amor, o único problema desse apartamento é esse ar condicionado do nosso quarto, né não? Ele é muito barulhento,  p*** que o p****! A gente precisa trocar ele ur-gen-te. 

– Putz, nem me fala. Não dá nem pra ouvir quando o telefone toca. Essa m**** de ar condicionado mais parece um helicóptero, cara***.

– Mas tudo bem, vai. A gente não pode reclamar: o novo apê é bem legal, a gente mora perto da escolinha, o Noah tá dormindo a noite inteira…

– Ai, nem fala, que bom, que bom!! Estranho que foi de uma hora pra outra, né, que ele resolveu dormir direitinho, sem acordar? 

– Verdade. De uma hora pra outra…foi o que? Na quinta-feira?

– Não lembro, acho que…não, não, foi na sexta, sexta-feira. Isso mesmo, sexta -exatamente aquela noite que o ar condicionado do nosso quarto deu pau e começou a fazer aquela barulheira, lembra?

– Foi mesmo. Coincidência.

***

Por isso, cara colega, se você sofre com as repetidas  acordadelas da cria ,madrugada a dentro, não perca o Best Seller:

“O Encantador de Bebês: Saiba como o ar condicionado barulhento do meu quarto fez meu filho dormir a noite inteira.”

(Editora Milagres)

***

Ai, gentes, um pouquinho de culpa. Mas já passa.

Dilemas de Eunice

Só pra terminar a questão da Dona Eunice. Bom, pelos comentários e emails recebidos gostaria de dizer o seguinte:

1 – Eunice poderia parir em uma das Casas de Parto espalhadas pelo Brasil. Li coisas muito bacanas a respeito delas. Coisas não divulgadas, provavelmente porque não agrada o bolso de tubarão, não faz rico mais rico e não saiu na novela das 8. Foi uma surpresa boa.

 Mas como Eunice teve uma cesareana prévia (ela pariu com o médico do plano de saúde, lembra?) ela não poderia ususfruir da gratuidade e profissionalismo da Casa de Parto. Também não podem ter o parto realizado em CP mulheres:

 – Com idade gestacional inferior a 37 semanas ou superior a 42 semanas;

– Com cardiopatias, hipertensão, colagenoses, hemoglobinopatias, diabetes, HIVA;

– Mulheres com eclâmpsia, hemorragias graves, deslocamento prematuro da placenta, placenta prévia, cesariana, acretismo placentário;

– Mulheres com gravidez gemelar;

– Mulheres cujos bebês estejam pélvicos ou transversos (a posição deve ser cefálica).

– Mulheres com parâmetros biofísicos não normais (devem ser “normais”: a quantidade de líquido amniótico, a movimentação e reatividade fetais e a amnioscopia.

Fonte: Hospital Virtual Brasileiro http://www.hospvirt.org.br/
…e nossa querida Mariana, ela!

2. Eunice poderia pagar seu parto humanizado com um profissional particular bacana, que parcelaria o parto em suaves prestações.

Aqui, controvérsias (juuura?)

Ouvi de mulheres que encontraram profissionais com P maiúsculo, gente muito bacana, que realiza  PH em casa ou em hospital e fazem um preço camarada, devidamente parcelado e com toda a compreensão e respeito do mundo. Ouvi até de profissionais que “penduraram” e deixaram pra receber depois que a parturiente estivesse melhor de grana. O que, segundo ela, não ocorreu até hoje 🙂

Também ouvi pessoas que conseguiram reembolso do seu PH junto aos Planos de Saúde, o que é mais bacana ainda. Vale a pena se informar a respeito. Pensou que legal? 

Por outro lado, ouvi histórias biazarras de profissionais “humanistas” que cobram ágio caso o parto ocorra aos finais de semana, feriados ou madrugadas (no cálculo de meu astuto e querido marido há uma probabilidade de 72% que isso ocorra, hello doutor, a gente sacou qual a sua, tá?) ou ainda aquele que cobra uma pequena fortuna, só para demosntrar toda a humanidade existente em seu coração.

 Eu acredito que essa diferença de preço possa sim estar relacionada com a cidade onde a pretendente a PH vive. Sim, porque não pode ser coincidência que mulheres do eixo Rio-SP se sintam bem mais satisfeitas dos que a de Manaus, interior de Minas e Brasilia, concordam? 

 O que é inaceitável minha gente que mora no eixo (incluindo eu mesma) é agir com desdem e preconceito com mulheres que dizem não ter encontrado ajuda sem nem antes verificar as condições  da região onde ela vive.  Por isso que tanta gente foge dos grupos radicais. Me parece algo assim “Olha, eu moro em SP, consegui um super preço, tive um super parto e, se você não conseguiu o mesmo é porque não quis o suficiente, falô?” Feio, egoísta e péssimo exemplo pra filharada, credo!

 Também existe gente que simplesmente não quer parir em casa e pronto. Meu caso, minhas razões e eu não devo satisfação a ninguem em relação a isso. Deus me livre ter que me justificar. Aliás essa nem é uma causa a qual me agarro pois sou daquelas que acredita que ninguem é mais ou menos mãe pelo tipo de parto que teve. 

Mas acho que toda mulher brasileira deveria ter o direito de optar por um parto digno, o parto que ela queira e não aquela imposta pelo médico, governo ou plano de saúde. Engravatado nenhum tem o direito de dizer de que maneira uma mulher deve parir.

E o post da Eunice só serviu para saber se o PH é viável financeiramente e gerar discussões que geram outras discussões que um dia podem se tornar  lei. Uma lei boa pra nós, mulheres. Para os que já nasceram sem esperanças, desculpem. Eu sou das últimas sonhadoras.

 Mas como eu já disse, essa não é a minha causa (apesar de ser de todos nós ao mesmo tempo, eu sei). Você entendeu o que eu quis dizer. Você pode ter outras causas na vida como  salvar as baleias. A minha tem a ver com político safado. Odeio Jader Barbalho tanto quanto você odeio um médico intervencioniasta. Cada um no seu quadrado e ainda bem que é assim. O que seria das baleias se todo mundo só quisesse salvar os pandas?

 Mas se você sente que a sua maior causa é levar o Parto Humanizado ao maior número de pessoas, então parabéns, you make us proud! E sei que tem um monte de gente batalhando, escrevendo, balançando, sacudindo pela causa. E sem ofender ninguém. Isso é prático. Isso gera resultados.

 Mas como recebi meia dúzia de anônimos comentários e emails desaforados, deixa eu dizer que eu acho que nem tudo que reluz é ouro, meninas?

 Existem mulheres realmente engajadas e que sinceramente querem te ajudar a ter um parto incrível. 

Mas existe uma meia dúzia que, de verdade, só quer se auto-afirmar. Essa não agarrou uma causa, agarrou sim uma causa pra discursar. Um discurso vazio, que se rompe assim que você pergunta “você pode me passar o site, ou pode dar o nome desse profissional de Alagoas?”  

Gente, pessoa assim ama o discurso, e não a causa.

Pessoa assim não quer a vitória alheia. Ela quer, acima de tudo, impor as suas escolhas e desmerecer as outras. Ela não luta pra formar um grupo atuante, que forneça endereços, preços, apoio. Ela sim faz parte de um grupo que só atua no sentido de desmerecer, humilhar e desdenhar o seu parto. Ela vive do passado e desdenha aquelas que não escolheram a sua escolha. 

Triste.

 Acho que eu vi uma dessas mães outro dia num aniversário de criança. De cara feia, séria, de canto o tempo todo, segurando a tapauer com a comida vegetariana que trouxe pro filho. O filho, um menino de seus 3 anos, calado, ficava o tempo todo ao lado dela. Lá pelas tantas, ela agarrou o coitadinho pelo braço e disse:

– Vam’bora, filho. Que aqui ninguem gosta da gente.

Pobre mãe. Pobre criança.

ps: Aos vegetarianos: me odeia, não, colega!  Eu sou totalmente quinoa girl e levo meus potinhos pra cima e pra baixo também, viu?