As vezes, o que se vê, diz muito mais do que 1.000 palavras escritas. Então vá lá:
- Pois é.
Aconteceu assim: eu estava sozinha em casa. Fui até a cozinha, abri a geladeira e apanhei a tapauer com o queijo minas.
Nisso, a geléia caiu bem no meu pé. Ouch! Vidro pra todos os lados.
Numa tentativa de recolher os pedaços maiores eu me abaixo. Pego os cacões ainda cheios de geléia de amora e subo. Quer dizer, subiria, não tivessem meus cabelos enroscado naquele trequinho plástico que impede que bebês abram os armários, sabe qual? Um dispositivo de segurança que, aparentemente, também segura a juba de pessoa mais desavisada.
Mexe pra lá, mexe pra cá e o treco não solta meu cabelo. Desespero
Lá estou eu: pateticamente agaixada no chão da cozinha, os cabelos presos pra sempre em um dispositivo de segurança barato, cacos de vidro invadindo até minha existência e nenhuma alma viva pra me ajudar a sair dali. Aos prantos, pensei: aposta quanto que eu tô grávida?
Eeeeeeeeeeeee!!!! Claro que estamos explodindo de felicidade e tal e coisa! Na verdade eu até chorei de tão feliz.
Mas a pergunta que não sai da minha cabeça é: e agora, mané? Será que eu dou conta? Não sei se tenho essa coordenação motora toda pra responder aos emails do Minha Mãe, fazer entrega, ir ao banco, ser simpática com a moça dos Correios, viajar pra terras estadosunidenses, ser blogueira meia boca, esposa idem e, ainda por cima, ser mãe de dois? Sem esquecer nenhum no shopping??
Essas horas penso na Dona Marísia, que criou 4. Mas acho que as mulheres eram mais descoladas naquele tempo. Ou, quem sabe, aquecimento global, violência urbana e depilação estejam tomando muito do nosso tempo? Como também tomam tempo reciclar ,ler, educar, filtrar, comprar, vender, viajar, parir, namorar, dirigir, estudar, malhar, discutir, menstruar. E agora ser mãe de dois?? Sem esquecer nenhum na feira??
Deixo vocês com a imbecilidade que tive que ouvir ontem. Daí que minha vizinha de office virou minha cliente (Ma, querida, você falou que eu podia contar, né, ói eu contando, menina?!) Daí que o ex-sócio dela é meio babaca. E ele sabe que eu vendo coisas de bebê.
Ao escutar que eu estava grávida, o cara não deu parabéns, nem boa sorte, nem tudo de bom. Com aquela classe tão inerente aos malas, ele deu uma ajeitada no saco, sorriu de jeito malandro e soltou:
- Que jogada de marketing, hein?
- Que?
- Sua. Jogada. Engravidar.
- Ah. Pra vender mais roupinha pra recem-nascido?
- Isso mesmo – disse o mala, dando mais uma ajeitada no saco.
- Claro. Nossa. Claro.
Eu sinceramente acho que Dona Marisia só conseguiu criar 4 porque mala assim quase não vingava naqueles tempos. Só pode ser.
PS: volto aqui pra dizer que depois que terminei de escrever comecei a imaginar Noah e o irmão/irmã brincando juntos e sorrindo… e me deu uma vontade de sair cantando e abraçando todo mundo na rua…sério, me deu uma esperança, uma alegria, uma vontade de choraaaaaaaaar aaaaaaahhhhhh aaaaaaahhhhh (know the feeling, huh?)












