Arquivo do mês: janeiro 2010

sacudindo a poeira

Porque camarão que dorme a onda leva, né não moçada?

Então é melhor sacudir essa poeira, tirar o mofo e renascer das cinzas feito Fênix.

Mas não sem antes agradecer:

Gente, mulherada, OBRIGADA pelas palavras carinhosíssimas nos comentários no post anterior. Ajudou e ajudou pacas. E me mostrou, mais uma vez,  como tem gente bacana por aí. Caramba. Infinitos agradecimentos.

Bom, voltando a coisa de sacudir a poeira.

Daí a pessoa se olha no espelho e resolve:

– Ui, preciso cuidar de mim.

Entra na farmácia decidida a comprar suplementos alimentares, pra tirar essa pinta de anemia. 

– Então, moço, me vê uma caixinha de suplemento de ferro? Vê também umas vitaminas B, D, K  e…óleo de fígado, ômega 6, 12, e 27, tem?

– Olha, tô sem. Mas tenho isso aqui ó.

E me aponta uma caixa em cujo rótulo se lê “Faça como Sheila Carvalho. Emagreça 8 kilos em duas semanas.”

Juro por Deus, colegas,  que meu recomeço começou assim.

E daí? Volto pra cama ou ligo pra Sheila?

das perdas, das culpas, do luto

– O saco embrionário não está mais aqui, tá vendo? Era pra estar aqui, ó. Mas não ficou nada. Sinto muito, Roberta.

Foi assim que colocamos um ponto final na gestação, que durou 12 semanas.  Luto discreto,  dor no peito e o inevitável sentimento de culpa. Que quem inventou o sentimento de culpa há de ter sido uma mãe.

Claro que as palavras do médico, de que a natureza é sábia, que ela sabe o que faz que tem um controle de qualidade criterioso, consolam a todos. Afinal, foi melhor assim. Era pra ser assim.

Mas consolo não consola mãe. Mãe é pessoa desconsolada.

O médico garante que eu não fiz nada de errado. E que abortos involuntários ocorrem, em sua grande maioria, como forma de evitar mal formações.

Mas argumento científico nem sempre convence mãe. Que mãe é bicho teimoso. 

Seja o que for confesso que me senti estranha desde o começo dessa gravidez.  Nem opiniões médicas, nem teses científicas: prefiro acreditar é nessa voz que me perseguia e me dizia ao pé do ouvido que algo estava esquisito, desde o início.

Confio é nessa voz. Que mãe é bicho instintivo, cheia de voz no ouvido, feito psicopata de filme de serial killer.

Mas a vida segue, claro. Tenho um filhote maravilhoso, um marido idem, um business que segue de vento e popa. Então o negócio é recuperar o fôlego e tocar o barco.

Goodbye, my angel.

(but mothers know that angels never die.)