Arquivo do mês: abril 2009

No restaurante (onde não sentar)

Conversávamos, eu e marido, sobre como as prioridades mudam quando o bebê chega. Coisas que antes eram tão importantes se tornam obsoletas e absolutamente sem sentido. Eu NUNCA acreditaria se, um ano atrás, me dissessem que a alegria de comprar sapatos seria drasticamente substituída pelo êxtase de ver nosso filho colocando catarro pra fora (desculpem, ainda não inventaram uma maneira mais fina de se dizer isso). Ele espirra, papai e mamãe ganham o dia. Simples assim. 

Então, com o Noah super gripadinho e congestionado, é fácil nos reconhecer: nós somos aquele casal do lado de fora do restaurante, com olheiras profundas, rodeados de fraldas infestadas de meleca , exclamando frases repulsivas, do tipo: 

 “Muito bem, meu amor, manda toda esse meleca pra fora”

“Isso, filho, essa foi grandona!”

“Nossa, filhote, verdinha e grandona”

Você vai notar que a gente vai dividir um prato, pra ir mais rápido. E que vai tomar um espaço da mesa ao lado, pra que o carrinho caiba. Ah…e quando não estivermos sorrindo, comemorando cada espirro do pequeno, estaremos provavelmente cantando “Noah, Noah, Noah canoa, vem na canoinhaaaaaaaaa, la la la la la, buuuuuu, baaaaaaaa, la la la la la, na canoaaaaaaaaaaaa”

Eu recomendo mesas de distância.

Com M maiúsculo

Tô de cama.

Acabada, febril, chorosa. Descabelada, de moleton e com um band-aid em cada mão. Meus anti-corpos saíram de férias e não me avisaram, aqueles sacanas. Ocorre que minha imunidade  foi pro beleléu e é por isso eu ando pegando tudo que passa pela frente,  peguei gripe , dor de êstomago, peguei cãibra, catapora e asma (também peguei mania de mentir). Aliás, se você ler um manual de doenças adquiridas quando se está com a imunidade baixa, juro que peguei praticamente todas do tal manual. Não, pior – Eu sou o manual.

E, hello! A gente continua sendo mãe, mesmo quando adoece. Filho a gente não dobra e guarda dentro da gaveta, feito tylenol. Colocou no mundo, tem que cuidar. Esteja você bem ou doente feito cachorro rouco.

Nessas horas que eu fico pensando: como fazem as outras mães, aquelas que não são casadas com meu marido? Como elas se viram sem  ele por perto???  Não sou melhor do que ninguém, não.  Mas o cara é.  François é phodão. 

Comecei a passar mal de madrugada, lá estava ele me mandando plantar batata  incondicionalmente fofo, segurando minha mão. Uma porqueira, porque afinal eu estava debruçada sobre a privada. Ele viu tudo e fez cara de azulejo beige. E olha que a coisa tava feia. Depois dessa humilhação, meu estômago fez parceria com o Olodum e começou com a tal da aerofagia, que é um termo chique para arroto. Arroto alto, muito alto, um horror. E a gente nem fez um ano de casado. (Abre parêntese para dizer que dia desses eu ouvi  que “o arroto é o peido metido a besta que subiu de elevador” fecha parênteses e perdoem minha total falta de compostura punk-adolescente. Eu tô com febre.)

Depois, no hospital, ele ainda teve que lidar com a vergonha de ir embora do lado da moça que arrancou o medicamento das próprias veias. Explico: a maluca da enfermeira, ao tentar colocar o medicamento, explodiu duas veias minhas! E  o pior! Foi ela quem usou o termo “explodiu”!  Sério, ela disse “ups, explodiu  uma veia”, E depois “ups, explodiu uma outra…nossa, como suas veias explodem fáci!” Olha, uma veia, ainda vai.. Mas duas, pra mim, qualifica maus tratos. Só faltou o porão.

E após esse pesadelo, que durou de duas da manhã ao meio dia, lá foi ele trabalhar. Se despediu, deixou um pacotinho de Cream Crackers do lado da cama e foi embora, exausto. 

Amor, você é Marido com M maiúsculo. Desculpe pelas terríveis horas. E pela aerofagia. E por eu ter arrancado o medicamento da veia. E pelo meu modelito ridículo de moça doente.

(e por eu ter colocado nosso filho na gaveta, junto do tylenol)

Cangurú II

Recebi alguns emails a respeito do sling, a maioria mostrando preocupação e dividindo estórias a respeito dos malefícios causados pelos chamados cangurús.  Meu conselho é:  antes de comprar entre no site do fabricante, leia opiniões de profissionais e reze. Outra coisa, não é pra deixar o bebê pendurado o dia inteiro em você, néam? Até cangurú tem que ter bom senso.

 

Use com Moderação

Esse não é sueco, mas eu também adoro. Use com moderação.

Creche ou Babá?

Minha mãe voltou a trabalhar quando eu ainda tinha poucos meses de idade, então eu sou da turma dos que colecionaram babás. Fátima foi uma delas. Eu gostava tanto, mas tanto tanto da Fátima, que tenho um desenho guardado, entitulado “AS PESSOAS QUE MAIS AMO” e estão lá, devidamente rasurados, minha mãe, pai, madrasta, irmãos e ela – Maria de Fátima.

Fátima foi minha babá favorita. Lembro que fiz greve de fome quando minha mãe finalmente resolveu demiti-la. E exigi que meu pai a readmitisse . Como meus pais já eram divorciados, e eu só passava fim de semana com papai, ele fez a vontade da filha, e a Fátima ficou com o emprego que pediu a Deus: fazia NADA durante a semana e “cuidava” de mim tão somente nos finais de semana. Dá pra imaginar o barraco escândalo diplomático que isso provocou. Tudo pela melhor babá do mundo.

Maria de Fátima não gostava muito de falar a verdade. Aliás, a moça raramente atinha-se aos fatos. Por exemplo: ela me dizia que era, na verdade, uma princesa, que o pai dela tinha um castelo e que ela só trabalhava de babá porque o pai a havia expulsado. Motivo? “Meu pai não gosta do Reginaldo”, dizia ela chorando. Reginaldo era mais feio que bater na mãe e vinha buscá-la de moto. Mesmo assim eu areditava na versão romântica da moça, de que ele era um cavaleiro apaixonado.  Montado em sua cinquentinha.

Além de mentirosa, Fátima era ruinzinha da cabeça. Lembro que ela convenceu minha amiguinha Rosana a comer formiga “Que faz o olho ficar azul”. Eu tentei fazer o mesmo com o Paulinho, mandei ele comer formiguinha, mas meu poder de persuasão era bem menor que o dela e ele me mandou pro raio que o parta.

Lembrei da Fátima porque passei, muito recentemente, pelo velho dilema materno: babá ou creche? (abre parêntese pra explicar que já optei pela creche, então não há mais dilema, fecha parêntese) Tenho certeza que existem babás excelentes, mas não é todo mundo que dá sorte de encontrá-las. As boas babás formam um círculo limitadíssimo, do qual minha querida Fátima – promotora da mentira e do buffet de formigas-  certamente não fazia parte. Babá boa existe, mas é mais raro que urubu branco.

Creche também não é perfeita: tem preço de MBA e é lotada de germes e perebas em geral. Fora que creche abriga mini-deliquentes e furadores de olhos em série. Um perigo.

No nosso caso, a creche ganhou e Noah não poderia estar mais feliz e faceiro. Por três horinhas ao dia, ele brinca, rola e tem aula de música. Creche boa deve estimular, divertir e desenvolver a imaginação.

O que, pensando bem, era exatamente o que minha querida babá Fátima fazia. Isso e comer criancinhas.

Mãe pode – parte II

E falando em Politicamente Incorreto, toda mãe olha meio atravessado pra crianças imediatamente maiores que seu próprio filho. Por exemplo: se seu filho tem 5 meses, a criança inimiga tem de 1 a 2 anos. Mães de pequenos de 2 não curtem os de 4, as de 4 os de 6 e por aí  segue a cretinice.  Eis o email que enviei pro maridão, sogra e cunhada quando estava visitando creches, mais especificamente a creche em que agora o Noah está ficando por 3 horas/dia:

(…) Fiquei mais feliz porque fomos em um horario em que a Isabel (a menina ameaçadora e perigosa de 1 ano de idade) não estava. Ela deve ser “promovida” ao maternal dentro de um mês, pois já está muito grande para estar no berçario. Como ela está entediada de ficar no berçario, ela passa o tempo enfiando o dedo nos olhos dos bebês. O Noah quase foi uma das vítimas, salva pela mamãe, que agarrou o braço dela e deu um sonoro NAO!   Isabel até chorou mas a professora não brigou comigo, ainda bem. 

Bom, então ficou decidido que ficaremos em horários diferentes até que ela seja mandada pro maternal. Eu prefiro assim já que Noah, por ser o mais novinho de todos, parece ser a vítima preferida da pequena porém cruel Isabel, a furadora de olhos.

(…) A psicologa da escola veio me ver ( Só porque agarrei o bracinho de uma menina de 1 aninho e fiz ela chorar???) 

PS1: O nome da pentelhinha  garotinha foi modificado, para preservar sua identidade perigosa e ameaçadora.
PS2: Eu já falei: Mãe Pode!