Guerreiras com G Maiúsculo

Foi uma mistura de sentimentos que me ocorreu ao ler os emocionados relatos de amamentação reunidos na blogosfera, por conta da Semana Mundial da Amamentação. Se por um lado eu me senti uma pessoa de muita sorte por tudo ter corrido tão bem, por outro me senti meio farsante por nunca ter entendido o perrengue que muitas mulheres passam ao tentar amamentar a cria.

Bom, mas seja a nossa história bem ou não tão bem sucedida, é importante lembrar de duas coisas:

I – Se você realmente tentou e não conseguiu,  então não há razão pra se culpar  ou se sentir derrotada. E, por favor, nada de se sentir uma mãe desqualificada(como sabemos, esse é um pésssimo hábito materno…)

II –  A informação pode realmente tornar casos difíceis em histórias com final feliz.

Inspirada nessas Guerreiras com G maiúsculo, que queriam muito amamentar mas se depararam com uma realidade bem menos romântica do que a descrita na maioria das divulgações, foi que eu resolvi pedir ajuda profissional. Vitória Pamplona é psicóloga e fundadora do Gestando, um curso para gestantes do qual participei e que foi determinante para o sucesso na amamentação do Noah. Vitória topou dividir seus preciosos conhecimentos, adquiridos ao longo desses 34 anos em que ela vem trabalhando com gestantes.

1. O que leva ao desmame precoce?

 São muitos os motivos que levam ao desmame precoce ( e aqui vou considerar desmame precoce como o desmame total antes dos quatro meses do bebê). Os principais são:

– problemas decorrentes da falta de conhecimento das técnicas de amamentação, como, por exemplo, a pega correta pela criança do peito da mãe: o posicionamento incorreto da boca da criança no peito da mãe provoca  fissuras (rachaduras) no bico do peito e dor para a mãe.

 – problemas decorrentes da falta de confiança na própria capacidade  de amamentar  e da falta de apoio e de tranquilidade: para que o leite flua é necessário que a mulher esteja produzindo ocitocina, que é produzida pela hipófise, e a hipófise não produz suficiente se a mulher está tensa.

 – falta de apoio social: o fato de ter que voltar  a trabalhar precocemente leva muitas mães ao desmame precoce. Apesar da lei garantir 4 meses, muitas mulheres que trabalham no mercado informal não têm como ter este tempo para dedicar a seus bebês. 

2.  Você não acha que as campanhas de amaentação são ainda muito pouco profundas por não tratarem mais abertamente das reais dificuldades que a mãe pode encontrar?

 – As campanhas de amamentação em geral só falam de quão bom é para o  bebê ser amamentado, mas não enfocam as dificuldades da amamentação. E quando as mulheres se deparam com as dificuldades e se vêem sem apoio, renunciam a amamentar e se sentem culpadas. Sei que é dificil aprofundar algo em uma campanha de massa,  mas também acho importante falar que amamentar não é mais instintivo entre nós e que as dificuldades existem e precisa-se de esclarecimentos e apoio para superá-las.

3. Onde  procurar ajuda?

 – A mulher pode procurar ajuda, no SUS, em maternidades e Postos de Saúde que têm grupos de apoio a aleitamento e que são gratuitos. Pode procurar o banco de leite do Instituto Fernandez Figueira, (Tel (21) 25541700,) que também é do SUS, gratuito portanto e dá consultas indivuduais à mãe e ao bebê que estão tendo problemas na amamentação.. Pode procurar um grupo de Amigas do Peito (para saber onde há um mais perto de você  www.amigasdopeito.org.br .) Há também o telefone do Disque Amamentação: (21) 22857779. Existem cursos particulares que preparam para a amamentação, parto, pós-parto e cuidados com o bebê, entre eles o nosso.  Ver o site www.cursoparagestantes.com.br  Damos também assistência a mães que já estão amamentando e estão com dificuldades. 

4. Dicas, dicas, por favor, dicas!

– Amamentar de forma correta não provoca dor na mama.. Se há dor é porque  o bebê não está “pegando” corretamente. Na “pega”  correta,o bebê abocanha a aréola (parte mais escura da mama) e  não apenas o bico do peito: os lábios da criança ficam  virados para fora (boca de peixinho) e seu narizinho e queixo ficam encostados na mama.Pode dar a impressão de que o bebê vai sufocar, mas se ele está sugando é porque está respirando pela outra narina que a mãe não está vendo. A mãe não deve ficar  colocando o dedo em tesoura, puxando a mama, pois isto atrapalha a “pega” correta e fere o peito. Na boa posição para amamentar, a mãe deve botar o bebê com a barriga encostada à sua para que ele fique de frente para a mama.

– Nos primeiros dias da amamentação, no início de cada mamada, o útero se contrái. Isso pode provocar  um pouco de cólica uterina, mas logo passará.

– É normal a mulher sentir excitação sexual, durante as mamadas de seu bebê. Nem todas as mulheres têm esta sensação, mas se você tiver, saiba que é normal. 

– Não é necessário limpar o peito a cada mamada. O banho diário é a higiene necessária para o peito.  Após cada mamada, retire um pouco de leite da mama e passe-o no bico e na aréola,espere secar e coloque o sutiam. O leite é bactericida e cicatrizante. Procure manter a aréola e o bico sempre secos, não use absorventes para o bico pois eles mantêm o bico úmido,  o que pode causar rachaduras.

– Procure uma das ajudas listadas acima, pois há muito mais a aprender sobre amamentação.

Obrigada, Vitória!

Bom, e eu, palpiteira que sou, gostaria de acrescentar mais dois motivos que acabam detonando nosso plano de amamentar:

– Falta de apoio familiar (leia-se Palpite de Tia Agorenta):  Sabe a sua Tia Jacira? Pois é, ela diz que “não teve leite” e – portanto – acredita que você também não terá. O Tia Jaciraaaa! Dá um tempo, vai!? Qualquer coisa você passa Lansinoh na boca da Tia Agorenta e coloca os seus bicos de silicone na orelha, pra não ouvir abobrinha.
Pediatra Amigo da Onça: Ele deixa você lá, com os peitões pra fora e diz “Vou ao cinema, volta daqui umas 8 horas. Se rolar algum probleminha na amamentação, tem uma farmácia ali na esquina que está com 25% de desconto no leitinho da criança! Daí você aproveita e compra uma escova de cabelo, viu, querida, que a sua juba está incontrolável.”
Fuja desse médico. E fuja da Tia Jacira.
Anúncios

4 Respostas para “Guerreiras com G Maiúsculo

  1. Ela disse tudo: “acho importante falar que amamentar não é mais instintivo entre nós e que as dificuldades existem e precisa-se de esclarecimentos e apoio para superá-las”.
    Mas estas tais Amigas do Peito não respondem nem e-mail, pelo menos comigo não funcionou.

  2. Roberta, obrigada pela visita ao blog!
    AMEI esse post, e linkei lá no aprendiz de mãe, tá?
    beijo!

  3. Roberta, a gente pensa muito parecido! 😀
    Olha, acho q a parte mais dificil eh superar o medo de dizer nao aos palpites, confiar um pouco na gente e procurar ajuda correta, pq vejo muita mae procurando palpiltes alheios, o q eh pessimo tbm!
    Realmente os medicos corretos ajudam muito, a gente precisa do aval de alguem “gabaritado” e acabamos acreditando em tudo, amamentaçao, gravidez, saude dos bebes, eh muita coisa que a gente aprende na marra!

    Menina, eu ate tento achar blogueiras do Rio, mas ela nem tchum comigo!!! Eh pq sou pobre, tenho certeza! haha 😀
    Poxa, ce ja morou em Londres, nao conheço nem o Paraguai, mas vai saber como meu ingles eh bem bomzinho!hehe

    Beijocas em vc e no Noah, adorei seus palpites!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s