Arquivo do mês: junho 2009

Dos cocôs, meias anti-derrapantes e outros assuntos interessantes

– Claro que sumi. Você também sumiria se tivesse que passar os dias correndo atrás do seu bebê de 7 meses,  evitando assim, que ele coloque fogo no apartamento. Ou cave um túnel entre o quarto dele e a cozinha e arremesse coqueteis molotov no apartamento da vizinha.

– Os banhos também ficaram mais frequentes. Explico: como ele agora come comida de gente, o resultado que sai por baixo também é de gente que almoçou buchada.  Então, mesmo depois de limpinho e com a fralda devidamente trocada, o cheiro permanece impregnado no ar. E na parede. E no sofá. Banho nele, até gastar.

– Só agora eu descobri o verdadeiro sentido das meias anti-derrapantes e o quanto elas são indispensáveis nessa fase (e o quanto não fazem sentido algum nos recem-nascidos, senhores fabricantes de meias??!)

– Eu não sei mais me portar como uma mulher madura e reagir com classe diante de uma cantada inoportuna. Antigamente (quando a palavra cocô não saía da minha boca, nem por decreto) eu me orgulhava e muito da minha desenvoltura nesse tipo de situação. Mandava um:

“Não, desculpe, eu sou comprometida” ou

“Muito obrigada, mas eu detesto café”, ou ainda

“Você contribui para alguma ONG que salve pinguins nas ilhas Galápagos? Não? Então, esquece.”  

Bom, ocorre que eu me tornei uma criatura tão, mas tão focada na própria cria, que toda minha compostura foi pro lixo, junto com as fraldas. Ontem mesmo eu joguei, repito JOGUEI o carrinho do Noah pra cima de um desavisado qualquer que arriscou  me perguntar as horas com segundas intenções. Nem certeza de que ele estava realmente me cantando eu tinha, mas não tive duvida: lancei meu olhar bicho-do-mato e empurrei o carrinho contra ele. Uma dama.

Minha teoria é a seguinte: a pessoa tem uma certa habilidade (dispensar marmanjo de maneira classuda e eficaz, por exemplo). Com a maternidade, essa pessoa adquiri novas habilidades (lidar com fraldas radioativas, evitar incêndios e coquetel molotov na vizinha, limpar baba com a ponta do dedo sem estragar a unha recem feita). Como as habilidades não se acumulam (e todo mundo sabe que habilidades não são cumulativas), o ser- mãe começa a perder as habilidades antigas, que vão sendo substituídas por novas. Capacidades anteriores aa maternidade, tais como: participar de uma conversa sobre fisica quântica e fazer de conta que entende, acumular milhagem e andar de jet ski com os cabelos esvoaçantes dão lugar a incrível habilidade de  imitar rouxinol, adivinhar se foi pum ou cocô e dar de mamar no chão da C&A.

Eu disse e repito: uma mulher mais e mais interessante a cada dia que passa.

A semana em que você amadureceu

Por alguma razão que eu desconheço, nas duas últimas semanas você amadureceu uns 11 anos, meu filho.

Você simplesmente levantou e ficou em pé no berço…

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Entrou no próprio armário e decidiu quais sapatos deveriam ser jogados fora…

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Reagiu com charme ao ser estrangulado…

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..E depois ficou numa boa com o agressor…

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Engatinhou…

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Pulou a cerca, questionando a habilidade do papai em construir cercadinhos caseiros…

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Funciona mais ou menos assim: você põe o seu filhote no berço e vai dormir. Na manhã seguinte encontra ele casado, fumando charuto e apostando em corrida de cavalos.