Creche ou Babá?

Minha mãe voltou a trabalhar quando eu ainda tinha poucos meses de idade, então eu sou da turma dos que colecionaram babás. Fátima foi uma delas. Eu gostava tanto, mas tanto tanto da Fátima, que tenho um desenho guardado, entitulado “AS PESSOAS QUE MAIS AMO” e estão lá, devidamente rasurados, minha mãe, pai, madrasta, irmãos e ela – Maria de Fátima.

Fátima foi minha babá favorita. Lembro que fiz greve de fome quando minha mãe finalmente resolveu demiti-la. E exigi que meu pai a readmitisse . Como meus pais já eram divorciados, e eu só passava fim de semana com papai, ele fez a vontade da filha, e a Fátima ficou com o emprego que pediu a Deus: fazia NADA durante a semana e “cuidava” de mim tão somente nos finais de semana. Dá pra imaginar o barraco escândalo diplomático que isso provocou. Tudo pela melhor babá do mundo.

Maria de Fátima não gostava muito de falar a verdade. Aliás, a moça raramente atinha-se aos fatos. Por exemplo: ela me dizia que era, na verdade, uma princesa, que o pai dela tinha um castelo e que ela só trabalhava de babá porque o pai a havia expulsado. Motivo? “Meu pai não gosta do Reginaldo”, dizia ela chorando. Reginaldo era mais feio que bater na mãe e vinha buscá-la de moto. Mesmo assim eu areditava na versão romântica da moça, de que ele era um cavaleiro apaixonado.  Montado em sua cinquentinha.

Além de mentirosa, Fátima era ruinzinha da cabeça. Lembro que ela convenceu minha amiguinha Rosana a comer formiga “Que faz o olho ficar azul”. Eu tentei fazer o mesmo com o Paulinho, mandei ele comer formiguinha, mas meu poder de persuasão era bem menor que o dela e ele me mandou pro raio que o parta.

Lembrei da Fátima porque passei, muito recentemente, pelo velho dilema materno: babá ou creche? (abre parêntese pra explicar que já optei pela creche, então não há mais dilema, fecha parêntese) Tenho certeza que existem babás excelentes, mas não é todo mundo que dá sorte de encontrá-las. As boas babás formam um círculo limitadíssimo, do qual minha querida Fátima – promotora da mentira e do buffet de formigas-  certamente não fazia parte. Babá boa existe, mas é mais raro que urubu branco.

Creche também não é perfeita: tem preço de MBA e é lotada de germes e perebas em geral. Fora que creche abriga mini-deliquentes e furadores de olhos em série. Um perigo.

No nosso caso, a creche ganhou e Noah não poderia estar mais feliz e faceiro. Por três horinhas ao dia, ele brinca, rola e tem aula de música. Creche boa deve estimular, divertir e desenvolver a imaginação.

O que, pensando bem, era exatamente o que minha querida babá Fátima fazia. Isso e comer criancinhas.

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