O dia em que a gente deixou de ser um (e eu me tornei Heleninha Roitman)

Bom, filhote, então chegou o dia em que  você é só você e eu sou só eu.

A mamãe vai ficar longe de você por 5 dias. E pode ter certeza que ela não faria isso se não tivesse a mais absoluta certeza de que você será bem cuidado e tal. 

Desde que você nasceu a gente só ficou afastado por umas horinhas, então a mamãe está achando difícil não andar pela casa chorando, não acordar de madrugada e devorar uma caixa de chocolates ,  não ligar pro pediatra 3 vezes ao dia  perguntando qual a dimensão do trauma que eu posso estar te causando. 

– Mas Doutor será que não fica registrado o abandono?

– Não

– Nem láááá no fundinho do inconsciente?

– Não

– Ah. 

Fora o trauma, fiquei com medo dessa assadura medonha que te apareceu.

– François, melhor ligar na American Airlines.

– E pra que?

– Ué, pra cancelar  a viagem, né? Não posso deixá-lo aqui, sem mim,  nesse estado. O pessoal acha que é besteira mas assadura na bunda pode ser fatal.

Ainda bem que teu pai nem sempre me leva a sério.

Numa última tentativa de não me separar de você eu corri pro teu berço hoje de manhã e, colocando a mão na tua testa  resmunguei:

– Mas que ele tá quentinho, tá.

Mas teu pai sorriu, me beijou e disse que  ia dar tudo certo.

Então não consegui arrumar uma desculpa pra ficar. Eu vou e você fica. Você fica no seu mundinho, seguro, com gente que te ama, seguindo a tua rotina. E sabendo que a mamãe estará feliz em poder voltar a trabalhar e lembrar de quem ela era antes de você existir.

E eu? Bom, eu serei aquela maluca no avião, de óculos escuros pra esconder as lágrimas. Tua fralda numa mão, lexotan na outra. E, ao melhor estilo Heleninha Roitman, vou gritar:

– Parem o avião! Tem um terrorista a bordo.

ps: Brincadeiras a parte, estou arrasada. Implorando por palavras de força e coragem. Por favor, deixe sua mensagem após o sinal. Piiiiiii…

ps2: O lexotan é brincadeirinha. Sou praticamente garota propaganda da Weleda.

ps3: Nenhum ato de terrorismo foi idealizado, arquitetado ou cometido por esta blogueira.

Anúncios

16 Respostas para “O dia em que a gente deixou de ser um (e eu me tornei Heleninha Roitman)

  1. Ai Roberta, chorei só de pensar na hipótese. Consolar não vou conseguir. Sirva de exemplo. Vá, divirta-se, sobreviva à separação de longos 5 dias e motive outras mães que, como eu, ainda não tiveram a mesma coragem.
    Brincadeiras dramáticas à parte, aproveite muito e volte feliz e descansada, que é o que todo filho precisa.
    beijos!!!

  2. Ahahaha, eu não pude conter o risos. O que são esses pê-ésses? Olha, eu estou passando pelo mesmo, estou viajando, longe da minha pequena. Mas, como não é a primeira vez, posso te dizer, cheia de experiência (uia!), que a gente não morre. Nem eles. Mas a saudade é grande!
    Beijos e boa viagem!

  3. Uma grande verdade: quando a gente volta a trabalhar, lembra-se de quem era antes do bebê chegar… eu havia me esquecido de quem eu era, e aos poucos, voltei a ser EU. Não sinta tanto, Roberta, principalmente se ele está bem cuidado cercado de amor como você citou. No meu primeiro dia de trabalho, vim pro escritório aos prantos, morrendo de medo de como ele ia reagir, ele fica com a minha mãe. Na hora do almoço, fui dar o peito e perguntei se ele tinha chorado, ou ficado tristinho…qual o quê, passou a manhã toda na rotininha dele, na maior tranquilidade…ehehehe
    Força, o tempo passa e cura tudo!
    Beijos!
    Esse EU do login é ótimo, sou a Cynthia, do Eu e Eu…eheheheh

  4. Eu acho vc corajosa pra caramba, eu nem operada consegui ficar sem elas!heheh
    Mas te entendo perfeitamente, o mundo vai ficar de cabeça pra baixo enquanto vc estiver longe, ele vai fazer q nem o bebe dos Incríveis e a baba vai ficar louca! ( vai nada eles ficam numa boa, a gente q surta)

    Aproveita Roberta, mas sei q nao vai ser facil, mas pensa assim, tem certas viagens q sao impossiveis com eles!

    Quando voltar me avisa, queria falar com vc para fazer um convite!

    beijocas em vcs e no Noah

  5. experiencia de mae infelizmente nao tenho, mas te falo a de filha: minha mae trabalhou por muito tempo na minha infancia e, quando perdeu o emprego, foi a pior época. Eu lembro do quanto ela era feliz e completa trabalhando e do quanto eu admirava ela e suas roupas bonitas!

    Vai e aproveita, eu sempre escuto que mae feliz é filho feliz!

    beijos e boa sorte!!

  6. Oi, Roberta! Estou conhecendo o seu blog. Adorei o último post. Por enquanto não posso nem pensar em voltar a trabalhar. Já dá um desespero! Prazer, Adriana

  7. Rô, pera aí…vou ali tomar um copo d’água para me refazer e já volto…juro que me emocionei com esse post. Não sirvo de exemplo. Sinto muita falta da Nina quando fico 2 ou 3 horas longe dela, por isso, te entendo, viu!
    Sei lá, acho que o que posso te falar prá te animar é o seguinte: curta sua viagem e pense na sua volta, no Noah te recebendo cheio de carinho prá dar!
    Beijo, querida! Força por aí!
    Dani

  8. Querida amiga,

    saiba que a sua dor tb é a nossa dor!!!!!

    Ser mãe é doidera pura!!! É ver o mundo com lentes hiperbólicas!!!! Tudo é grande, imenso, devastador!!

    Mas a gente sobrevive (pelo menos foi o que me disseram….rs)

    Tenho certeza que ele vai sentir sua falta, que vc vai sentir a falta dele, mas a vida é feita do nosso caminhar, se a gente fica parado tudo acaba, perde o brilho.

    Vai à luta, seja forte, que ele vai te admirar pelas suas escolhas. Mas chore suas lágrimas, se descabele, seja você que tudo vai dar certo!!!

    Estou torcendo muito por vcs!! Assim como a colega lááááá de cima falou, seja nossa musa inspiradora, independente de como tudo correr!!

    Qulaquer coisa grita, tá?

    Bjs, Gabs

  9. você vai consegui.. a primeira vez é mais difícil mas passa…
    ps. só você mesmo, pra nos fazer rir, falando sobre separação…

  10. Oi Roberta, que bacana seu blog… vc escreve de um jeito que nao da vontade de parar de ler…

    Situacao dificil de-mais a sua, viu? Eu nao sei se aguentaria sem chorar todo dia. Mas com certeza no final todos sobrevivem, ne?

    Abracos!

  11. O primeiro passo deve ser bem difícil, mas é o começo da volta do seu eu. Felicidade para a mamãe é felicidade para o filhote também!
    Boa viagem, e milhões de beijinhos no Noah quando você voltar!

  12. Opa! Como assim, voltar a trabalhar? E passar 5 dias longe do pequeno? Agora mesmo, vou te mandar um questionario via e-mail pra entender melhor essa historia. risos…
    acho que ser mãe tem um pouco a ver com um sentimento que você conhece muito bem que é o de ir morar fora do país… De repente a gente larga a vida tranquila e vai se aventurar no exterior, passa por um monte de coisas, as vezes pensa que quer morar fora pra sempre, e as vezes tem saudade até do pedreiro gritando “gostosaaaaa”… não tem volta atras, a gente fica assim eternamente dividida entre o país adotado e a nossa patria amada. Me sinto um pouco assim em relação ao filhote e ao trabalho… tenho vontade de fazer outras coisas, ter outros tipos de conversas e preocupações… mas definitivamente não quero ser mãe de fim de semana… e acho que vai ser assim meio que pra sempre… eternamente dividida entre ser a Flavia de antes e ser a mãe que eu quero ser para o meu filho.
    Sorte que o pra sempre, sempre acaba, né? e um dia a gente encontra aquele caminho alternativo e consegue ser feliz juntando as duas metades!

    não sei se falei, falei e não disse nada. ..

    na verdade só queria dizer: fica tranquila que vai dar tudo certo!

    beijos.

  13. Quero muito conversar contigo pois estou tendo que organizar minha volta ao trabalho e tá complicado….preciso de conselhos!
    o meu blog é http://redebebe.blogspot.com
    um beijo,
    Mariana Kapps

  14. Ai, meninas, obrigada, muito obrigada mesmo pela forca. Estou aqui, longe, morrendo de saudade mas sobrevivendo. Quando voltar conto tudo!
    Beijos e beijos

  15. putz, tô no mesmo dilema… que bom que você foi antes que eu e vai voltar cheia de dicas e experiências pra contar!!! rá!!!
    tô aguardando ansiosa.
    beijo e bom trabalho!

  16. ei lindona! fiquei super feliz de saber que tinha ido tudo bem, com a viagem, a gente sobrevive, né? E depois que passa é que nos damos conta de que nem era pra tanto.
    Mas eu acho que todas as duvidas e questionamentos tambem fazem parte do processo.
    Já matou a saudades e encheu o Noah de beijos?

    beijo grande pros dois

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s