Arquivo do mês: agosto 2009

Paris pode esperar (???)

Tá. Já consigo falar sobre o assunto sem chorar, tremer e parir um cão raivoso: nós cancelamos nossa viagem e decidimos que Paris pode esperar. Pra quem não sabe, partiríamos amanhã. Então ainda tem mala feita pela casa. Que eu vou desfazer assim que meu desgosto passar. Humpf.

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Foi por um motivo justo e eu sei que foi melhor assim e tal. Mas mesmo assim, deixa a mala lá onde ela está. Que eu ainda não tô pronta.

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Queria agradecer as dicas da Mari (dicas valiosas sobre Paris with Kids). Não que eu já não tenha estado lá, mas só conheci o lado Paris with Wine. A lot of it.

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O meu muito obrigada também a minha cunhada, que ia nos hospedar e abrir mão da paz do seu lar (o que mais esperar quando se hospeda um bebê de 10 meses e a sua mãe sonâmbula, faladeira, compulsiva e cheia de TOC?)

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Claro que como boa brasileira, fico repetindo “não era pra ser, não era pra ser, não era pra ser”, mantra este que eu também utilizo quando 1. não ganho na loteria ou 2. não entro numa calça jeans.

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Eu deveria saber que essa viagem não ia sair. Eu inclusive tive um pesadelo dos mais bizarros que, tenho certeza, tratava-se de um aviso. Foi assim: o francês da imigração era, na verdade, o meu coleguinha Ivan da 5a. série (???!!!!!). No sonho a imigração me barrava e  eu “Ivan, sou eu, nós estudamos juntos, lembra? Quebra essa, vai?!”  Mas o Ivan gritava: “Porque raios seu passaporte é brasileiro se o do seu filho é francês, hein hein hein? Ele vai, você fica.” 

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Aquela coisa, Paris pode esperar e tal. Mas que um pouquinho de glamour ia tirar esse meu ranço de leite vencido, ah isso ia.

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Humpf, humpf, humpf .

(E deixa a mala lá no cantinho dela).


Recado pro Pai do Noah

Amor,

Desculpa se eu sempre peço pra você PELAMORDEDEUS não colocar o Noah de cabeça pra baixo quando ele acabou de comer. E  te lembro o tempo todo de colocar um casaquinho na mochila pra ele. E de não esquecer o protetor solar.

Entenda, eu sei que, como melhor pai do mundo, você cuida muito bem dele. Mas a natureza nos fez assim. A missão da mãe é ser a pentelha da história. E lembrar de trazer o guarda-chuva.

Eu sei que sem a gente o mundo seria bem mais divertido.

(Mas ele teria apenas 2 e não 6 bilhões de habitantes.)

Agora olha o vídeo que eu fiz pra você. Feliz Dia dos Pais.

A quarentena, o gato, o cachorro e o tio henrival

Ah, mais uma coisa: A Flávia do Astronauta lembrou de falar de algo importantíssimo que é a tal da Quarentena. Você lê as dicas dela sobre o assunto aqui no Aprendiz de Mãe.

Ainda sobre o tema Resguardo (primo do Obséquio):  Lembro que na Inglaterra a mulher em quarentena era visitada por uma profissional da saúde, que vai verificar se o bebê está bem, como vai a amamentação etc. Deve ser providencial uma visita dessas, hein?

Já aqui no Brasil, ao contrário da Inglaterra, é a familia que assume esse papel: nasceu o bebê, vem tio, tia, primo, sogra, papagaio, gato e cachorro. Meu conselho é : coloque essa galera pra ajudar, você não tem obrigação nenhuma de ficar servindo pão de queijo pro povo, era o que faltava!

E, depois que todo mundo te der uma mãozinha com casa, comida etc é hora de convidar a pança do seu Tio Henrival a sair de perto do engradado de cerveja e se retirar.

 

bebado

 

Valeu, tio! Agora eu vou amamentar, te ligo daqui uns 40 dias.

Sério. Sem medo de ser feliz.

Palavra de Psicóloga

Bom, e eu que sou louca por um divã (apesar de fugir dele como o diabo da cruz) trago as sábias palavras da psicóloga Aline Melo de Aguiar(•) sobre a importância de uma rede de apoio no processo da amamentação.

Com a palavra, Aline:

(…) Tanto em adolescentes quanto em mulheres mais vividas o processo de encarar a maternidade de frente e assumir que, após nove meses, serão mães, envolve inúmeros aspectos, dentre os quais, uma sutil permissão de sua própria mãe (agora avó, ou outra figura feminima acolhedora). E quando esta mulher (que está mudando novamente de fase no ciclo da vida – o que também pode gerar conflitos) não está por perto, culpas e medos podem se tornar mais fortes neste período de tanta fragilidade que é a gravidez e o pós-parto.

Outro dia ouvi da mãe de um pequeno bebê que pensava em desistir da amamentação no seio quando o filho tinha cerca de 30 dias de vida, mas que sua sogra foi fundamental para que ela mantivesse o aleitamento. Essa mulher, mais velha, vista pela sociedade como uma legítima mãe, pôde validar aquela outra mulher, que estava tão frágil após o parto, na sua função de aleitar. Esta avó simplesmente trouxe o bebê limpo e cheiroso após o banho para perto da mãe e imitando a voz do bebê falou: “mãezinha, estou aqui. Estou limpinho e cheiroso e preciso do seu mamá. Você me pega agora?” Com esta fala, fez com que a mãe se sentisse capaz de cuidar de seu filho, se percebesse com um leite nutritivo e que seu bebê realmente precisava dela. (…)

Adorei, obrigada Aline! 

E é tudo verdade.

Lembro que um dia depois de parir, o Noah estava dormindo e eu me senti  um pouco entediada (como???). Então eu decidi dar um rolê pelos quartos da Maternidade. (que???) Ah, sei lá, vai que alguma outra mãe entediada quisesse ser minha amiga.

Bom, ocorre que a porta do quarto vizinho ao meu estava aberta e eu não pude deixar de ver e ouvir a cena: uma moça com o bebê no colo, amamentando, enquanto as duas senhoras presentes diziam coisas do tipo “logo seca”, “dói, né filha?”, “ai, quando eu me lembro”, “e o peito, o jeito que cai??”

Juro juro juro por Deus, coitadinha da moça. Voltei correndo pro quarto e dei um mega abraço na Dona Marísia, minha mãe, pensando “Graças a Deus você não me diz essas barbaridades, mãe” .

Claro que, em se tratando de Dona Marísia, ela não resistiu e  mandou um ” Nossa, filha, mas que sutianzinho mais feio esse de amamentar, hein? Não deixa o François te ver assim, não, querida, senão o casamento vai pro beleléu”.

(Bem, nem tudo é perfeito. Senão eu ficaria sem assunto pro tal divã.)

 

(*) Aline é mãe da Clara e da Luiza, psicóloga, mestranda em psicologia social com ênfase em desenvolvimento infantil (0 a 3 anos). Para o artigo na íntegra e mais informações sobre o bonito trabalho da Aline http://www.amapsicologia.com.br/artigos/aline/permissao.html)

Guerreiras com G Maiúsculo

Foi uma mistura de sentimentos que me ocorreu ao ler os emocionados relatos de amamentação reunidos na blogosfera, por conta da Semana Mundial da Amamentação. Se por um lado eu me senti uma pessoa de muita sorte por tudo ter corrido tão bem, por outro me senti meio farsante por nunca ter entendido o perrengue que muitas mulheres passam ao tentar amamentar a cria.

Bom, mas seja a nossa história bem ou não tão bem sucedida, é importante lembrar de duas coisas:

I – Se você realmente tentou e não conseguiu,  então não há razão pra se culpar  ou se sentir derrotada. E, por favor, nada de se sentir uma mãe desqualificada(como sabemos, esse é um pésssimo hábito materno…)

II –  A informação pode realmente tornar casos difíceis em histórias com final feliz.

Inspirada nessas Guerreiras com G maiúsculo, que queriam muito amamentar mas se depararam com uma realidade bem menos romântica do que a descrita na maioria das divulgações, foi que eu resolvi pedir ajuda profissional. Vitória Pamplona é psicóloga e fundadora do Gestando, um curso para gestantes do qual participei e que foi determinante para o sucesso na amamentação do Noah. Vitória topou dividir seus preciosos conhecimentos, adquiridos ao longo desses 34 anos em que ela vem trabalhando com gestantes.

1. O que leva ao desmame precoce?

 São muitos os motivos que levam ao desmame precoce ( e aqui vou considerar desmame precoce como o desmame total antes dos quatro meses do bebê). Os principais são:

– problemas decorrentes da falta de conhecimento das técnicas de amamentação, como, por exemplo, a pega correta pela criança do peito da mãe: o posicionamento incorreto da boca da criança no peito da mãe provoca  fissuras (rachaduras) no bico do peito e dor para a mãe.

 – problemas decorrentes da falta de confiança na própria capacidade  de amamentar  e da falta de apoio e de tranquilidade: para que o leite flua é necessário que a mulher esteja produzindo ocitocina, que é produzida pela hipófise, e a hipófise não produz suficiente se a mulher está tensa.

 – falta de apoio social: o fato de ter que voltar  a trabalhar precocemente leva muitas mães ao desmame precoce. Apesar da lei garantir 4 meses, muitas mulheres que trabalham no mercado informal não têm como ter este tempo para dedicar a seus bebês. 

2.  Você não acha que as campanhas de amaentação são ainda muito pouco profundas por não tratarem mais abertamente das reais dificuldades que a mãe pode encontrar?

 – As campanhas de amamentação em geral só falam de quão bom é para o  bebê ser amamentado, mas não enfocam as dificuldades da amamentação. E quando as mulheres se deparam com as dificuldades e se vêem sem apoio, renunciam a amamentar e se sentem culpadas. Sei que é dificil aprofundar algo em uma campanha de massa,  mas também acho importante falar que amamentar não é mais instintivo entre nós e que as dificuldades existem e precisa-se de esclarecimentos e apoio para superá-las.

3. Onde  procurar ajuda?

 – A mulher pode procurar ajuda, no SUS, em maternidades e Postos de Saúde que têm grupos de apoio a aleitamento e que são gratuitos. Pode procurar o banco de leite do Instituto Fernandez Figueira, (Tel (21) 25541700,) que também é do SUS, gratuito portanto e dá consultas indivuduais à mãe e ao bebê que estão tendo problemas na amamentação.. Pode procurar um grupo de Amigas do Peito (para saber onde há um mais perto de você  www.amigasdopeito.org.br .) Há também o telefone do Disque Amamentação: (21) 22857779. Existem cursos particulares que preparam para a amamentação, parto, pós-parto e cuidados com o bebê, entre eles o nosso.  Ver o site www.cursoparagestantes.com.br  Damos também assistência a mães que já estão amamentando e estão com dificuldades. 

4. Dicas, dicas, por favor, dicas!

– Amamentar de forma correta não provoca dor na mama.. Se há dor é porque  o bebê não está “pegando” corretamente. Na “pega”  correta,o bebê abocanha a aréola (parte mais escura da mama) e  não apenas o bico do peito: os lábios da criança ficam  virados para fora (boca de peixinho) e seu narizinho e queixo ficam encostados na mama.Pode dar a impressão de que o bebê vai sufocar, mas se ele está sugando é porque está respirando pela outra narina que a mãe não está vendo. A mãe não deve ficar  colocando o dedo em tesoura, puxando a mama, pois isto atrapalha a “pega” correta e fere o peito. Na boa posição para amamentar, a mãe deve botar o bebê com a barriga encostada à sua para que ele fique de frente para a mama.

– Nos primeiros dias da amamentação, no início de cada mamada, o útero se contrái. Isso pode provocar  um pouco de cólica uterina, mas logo passará.

– É normal a mulher sentir excitação sexual, durante as mamadas de seu bebê. Nem todas as mulheres têm esta sensação, mas se você tiver, saiba que é normal. 

– Não é necessário limpar o peito a cada mamada. O banho diário é a higiene necessária para o peito.  Após cada mamada, retire um pouco de leite da mama e passe-o no bico e na aréola,espere secar e coloque o sutiam. O leite é bactericida e cicatrizante. Procure manter a aréola e o bico sempre secos, não use absorventes para o bico pois eles mantêm o bico úmido,  o que pode causar rachaduras.

– Procure uma das ajudas listadas acima, pois há muito mais a aprender sobre amamentação.

Obrigada, Vitória!

Bom, e eu, palpiteira que sou, gostaria de acrescentar mais dois motivos que acabam detonando nosso plano de amamentar:

– Falta de apoio familiar (leia-se Palpite de Tia Agorenta):  Sabe a sua Tia Jacira? Pois é, ela diz que “não teve leite” e – portanto – acredita que você também não terá. O Tia Jaciraaaa! Dá um tempo, vai!? Qualquer coisa você passa Lansinoh na boca da Tia Agorenta e coloca os seus bicos de silicone na orelha, pra não ouvir abobrinha.
Pediatra Amigo da Onça: Ele deixa você lá, com os peitões pra fora e diz “Vou ao cinema, volta daqui umas 8 horas. Se rolar algum probleminha na amamentação, tem uma farmácia ali na esquina que está com 25% de desconto no leitinho da criança! Daí você aproveita e compra uma escova de cabelo, viu, querida, que a sua juba está incontrolável.”
Fuja desse médico. E fuja da Tia Jacira.

Na mira do perigo…

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A chamada mãe-sem-noção.