Arquivo do mês: outubro 2008

Dos mimos coloridos

Muito ocupada com meus ataques de rabujentice, esqueci de comentar algo muitíssimo importante. Aos que ainda não sabem: sim, ele está aqui, definitivamente, ao meu ladinho. Me cuidando e me aturando os chiliquinhos de moça pesada. 

Como sabem, vir morar no Rio de Janeiro foi uma decisão nossa, mas François não pôde – não imediatamente – largar tudo e vir pra cá. Então ficamos separados e, SIM, foram meses um tanto difíceis : eu aqui sem ele, ele lá sem mim. E ainda por cima – bless him – viajando TODOS, eu disse TODOS os finais de semana pra cá. Os sábados passavam voando e os domingos eram dias de mau humor, pelo inevitável cheiro de segunda-feira, que era quando nos despedíamos. De novo.

Blagh, não gosto nem de lembrar.

Bom, coisa do passado. O que importa é que, no final, tudo saiu até melhor que a encomenda. Enquanto ele não estava me ocupei com reformas e nossa casinha ficou com a nossa cara e fuça. E – voilá –  ele está aqui, exatamente quando mais preciso dele, nessa fase tão chatinha de final de gravidez.

Se antes, de longe, ele já cuidava tanto da gente, imagine agora, sob o mesmo teto. Tá pra nascer outra grávida que receba tantos mimos, especialmente aqueles espremidos na centrífuga: mimos coloridos, que mimo tem cor. São alaranjados ou de beterraba; mimos de tangerina com maçã; mimos tropicais, que recebo todas as manhãs. Benza Deus.

Meu amor. Quero te agradecer por TODOS os cuidados. Os suquinhos. A homemade granola. E jantarzinhos. E o azeitinho grego. E meu meu Banco Imobiliário, presente de dia das crianças. E os constantes telefonemas. E tudo mais.

E chega de propaganda gratuita.

Das deselegâncias do finalzinho

Sumi, eu sei. Mas é que, aas 37 semanas de gestação, e com o morceguim tomando conta de todo espaço disponível de mim, só me resta passar os dias e as horas a procura de mim mesma. Afinal, se ele ocupa cada centímetro que vai do meu baixo ventre até mais ou menos o meu pescoço, então, onde raios estarão todos os meus órgãos? Sim porque eu juro que TINHA SIM uma porção deles antes de virar essa pessoa cabine dupla. Tô dando recompensa pra quem me der uma pista de onde foram parar meu fígado, pulmões, estômago e diafragma.

Fora essas, surgem outras mil indagações diárias, mas não vou entulhar a cabecinha de vocês com elas. Que o problema da grávida é que ela é muito focada nela mesma, fala só de si, de si, de si. Si isso, Si aquilo.  

O que tem me tirado o sono ultimamente é o parto. Não a dor do parto, que essa eu sei que é mesmo inevitável. Parto é expelir pessoa e isso há de doer. Quer moleza, vai fazer tatuagem ou tirar meleca do nariz.

O que me preocupa é outra coisinha: Fiquei sabendo que, a força que se faz é tão, mas tão grande, que a pessoa pode acabar fazendo xixi na hora do parto. Xixi e cocô. Por cima do médico, na frente do seu marido. E o pior, de toquinha azul-hospital.

Gente! Ninguém tinha me falado isso antes, senão eu JAMAIS teria convidado meu médico pra ir fazer o parto. Nunca! Eu ia era sentar sozinha e parir, solitária, sem passar vergonha. Deus, que vexame, pensa bem.

Ora se tem cabimento eu, sentadona naquelas cadeiras de parto verticalizado, de cócoras, e o médico, lá embaixo, na mira do gol! Eu sabia que tinha que ter alguma coisa errada com essa história de ter nenê na vertical, só pra minha cara mesmo “a gravidade ajuda, bla bla, bla, o bebezinho desce mais facil, não sei que”. Sim, desce o bebê e mais uma porção de coisa não tão bonitinhas.

Mesmo (e principalmente) no auge da decadência, o sujeito deve agir com elegância:

-Doutor, o senhor faz favor de ir desculpando?

– Pelo que?

– Ah, pela baixaria que eu vou aprontar durante o parto…é involuntário, o senhor sabe! Soubesse antes, eu nunca que teria chamado o senhor pra testemunhar um troço desses!

– Roberta, o parto é a coisa mais linda do mundo…e nem eu, nem meu assistente, nem o anestesista, nem o pediatra, nem a enfermeira e nem o seu marido, e muito menos seu filho, vamos ligar pra tamanha pequenice…que pode nem ser tão pequena assim.

– (suspiros)..puxa, e eu que ia pedir pra isso ficar só entre nós. Não dá pra – pelo menos – dispensar o anestesista? Ele tem uma cara de fofoqueiro…

E assim vai-se esvaindo a dignidade que resta aa grávida de 9 meses: uma pessoa com andar de pinguim, que faz seus pormenores na frente dos outros e que não consegue achar o próprio diafragma.

Quel catastrophe.

 

Apertem os cintos, o médico sumiu!

Apertem os cintos, o médico sumiu!