Then they said I DO…

Foi simples e lindo, como tinha de ser.

Na manhã do casório François acordou cheio de mistérios, com carinha de quem estava aprontando. E eu não consegui sacar nada, nadinha do segredinho dele. Vesti meu vestidão florido longo, primeiro porque gosto muito dele. Segundo porque ele era meu  plano A, B e C, tendo em vista o limite de opções no meu guarda-roupas, de vestidos que abriguem peito e barriga e ainda por cima me permitam respirar. Estávamos saindo de casa quando recebemos uma adorável surpresa do casal mais fofo do mundo, meus amados Déa e Edê. Um cartão daqueles borra-maquiagem-de-olho, lindas orquídeas, champagne e chocolate. Uma coisa. E o timing da chegada da surpresa foi perfeito. Thank you both!

Casal Vinte rumo ao cartório. Sorriso dos que (realmente) sabem o que estão fazendo:

 

Lá encontramos meus sogros Thérèse e Philippe e os padrinhos Winnie e Pedro. A juiza de paz era do tipo imponente, risonha, altiva. E entusiasmada o bastante pra nos fazer acreditar que éramos especiais e que esse era um dia especial, inclusive pra ela. E seu discurso, apesar de rápido, foi bastante apaixonado e não era unicamente baseado no casamento. Era um discurso que falava de felicidade, de amor, da cidade linda em que vivemos, e da importância de se reconhecer os bons momentos da vida.  Feito sob medida.

Foi rápido dizer SIM. Mas nossos sorrisos eram lentos, compridos, daqueles sorrisos sem pressa nenhuma de sorrir. Sem Marcha Nupcial, sem Wagner e seu Bridal Chorus, sem distrações casamentísticas. Só ficará na memória o gosto da certeza, o intenso brilho nos olhos e a simplicidade do dia em que, sorrindo, dissemos um pro outro: eu quero ficar (só) com você.

 

 Ah… those lovely surprises…

 Devidamente casados e de aliança no dedo, seguimos os seis para brindar a vida na casa dos sogros. Pessoas queridas, excelente champagne (grávida – não morta, darling). De lá seguimos ao D’Amici, aparentemente o restaurante com a carta de vinhos mais extensa do Rio de Janeiro e um dos couverts mais elogiados. Sabe aquele restaurante onde o couvert não é apenas um couvert? Nada de pãozinho canalha e  azeitinho mais ou menos (God forbid). Os pães, grissinis e focaccias estavam bárbaros, a pizza branca de alecrim a mais fina que já provei e o grana padano impecável. Depois da deliciosa cavaquinha com risoto, meu barrigão deixou de ser residência exclusiva do baby, que teve que dividir o espaço com a tal da cavaquinha. Eles ficaram amigos, de modo a conviver pacififcamente.

 

Nos despedimos de todos, abraços apertados e emocionados e François então me confidenciou que tinha surpresa:  tomar champagne “em um lugar, só nós dois”. Imaginei que seria, de fato, um lugar bonito, mas não passava pela minha cabecinha que teríamos nosso próprio quarto e passaríamos a noite AQUI:

 

E muito menos que acordaríamos vendo ISSO:

vista da nossa janela (seis, eu disse seis da manhã)

 

Foi um sonho. Acordamos cedinho, contemplamos a paisagem e nos beliscamos, just in case. Se fosse pretensiosa pensaria que até os fogos de Pequim, daquela manhã de abertura de Olimpíadas, faziam parte da surpresa. Bom, pra mim fez. Pra quem tinha planejado uma rápida cerimônia seguida de um jantar gostoso pra poucos, dormir e acordar no hotel que ja recebeu estrelas como Ava Gardner, Jackie Onassis e Marlene Dietrich foi um inesperado e delicioso upgrade. São muitas as histórias que envolvem o Copacabana Palace. Eu acho fofo que Walt Disney tenha esboçado o personagem Zé Carioca em um dos quartos do Copa. E deveras bizarro que o Presidente Washington Luiz tenha tomado um tiro da amante ciumenta bem no saguão do hotel. E com o tanto de estrelas que ja albergou, o pobre hotel já testemunhou excentrecidades e ataques de estrelismos de todos os tipos. Orson Welles, que viveu no Copa durante 8 meses, atirou a cama e o criado mudo pela janela, num desses chiliques proporcionais ao tamanho do ego do rapaz.

Albert Einstein e Santos Dumont também se hospedaram lá. Eram os anos 20, década em que o hotel foi construído pela famíla Guinle, que comprou um alqueire de terras em uma praia deserta e desconhecida, chamada Praia de Copacabana.

 

 

                                                      Copacabana Palace, 1923

 

Mas é a Copacabana atual que testemunha nosso primeiro dia de casados.  Mr and Mrs Ferec começam com o pé direito, na calçada mais famosa do mundo. O benção.

 

 

Fale-me de Petrópolis…

 

Não contarei em detalhes porque lua de mel não se detalha, mas posso garantir que mon mari me surpreendeu novamente. Café da manhã devidamente tomado, fizemos malinhas e seguimos sentido  serra, para que eu, esnobe que sou, pudesse matar saudades do frio. Eba!!! Para chegar a Araras, você sobe uma serra linda enquanto sente a total mudança de paisagem e clima. O fresquinho da serra deve ter sido mesmo um alívio aos imigrantes alemães de tez des-melanina-da que colonizaram a região. O friozinho também agradou nosso estimado Imperador D.Pedro II, declaradamente apaixonado por Petrópolis (= cidade de Pedro, in case you didn’t notice it). Diz que não saia dali. Contam que o Imperador exilado e no leito de morte, repetia a quem quer que o visitasse: “Fale-me de Petropolis”.  Poor thing. 

Acender a lareira de nosso chalé foi uma das primeiras providências tomadas por François pois se dependesse de mim ainda estaríamos tentando)

 

O lugar é fantástico, cercado por Mata Atlântica e Araucárias, o pinheiro legitimamente tupiniquim. A comida estava ótima, visitamos a cozinha e entendemos porque: tudo feito com muito carinho e cuidado, simples e delicioso. Comemos muito bem, conversamos até pegar no sono, aproveitamos a hidro imeeeeeeensa do chalé e, claro, namoramos. Muito. Mas nada de detalhar detalhes.

sweet chalé

pedra maria comprida

what else can one wish for?

 

...e nas horas vagas...

...cócegas na barriga

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4 Respostas para “Then they said I DO…

  1. Ai, que lindo Bobbynha! Fiquei emocionada, amiga. Que vcs sejam mto, mto felizes juntos! E nao esquece de me mandar seu endereco, poxa vida! Beijao!

  2. Bobby e François, cá deixo minha benção mais uma vez.
    Que o amor, generosidade e sabedoria acompanhem vocês por toda a vida. Estão lindos! Deve ser efeito dessa tar felicidade… Beijos no três corações!! Quero ver barrigão ao vivo!!!!

  3. amore!!!!! nesse vai-e-vem, sobe-desce, pega-estica-e-puxa de mulher que quer muito, mas não sabe direito o quê, acabei me passando e não te escrevi a tempo. o que não quer dizer que não esteja muito feliz de ver você feliz (e golducha, que no son así tan buena, hahaha, toma ya!)… Você é uma fofa e te conhecer me deu um vibe de alegria incrível. Só isso já te proporcionaria merecimento compulsório a tudo de bom, de acordo com essa minha personalidadezinha egocêntrica. Mas tem muito mais, né? E o melhor de tudo, na minha opinião, é essa sua obstinação RETADA na busca do paraíso. Um graaaaande beijo, com barrigão incluído!

  4. Cara, desde que encontrei teu blog na revista da Gol (ou seria TAM?) – e, diga-se de passagem – estou grávida, não consigo parar de ler. E concordar com cada palavra da vida de grávida que você posta. Além de escrever bem, adoro o realismo e da franqueza com que você escreve. E esta aí é a Pousada das Araras!!!! Também estive lá há pouco tempo e estou igualmente apaixonada….

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