Veni, Vidi, Vici (Da série: E não é que a gente sobrevive?)

Bem, aqui estou: inteiríssima, feliz e realizada, após traumáticas semanas pré-primeira-viagem-sem-o-pequeno. E lá está ele: inteiríssimo, feliz e faceiro após 4 dias sem a mamãe.

Confesso que o mais difícil foram os dias que antecederam a viagem, acreditam? Ah. Isso e o momento no taxi, rumo ao aeroporto. Eu, chorando copiosamente e abrindo meu coração pro taxista:

– Ai, que difícil. Mas acho que eles nem sentem muito, né?

– Sentem sim.

E o aeroporto ainda estava a milhas de distância.

•••

Quando eu estava esperando o embarque pensei “Ok, agora ele já está indo dormir, não vai sentir nada”. E isso me ajudou a não dar o cambal e sair correndo do aeroporto. Outras coisas que ajudaram muito:

– As duas pessoas com quem eu estava já têm filhos maiores, já haviam passado pela mesma experiência e me garantiram que todo mundo sobrevive. E isso tudo sem nenhum ar de deboche, típico de quem já tem filho crescido e não tem paciência com mães de primeira viagem.

– Os reports do papai: eram dois relatórios por dia, por email. O balanço ficou assim: 8 relatórios e 12 fotos do Noah photoshopadas sorrindo MUITO em 4 dias de ausência.

– Keep yourself busy:  seja numa viagem de lazer ou trabalho manter-se ocupada ajuda e muito. Assim você não tem muito tempo pra se deprimir toda vez que passar um carrinho de bebê por perto (e eu juro por Deus, é murphy total: é só viajar sem a cria para que toda a frota de carrinhos de bebê da China passam pelo seu lado, pode se preparar)

– Lembre-se que um dia ele vai te pedir pra ir a um acampamento (com aquela namoradinha que te chama de tia): e daí você vai ficar pensando, puxa, sabe que eu deveria ter me preparado melhor pra tudo isso?

– Faça aquilo que seu coração mandar, clichezão mesmo. O meu coração dizia que era hora de cortar o cordão umbilical, mas isso é muito pessoal. Pode ser que você ainda não esteja pronta, e tudo bem que seja assim. Take your time.

– Eu voltei com uma sensação de que existe vida alem da maternidade. E que, apesar do Noah ser o centro da minha existência, não é justo delegar a ele a responsabilidade pela minha realização pessoal. Muita responsabilidade pra um ser tão pequeninho, eu acho.

– Se eu tivesse ido quando ainda não estava preparada (e como saber quando se está preparada, meu Deus?!) tenho certeza que tudo teria sido bem mais difícil. Acho que era a hora.

– Quando estávamos embarcando no avião, a Flávia, que já tem um filho adolescente, me disse que se pudesse voltar atrás teria feito tudo de uma maneira um pouco mais leve e menos angustiada. E esse virou meu mantra de viagem, até dormindo eu repetia. 

– A gente não deixa de ser mãe porque está longe. Antes mesmo de mostrar meu passaporte pro moço da Imigração eu já tinha mostrado a foto do Noah na minha carteira.

-Aliás a foto que você tem na carteira é pra ser mostrada pra todo mundo mesmo. E de acordo com o Código Mundial de Conduta das Corujas a pessoa a quem você mostra a foto deve sorrir e dizer que a criança é mesmo um espetáculo.

– O abraço que você vai receber na volta vai te provar que é preciso muito mais que uma viagenzinha pra te afastar daquele ser. E que, não importa a distância, o taxista ou aquela prima cruel que te fez sentir culpada 5 minutos antes do embarque, vocês são parte um do outro.

E isso ninguém nunca vai mudar.

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13 Respostas para “Veni, Vidi, Vici (Da série: E não é que a gente sobrevive?)

  1. É isso mesmo, Roberta. Além de descobrirmos que nós sobrevivemos a uma separação, também senti que a gente resgata um pouco de nós mesmas no meio dessa história toda. Me identifiquei totalmente com o seu post, porque foi exatamente o que aconteceu comigo.
    O sofrimento foi muito maior antes do que durante. A despedida foi horrível (pra mim, porque a Luísa só falou “tchau mamãe”), mas depois de muito choro no carro até o aeroporto fui me acalmando. E aproveitei a viagem. Era férias, e eu consegui curtir. E vi que eu e meu marido merecemos uma dessa uma vez por ano. E que não seremos piores pais por isso.
    Beijos,
    Roberta

  2. ameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
    ajudou muito.
    acho que já me decidi. (será???)
    beijoca

  3. Viva! Sabia que correria tudo bem, mas não adianta dizer isso, a gente tem que viver para entender. Vc falou muito bem quando disse que é muita responsabilidade para os filhos serem os únicos responsáveis pela nossa realização pessoal. Temos que dosar a carga emocional que despejamos neles, tadinhos.
    Seu texto está fantástico, um verdadeiro manual para a mãe que viaja.
    Beijo e boas vindas (de volta)!

  4. É… existe vida após o parto… adorei quando você disse “…era hora de cortar o cordão umbilical”. Eu hoje tenho certeza de quem dificulta as coisas somos sempre nós, as mães, porque teimamos em manter o estigma de que o filho precisa de nós 100% do tempo. Se a gente não acorda e se vigia, acaba até fazendo mal pro filhote… eu senti isso na pele na semana passada… Arthur tinha tomado a terceira dose da tetra e deu muita dor, ele estava sendo medicado (desculpem as mais radicais, mas eu uso mesmo, não admito meu filho sentindo dor com tanta tecnologia ao nosso dispor…eheheh), mas sempre que estava dando a hora da próxima dose, já começava a doer e ele sofria muito… fui vê-lo na hora do almoço – meu bebezinho, se retorcendo de dor, e desabei. chorei com ele no colo e não havia Cristo que o acalmasse. Deu a hora, tive que ir embora, com o coração em pedaços. Dez minutos depois, minha mãe liga, dizendo que ele havia acabado de dormir, e ainda me fala: “Desculpa, filha, mas eu não via a hora de você ir embora”. Doeu, mas eu entendi. Meu sofrimento aumentou o dele ainda mais, e ele não conseguia se acalmar. Eles ficam muito bem sem a gente, é a gente que tem que se acostumar sem eles…ehehehe
    Beijos, querida, tudo de bom!

  5. adoro ler seus post, adoro! sempre me acho em algumas linhas… ás vezes me sentia culpada em sair e deixar Ian com minha mãe, achava que era egoísmo meu… mas fico feliz em saber que existe sim, vida após a maternidade (rsrsr) fico feliz por você ter superado e por partinhar conosco. abraço

  6. Muito bom, Roberta! Seu blog é maravilhoso e os posts, tão pertinentes a todas nós!
    :o)
    Beijocas.

  7. Ai…Rô…agora você virou minha ídola! Foi, voltou e tá tudo bem com todo mundo! Quando será que eu vou ser capaz de dar uma saída assim? Muito bom ler o post da volta. Me deu mais confiança. Obrigada por partilhar esses momentos com a gente, viu! Beijo!
    PS: E … não teve foto do reecontro com o Noah? Não rolou nenhum filminho em câmera lenta, com aquela musiquinha romântica ao fundo? Ah…

  8. “…não é justo delegar a ele a responsabilidade pela minha realização pessoal. Muita responsabilidade pra um ser tão pequeninho, eu acho.”
    Voce resumiu bem a verdade que eu estava tentando achar dentro de mim.
    E olha que sou mae “mais experiente” que voce…. 1 menina de 2anos e 7 meses e outra de 7meses. E vem voce, “novinha de tudo”, jogar esta verdade na minha cara!! Estava precisando mesmo!!! Cheers!
    Adoro seu blog.

  9. Caramba, to atrasada. Vc já foi e já voltou e eu só vi agora. Fiquei feliz que tenha corrido tudo bem. Eu, definitivamente, não estou preparada, mas acho SIM que temos que levar tudo de uma maneira menos angustiada. Eu tento…ainda chego lá…rsrss!
    Adorei seu texto! Perfeito.
    um beijão, Re

  10. ola roberta!

    como fico muito tempo com o joao, tipo agora, a internet nao esta muito em dia…

    sao otmos seus textos

    vc é jornalista?

    um beijo,
    mariana

  11. Voltou e salvaram-se todos! Ótimo incentivo! beijos

  12. querida, me passa seu email pra eu tirar umas angustiazinhas sobre a viagem contigo???
    beijo!!!

  13. adorei!

    tô (tentando) me preparar pra uma primeira-viagem-sem-bebê.

    bom, já deixei ele dormir na vovó uma vez. isso conta?

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