Arquivo do mês: novembro 2009

éramos 3

As vezes, o que se vê, diz muito mais do que 1.000 palavras escritas. Então vá lá:

(pausa para assimilar a notícia...café?)

– Pois é.

Aconteceu assim: eu estava sozinha em casa. Fui até a cozinha, abri a geladeira e apanhei a tapauer com o queijo minas.

Nisso, a geléia caiu bem no meu pé. Ouch! Vidro pra todos os lados.

Numa tentativa de recolher os pedaços maiores eu me abaixo. Pego os cacões ainda cheios de geléia de amora e subo. Quer dizer, subiria, não tivessem meus cabelos enroscado naquele trequinho plástico que impede que bebês abram os armários, sabe qual? Um dispositivo de segurança que, aparentemente, também segura a juba de pessoa mais desavisada.

Mexe pra lá, mexe pra cá e o treco não solta meu cabelo. Desespero

Lá estou eu: pateticamente agaixada no chão da cozinha, os cabelos presos pra sempre em um dispositivo de segurança barato, cacos de vidro invadindo até minha existência e nenhuma alma viva pra me ajudar a sair dali.  Aos prantos, pensei:  aposta quanto que eu tô grávida?

Eeeeeeeeeeeee!!!! Claro que estamos explodindo de felicidade e tal e coisa! Na verdade eu até chorei de tão feliz.

Mas a pergunta que não sai da minha cabeça é: e agora, mané? Será que eu dou conta? Não sei se tenho essa coordenação motora toda pra responder aos emails do Minha Mãe, fazer entrega, ir ao banco, ser simpática com a moça dos Correios, viajar pra terras estadosunidenses, ser blogueira meia boca, esposa idem e, ainda por cima, ser mãe de dois? Sem esquecer nenhum no shopping??

Essas horas penso na Dona Marísia, que criou 4. Mas acho que as mulheres eram mais descoladas naquele tempo. Ou, quem sabe, aquecimento global, violência urbana e depilação estejam tomando muito do nosso tempo? Como também tomam tempo reciclar ,ler, educar, filtrar, comprar, vender, viajar, parir, namorar, dirigir, estudar, malhar, discutir, menstruar.  E agora ser mãe de dois?? Sem esquecer nenhum na feira??

Deixo vocês com a imbecilidade que tive que ouvir ontem. Daí que minha vizinha de office virou minha cliente (Ma, querida, você falou que eu podia contar, né, ói eu contando, menina?!) Daí que o ex-sócio dela é meio babaca. E ele sabe que eu vendo coisas de bebê.

Ao escutar que eu estava grávida, o cara não deu parabéns, nem boa sorte, nem tudo de bom. Com aquela classe tão inerente aos malas, ele deu uma ajeitada no saco, sorriu de jeito malandro e soltou:

Que jogada de marketing, hein?

Que?

Sua. Jogada. Engravidar.

Ah. Pra vender mais roupinha pra recem-nascido?

Isso mesmo –  disse o mala, dando mais uma ajeitada no saco.

Claro. Nossa. Claro.

Eu sinceramente acho que Dona Marisia só conseguiu criar 4 porque mala assim quase não vingava naqueles tempos. Só pode ser.

PS: volto aqui pra dizer que depois que terminei de escrever comecei a imaginar Noah e o irmão/irmã brincando juntos e sorrindo… e me deu uma vontade de sair cantando e abraçando todo mundo na rua…sério, me deu uma esperança, uma alegria, uma vontade de choraaaaaaaaar aaaaaaahhhhhh aaaaaaahhhhh (know the feeling, huh?)

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Madonna e a MotoBoy

Oi. Eu tenho um minuto e meio pra escrever, pois em total correria pré-viagem. Eu sei, eu sei que são só três dias. Mas eu  acabo colocando tudo que é desnecessário na minha mala, posto que não nasci nem francesa nem extremamente versátil. O que me coloca milhas de distância daquela moça chiquérrima que você vê no aeroporto com uma mini-maleta:

– Vai passar só o fim de semana, né? (essa sou eu, pessoa cabine dupla, cheia de desnecessarices na mala.)

– Não, não, eu vou ficar 3 meses. Só trago o necessário, ma cherie (elas geralmentes são francesas, essas pessoas chiques e compactas).

Mas só com aquela necessaire???? Eu pergunto a vocês: como é que elas conseguem? E se neva aqui no Rio de Janeiro e  a moça é pega, assim, de surpresa, totalmente despreparada?  Pior: a pessoa sabendo que está vindo a um país de apagão e não coloca na mala nem uma lanterninha, nem uma vela de sete dias sequer? Tem dó.

Eu prefiro ser mais prevenida.

Até porque nunca se sabe que tipo de circunstância ou quem nos espera. Por exemplo. Hoje de manhã. Quem você viu hoje de manhã? O porteiro? O marido, a filha? O vizinho? Certo. Eu vi Madonna. Tá?

Sério, Madonna estava aqui em Botafogo, ói que mundo pequeno?! Pior é que eu nem tinha umas muambinhas comigo pra dizer “Madonnaaaaaaaaa, Madonaaaaaaa, 2 é 40, 2 é 40!”

* momento preocupação: ai meu Deus, vou checar se Noah está bem e se não foi levado da escola por Madonna, fingindo ser Roberta? Exagero? Vê lá se não é essa tal de Madonna que, por onde passa, vai adotando todos os bebês de nome estranho que encontra?

** momento maldade: já basta que aqui do Brasil ela já levou embora aquele moço Jesus…

***e os agradecimentos: quero muito agradecer a divulgação do Minha Mãe que Disse pelas queridas Flavia , Mari, e  Isadora a consultoria da Roberta , da Dani,  e todas essas blogueiras queridas dessa blogosfera materna, praticamente tias do Noah, a minha fotógrafa-irmã-futura mãe Dea, que tirou essa foto linda que ilustra o blog. Obrigada a Karlinha, a minha mãe e aos meus queridos sogros, que sempre me apoiam. As novas blogueiras e blogs que conheci, os quais quero linkar e ler assim que me sobrar um minutinho. Sobretudo, agradecer aos tantos e tantos emails que eu recebi. Não somente porque são pedidos – e pedidos são maravihosos e fundamentais pra que a coisa continue dando assim tão certo. Mas principalmente porque  os emails me permitem conhecer gente que já me conhece daqui, que me lê sem dizer nada, mas que agora eu sei que existe: seja por email, por telefone ou pessoalmente.

(Pessoalmente, sim. E daí que eu acumulo função de motoboy da empresa? Pelo menos a gente sai na rua e dá de cara com a Madonna. Tá, ma cherie?).

***

Um pequeno update: eu levianamente esqueci de agradecer a pessoa que tanto me ajudou nessa história. Ele próprio, meu grandíssimo amor. Obrigada por toda a força do mundo, que vc SEMPRE faz questão de me dar. Você não se cansa de apostar em mim, não? Bendito dia em que eu te encontrei naquele avião. Sentar do teu lado foi infinitamente melhor do que cruzar a chata da Madonna. Te amo, viu?

Ah…e obrigada ao Noah, que permite ser usado como modelo-sem-receber-nada em plena era anti-escravagista.

Ser mãe aos 40 (graus)

Não vou mentir pra vocês:  eu acho que a maternidade aos 40 graus de temperatura é, digamos, difícil de ser exercida plenamente. Sim, porque me diga QUEM NESTE MUNDO QUENTE  pode ser considerada  pessoa plena depois de suar metade de si própria todos os dias?

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Noah também tem sofrido com as altas temperaturas. Ele, que já não ama bater um pratão, simplesmente se recusa a comer nesses dias encalorados. Não come. Não dorme. Sua em bicas.

Daí você pensaria que o ideal é deixar a criança dormir só de fraldas, certo? Depende. Se ela efetivamente deixa a fralda onde a fralda foi feita pra ficar então essa pode ser uma excelente idéia. Agora. Se essa criança, assim como meu filho, adora o barulho da fita da fralda sendo aberta, meu conselho é COLOQUE UM SHORTINHO, UMA CALÇA, QUALQUER COISA QUE IMPESSA ESSA CRIANÇA DE ABRIR A FRALDA DURANTE A NOITE. Caso contrário olha o que você pode encontrar pela manhã:

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"eu juro, mamãe, juro que foi a fralda que abriu so-zi-nha"

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Embora ele esteja caminhando “firme” (well, tão firme quanto um bebê de 1 ano ou um bêbado possam andar) nós continuamos saindo com ele de Walking Wings, que ele usa desde que começou a ensaiar os primeiros passinhos. O único dia que fomos ao calçadão sem o tal do acessório Noah simplesmente saiu correndo e apertou as bochechas de um simpático pedinte que estava sentado na calçada. Me aproximei a tempo de evitar que o bebum oferecesse um gole de 51 pro meu filho.

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Aqui vai Noah, saltitante e livre (pero no mucho)

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Aproveito para jabalizar e dizer que tenho alguns desses “segura beijoqueiro” para vender. Como o site ainda está em construção improvisei esse blog aqui.

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Jabalizando um pouco mais: coisas fantásticas chegarão a partir de sábado que vem  e poderão ser conferidas aqui a partir de semana que vem. Quem quiser aproveitar e encomendar alguma coisa pro filho, filha, sobrinho e afilhado, lááááááá dos lados estadunidenses, é só mandar um email pro minhamaequedisse@gmail.com.  Pode encomendar. Até sexta agora. E o jabá termina aqui. Plim-plim.

Em tempo: xá-vê se eu entendi , 40 graus E blecaute??

Amigo é a mãe

Desde que virei mãe eu:

– Chamo a polícia se vejo um cachorro raivoso, bravo e mal humorado sem fucinheira;

– Sabe aquela pentelha que dedurava as crianças do prédio quando elas resolviam que jogar ovo pela janela seria uma boa idéia? Pois essa dedo-duro sou eu.

– Cismo com o elevador do meu prédio, acho ele esquisito, feio e torto. Daí minto pro síndico e digo que venho repetidamente sonhando que aquele elevador cai:

“Será que não era melhor chamar a manutenção, Seu Geraldo, meus sonhos geralmente antecedm desgraças…foi sonhar que Lula virou presidente e olha no que deu…”

– Mando cartas ao prefeito;

– Mando cartas a empresas cujos caminhões de entrega não respeitam o sinal de trânsito;

– Escolho taxistas a dedo: esse sim, esse não, esse não, esse só se mudar de carro, esse só se nascer de novo…

– Acho que o parquinho da praia está muito sujo (sim, cara amiga, tem gente que joga cigarro DENTRO do parquinho ) e resolvo gastar R$ 40,00 mandando fazer isso aqui:

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– Choro com filmes sobre  cachorros, filmes sobre crianças, documentários sobre pastas de dente. Choro com criança na rua, com as mães no Oriente Médio, com a pequena Connie Talbot cantando no Britain’s got talent.

– Me revolto contra o chamado terrorismo no mundo cybermaterno;

Resumindo,  uma dedo-duro chorona, temida e odiada por taxistas, crianças e cachorros bravos. E porteiros…e síndicos. E donos de quiosques da praia. E terroristas.

(vê, filho, por onde passa, a mamãe vai fazendo amigos)

 

Faltou surra?

Tá bom, tá bom. Não vou vir com o bom e velho “faltou apanhar”  porque surra não resolve muito, não. Eu mesma apanhei e olha o resultado.

Mas essa moça que aparece dando piti aqui  merecia ter ficado umas três horas de castigo, virada pro quadro negro, pensando no que fez. Resumindo: a moça chega atrasada, perde o vôo para Buenos Aires e manda todo mundo pro raio que o parta: grita com os funcionários de forma racista e elitista, diz que não vai mais sair da esteira e que vai quebrar o computador da Gol.

Não ia trazer o assunto não, mas acho importante assistir, morrer de raiva, depois surtar de pena, parar, refletir. Nós somos inteiramente responsáveis pela educação dos nossos, pelos limites impostos, pelo exemplo dado. Sim, porque essa garota já foi um bebê pentelhíssimo e provavelmente já teve uma mãe e um pai que acharam que estavam acertando. Mas a sua atitude mimada, arrogante e racista provam que alguma coisa saiu errada. Muito errada.

Em tempo: Os funcionários da Gol dizem que vão tomar as medidas judiciais cabíveis e pedir indenização. E eu fico me perguntando quem é que vai indenizar esse pobre marido…

Run, man, run.

E a mãe jura que ele é Fred Astaire…

Coisa de coruja total, mas estava eu editando e salvando fotos do Noah quando me deparo com ele dando essa rodopiadinha ao som de you give me fever.

E eu com meus botões fico pensando: será que é normal a gente se apaixonar mais e mais pela cria a cada dia que passa? Sim porque eu certamente estou me tornando aquelas mama italiana que pensam que o filho é Fred Astaire casa vez que ele dá uma rodopiadinha mais melindrosa. Me dá um certo receio pensar que tipo de mãe está aflorando dentro de mim.

(ou, MUITO PIOR, o tipo de SOGRA que vou me tornar??)

Um ano de Noah

Filho,

Ontem você fez 1 ano.  Exatos 365 dias vivendo fora da barriga da sua mãe. Não rolou festa mas foi um dia igualmente especial, mesmo assim. Nós te abraçamos e te beijamos muito, filhote. Tua vó te fez dançar Elvis. Você experimentou novos sabores e me olhou como quem dissesse “porque  diabos você fica me dando quinoa e beterraba se existe algo tão legal quanto brigadeiro?!”

Então, meu querido filho, queria te dizer que esse ano foi cheio de emoções pra todos nós. Que ano incrível.  E ele foi especialmente intenso pra você que, em tão pouco tempo, já viu o mar, ouviu Tim Maia e comeu salmão.

Você, com algumas horas de vida, descobriu que existem lugares excelentes pra se tirar uma soneca:

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Aos 10 dias você descobriu que pai e mãe são seres meio estranhos, capazes de te enfiar dentro de um balde com a desculpinha besta de que a bizarrice é terapêutica.

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Com um mês e meio de vida tua mãe achou que seria legal fazer cartões de Natal com você vestido de babador de rena. Você por pouco não chamou o Conselho Tutelar.

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Não contente com uma, tua mãe fez DUAS versões de cartão de natal as tuas custas. Nessa aqui ela te enfiou DENTRO daqueles saquinhos de pendurar na porta (mas eu juro juro juro, filho, que eu não te pendurei!)

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Com 4 meses você se vingou e deixou uma surpresinha pra gente no berço:

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Mas daí a gente ficava mostrando pra todo mundo que você ainda não tinha dente:

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Com 6 meses você conquistou piloto e co-piloto:

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Testemunhou o amor daqueles que te trouxeram ao mundo:

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E aprendeu que qualquer maneira de amor vale a pena:

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Aos 10 meses teu pai te ensinou técnicas incríveis…

E aos 11 meses você já dançava eletrônica…

Filho amado, conheço muita gente que em 12 anos não fez a metade do que você fez em 1. A mamãe e o papai prometem que, no que depender deles, os teus próximos anos serão tão animados quanto esse primeiro.

Feliz Aniversário, querido.