Piscar de Olhos

éramos 3

Novembro 26, 2009 · 30 Comentários

As vezes, o que se vê, diz muito mais do que 1.000 palavras escritas. Então vá lá:

(pausa para assimilar a notícia...café?)

- Pois é.

Aconteceu assim: eu estava sozinha em casa. Fui até a cozinha, abri a geladeira e apanhei a tapauer com o queijo minas.

Nisso, a geléia caiu bem no meu pé. Ouch! Vidro pra todos os lados.

Numa tentativa de recolher os pedaços maiores eu me abaixo. Pego os cacões ainda cheios de geléia de amora e subo. Quer dizer, subiria, não tivessem meus cabelos enroscado naquele trequinho plástico que impede que bebês abram os armários, sabe qual? Um dispositivo de segurança que, aparentemente, também segura a juba de pessoa mais desavisada.

Mexe pra lá, mexe pra cá e o treco não solta meu cabelo. Desespero

Lá estou eu: pateticamente agaixada no chão da cozinha, os cabelos presos pra sempre em um dispositivo de segurança barato, cacos de vidro invadindo até minha existência e nenhuma alma viva pra me ajudar a sair dali.  Aos prantos, pensei:  aposta quanto que eu tô grávida?

Eeeeeeeeeeeee!!!! Claro que estamos explodindo de felicidade e tal e coisa! Na verdade eu até chorei de tão feliz.

Mas a pergunta que não sai da minha cabeça é: e agora, mané? Será que eu dou conta? Não sei se tenho essa coordenação motora toda pra responder aos emails do Minha Mãe, fazer entrega, ir ao banco, ser simpática com a moça dos Correios, viajar pra terras estadosunidenses, ser blogueira meia boca, esposa idem e, ainda por cima, ser mãe de dois? Sem esquecer nenhum no shopping??

Essas horas penso na Dona Marísia, que criou 4. Mas acho que as mulheres eram mais descoladas naquele tempo. Ou, quem sabe, aquecimento global, violência urbana e depilação estejam tomando muito do nosso tempo? Como também tomam tempo reciclar ,ler, educar, filtrar, comprar, vender, viajar, parir, namorar, dirigir, estudar, malhar, discutir, menstruar.  E agora ser mãe de dois?? Sem esquecer nenhum na feira??

Deixo vocês com a imbecilidade que tive que ouvir ontem. Daí que minha vizinha de office virou minha cliente (Ma, querida, você falou que eu podia contar, né, ói eu contando, menina?!) Daí que o ex-sócio dela é meio babaca. E ele sabe que eu vendo coisas de bebê.

Ao escutar que eu estava grávida, o cara não deu parabéns, nem boa sorte, nem tudo de bom. Com aquela classe tão inerente aos malas, ele deu uma ajeitada no saco, sorriu de jeito malandro e soltou:

- Que jogada de marketing, hein?

- Que?

- Sua. Jogada. Engravidar.

- Ah. Pra vender mais roupinha pra recem-nascido?

- Isso mesmo –  disse o mala, dando mais uma ajeitada no saco.

- Claro. Nossa. Claro.

Eu sinceramente acho que Dona Marisia só conseguiu criar 4 porque mala assim quase não vingava naqueles tempos. Só pode ser.

PS: volto aqui pra dizer que depois que terminei de escrever comecei a imaginar Noah e o irmão/irmã brincando juntos e sorrindo… e me deu uma vontade de sair cantando e abraçando todo mundo na rua…sério, me deu uma esperança, uma alegria, uma vontade de choraaaaaaaaar aaaaaaahhhhhh aaaaaaahhhhh (know the feeling, huh?)

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Madonna e a MotoBoy

Novembro 13, 2009 · 13 Comentários

Oi. Eu tenho um minuto e meio pra escrever, pois em total correria pré-viagem. Eu sei, eu sei que são só três dias. Mas eu  acabo colocando tudo que é desnecessário na minha mala, posto que não nasci nem francesa nem extremamente versátil. O que me coloca milhas de distância daquela moça chiquérrima que você vê no aeroporto com uma mini-maleta:

- Vai passar só o fim de semana, né? (essa sou eu, pessoa cabine dupla, cheia de desnecessarices na mala.)

- Não, não, eu vou ficar 3 meses. Só trago o necessário, ma cherie (elas geralmentes são francesas, essas pessoas chiques e compactas).

Mas só com aquela necessaire???? Eu pergunto a vocês: como é que elas conseguem? E se neva aqui no Rio de Janeiro e  a moça é pega, assim, de surpresa, totalmente despreparada?  Pior: a pessoa sabendo que está vindo a um país de apagão e não coloca na mala nem uma lanterninha, nem uma vela de sete dias sequer? Tem dó.

Eu prefiro ser mais prevenida.

Até porque nunca se sabe que tipo de circunstância ou quem nos espera. Por exemplo. Hoje de manhã. Quem você viu hoje de manhã? O porteiro? O marido, a filha? O vizinho? Certo. Eu vi Madonna. Tá?

Sério, Madonna estava aqui em Botafogo, ói que mundo pequeno?! Pior é que eu nem tinha umas muambinhas comigo pra dizer “Madonnaaaaaaaaa, Madonaaaaaaa, 2 é 40, 2 é 40!”

* momento preocupação: ai meu Deus, vou checar se Noah está bem e se não foi levado da escola por Madonna, fingindo ser Roberta? Exagero? Vê lá se não é essa tal de Madonna que, por onde passa, vai adotando todos os bebês de nome estranho que encontra?

** momento maldade: já basta que aqui do Brasil ela já levou embora aquele moço Jesus…

***e os agradecimentos: quero muito agradecer a divulgação do Minha Mãe que Disse pelas queridas Flavia , Mari, e  Isadora a consultoria da Roberta , da Dani,  e todas essas blogueiras queridas dessa blogosfera materna, praticamente tias do Noah, a minha fotógrafa-irmã-futura mãe Dea, que tirou essa foto linda que ilustra o blog. Obrigada a Karlinha, a minha mãe e aos meus queridos sogros, que sempre me apoiam. As novas blogueiras e blogs que conheci, os quais quero linkar e ler assim que me sobrar um minutinho. Sobretudo, agradecer aos tantos e tantos emails que eu recebi. Não somente porque são pedidos – e pedidos são maravihosos e fundamentais pra que a coisa continue dando assim tão certo. Mas principalmente porque  os emails me permitem conhecer gente que já me conhece daqui, que me lê sem dizer nada, mas que agora eu sei que existe: seja por email, por telefone ou pessoalmente.

(Pessoalmente, sim. E daí que eu acumulo função de motoboy da empresa? Pelo menos a gente sai na rua e dá de cara com a Madonna. Tá, ma cherie?).

***

Um pequeno update: eu levianamente esqueci de agradecer a pessoa que tanto me ajudou nessa história. Ele próprio, meu grandíssimo amor. Obrigada por toda a força do mundo, que vc SEMPRE faz questão de me dar. Você não se cansa de apostar em mim, não? Bendito dia em que eu te encontrei naquele avião. Sentar do teu lado foi infinitamente melhor do que cruzar a chata da Madonna. Te amo, viu?

Ah…e obrigada ao Noah, que permite ser usado como modelo-sem-receber-nada em plena era anti-escravagista.

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Ser mãe aos 40 (graus)

Novembro 10, 2009 · 19 Comentários

Não vou mentir pra vocês:  eu acho que a maternidade aos 40 graus de temperatura é, digamos, difícil de ser exercida plenamente. Sim, porque me diga QUEM NESTE MUNDO QUENTE  pode ser considerada  pessoa plena depois de suar metade de si própria todos os dias?

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Noah também tem sofrido com as altas temperaturas. Ele, que já não ama bater um pratão, simplesmente se recusa a comer nesses dias encalorados. Não come. Não dorme. Sua em bicas.

Daí você pensaria que o ideal é deixar a criança dormir só de fraldas, certo? Depende. Se ela efetivamente deixa a fralda onde a fralda foi feita pra ficar então essa pode ser uma excelente idéia. Agora. Se essa criança, assim como meu filho, adora o barulho da fita da fralda sendo aberta, meu conselho é COLOQUE UM SHORTINHO, UMA CALÇA, QUALQUER COISA QUE IMPESSA ESSA CRIANÇA DE ABRIR A FRALDA DURANTE A NOITE. Caso contrário olha o que você pode encontrar pela manhã:

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"eu juro, mamãe, juro que foi a fralda que abriu so-zi-nha"

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Embora ele esteja caminhando “firme” (well, tão firme quanto um bebê de 1 ano ou um bêbado possam andar) nós continuamos saindo com ele de Walking Wings, que ele usa desde que começou a ensaiar os primeiros passinhos. O único dia que fomos ao calçadão sem o tal do acessório Noah simplesmente saiu correndo e apertou as bochechas de um simpático pedinte que estava sentado na calçada. Me aproximei a tempo de evitar que o bebum oferecesse um gole de 51 pro meu filho.

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Aqui vai Noah, saltitante e livre (pero no mucho)

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Aproveito para jabalizar e dizer que tenho alguns desses “segura beijoqueiro” para vender. Como o site ainda está em construção improvisei esse blog aqui.

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Jabalizando um pouco mais: coisas fantásticas chegarão a partir de sábado que vem  e poderão ser conferidas aqui a partir de semana que vem. Quem quiser aproveitar e encomendar alguma coisa pro filho, filha, sobrinho e afilhado, lááááááá dos lados estadunidenses, é só mandar um email pro minhamaequedisse@gmail.com.  Pode encomendar. Até sexta agora. E o jabá termina aqui. Plim-plim.

Em tempo: xá-vê se eu entendi , 40 graus E blecaute??

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Amigo é a mãe

Novembro 6, 2009 · 8 Comentários

Desde que virei mãe eu:

- Chamo a polícia se vejo um cachorro raivoso, bravo e mal humorado sem fucinheira;

- Sabe aquela pentelha que dedurava as crianças do prédio quando elas resolviam que jogar ovo pela janela seria uma boa idéia? Pois essa dedo-duro sou eu.

- Cismo com o elevador do meu prédio, acho ele esquisito, feio e torto. Daí minto pro síndico e digo que venho repetidamente sonhando que aquele elevador cai:

“Será que não era melhor chamar a manutenção, Seu Geraldo, meus sonhos geralmente antecedm desgraças…foi sonhar que Lula virou presidente e olha no que deu…”

- Mando cartas ao prefeito;

- Mando cartas a empresas cujos caminhões de entrega não respeitam o sinal de trânsito;

- Escolho taxistas a dedo: esse sim, esse não, esse não, esse só se mudar de carro, esse só se nascer de novo…

- Acho que o parquinho da praia está muito sujo (sim, cara amiga, tem gente que joga cigarro DENTRO do parquinho ) e resolvo gastar R$ 40,00 mandando fazer isso aqui:

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- Choro com filmes sobre  cachorros, filmes sobre crianças, documentários sobre pastas de dente. Choro com criança na rua, com as mães no Oriente Médio, com a pequena Connie Talbot cantando no Britain’s got talent.

- Me revolto contra o chamado terrorismo no mundo cybermaterno;

Resumindo,  uma dedo-duro chorona, temida e odiada por taxistas, crianças e cachorros bravos. E porteiros…e síndicos. E donos de quiosques da praia. E terroristas.

(vê, filho, por onde passa, a mamãe vai fazendo amigos)

 

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Faltou surra?

Novembro 4, 2009 · 7 Comentários

Tá bom, tá bom. Não vou vir com o bom e velho “faltou apanhar”  porque surra não resolve muito, não. Eu mesma apanhei e olha o resultado.

Mas essa moça que aparece dando piti aqui  merecia ter ficado umas três horas de castigo, virada pro quadro negro, pensando no que fez. Resumindo: a moça chega atrasada, perde o vôo para Buenos Aires e manda todo mundo pro raio que o parta: grita com os funcionários de forma racista e elitista, diz que não vai mais sair da esteira e que vai quebrar o computador da Gol.

Não ia trazer o assunto não, mas acho importante assistir, morrer de raiva, depois surtar de pena, parar, refletir. Nós somos inteiramente responsáveis pela educação dos nossos, pelos limites impostos, pelo exemplo dado. Sim, porque essa garota já foi um bebê pentelhíssimo e provavelmente já teve uma mãe e um pai que acharam que estavam acertando. Mas a sua atitude mimada, arrogante e racista provam que alguma coisa saiu errada. Muito errada.

Em tempo: Os funcionários da Gol dizem que vão tomar as medidas judiciais cabíveis e pedir indenização. E eu fico me perguntando quem é que vai indenizar esse pobre marido…

Run, man, run.

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E a mãe jura que ele é Fred Astaire…

Novembro 4, 2009 · 4 Comentários

Coisa de coruja total, mas estava eu editando e salvando fotos do Noah quando me deparo com ele dando essa rodopiadinha ao som de you give me fever.

E eu com meus botões fico pensando: será que é normal a gente se apaixonar mais e mais pela cria a cada dia que passa? Sim porque eu certamente estou me tornando aquelas mama italiana que pensam que o filho é Fred Astaire casa vez que ele dá uma rodopiadinha mais melindrosa. Me dá um certo receio pensar que tipo de mãe está aflorando dentro de mim.

(ou, MUITO PIOR, o tipo de SOGRA que vou me tornar??)

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Um ano de Noah

Novembro 1, 2009 · 16 Comentários

Filho,

Ontem você fez 1 ano.  Exatos 365 dias vivendo fora da barriga da sua mãe. Não rolou festa mas foi um dia igualmente especial, mesmo assim. Nós te abraçamos e te beijamos muito, filhote. Tua vó te fez dançar Elvis. Você experimentou novos sabores e me olhou como quem dissesse “porque  diabos você fica me dando quinoa e beterraba se existe algo tão legal quanto brigadeiro?!”

Então, meu querido filho, queria te dizer que esse ano foi cheio de emoções pra todos nós. Que ano incrível.  E ele foi especialmente intenso pra você que, em tão pouco tempo, já viu o mar, ouviu Tim Maia e comeu salmão.

Você, com algumas horas de vida, descobriu que existem lugares excelentes pra se tirar uma soneca:

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Aos 10 dias você descobriu que pai e mãe são seres meio estranhos, capazes de te enfiar dentro de um balde com a desculpinha besta de que a bizarrice é terapêutica.

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Com um mês e meio de vida tua mãe achou que seria legal fazer cartões de Natal com você vestido de babador de rena. Você por pouco não chamou o Conselho Tutelar.

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Não contente com uma, tua mãe fez DUAS versões de cartão de natal as tuas custas. Nessa aqui ela te enfiou DENTRO daqueles saquinhos de pendurar na porta (mas eu juro juro juro, filho, que eu não te pendurei!)

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Com 4 meses você se vingou e deixou uma surpresinha pra gente no berço:

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Mas daí a gente ficava mostrando pra todo mundo que você ainda não tinha dente:

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Com 6 meses você conquistou piloto e co-piloto:

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Testemunhou o amor daqueles que te trouxeram ao mundo:

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E aprendeu que qualquer maneira de amor vale a pena:

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Aos 10 meses teu pai te ensinou técnicas incríveis…

E aos 11 meses você já dançava eletrônica…

Filho amado, conheço muita gente que em 12 anos não fez a metade do que você fez em 1. A mamãe e o papai prometem que, no que depender deles, os teus próximos anos serão tão animados quanto esse primeiro.

Feliz Aniversário, querido.

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Matou o Pato Donald e Foi Trabalhar

Outubro 20, 2009 · 11 Comentários

Ando numa correria danada.  Resolvi assumir que sou muito dispersa para trabalhar em casa: aposentei meu moleton azul e camiseta do Pato Donald e estou saindo de casa pra trabalhar, feito pessoa importante. Consegui uma salinha pra chamar de minha: pequena, uma infiltraçãozinha aqui, outra ali, mas deveras honesta. Sorry, Donald. But it’s time to say good bye.

***

Continuo atazanando o prefeito. Ele ainda não respondeu, não falei que ele era pessoa ocupada? A gente entende, prefeito. Mas fica feio divulgar email e não responder. Então, pra que você não esqueça da gente, eu estou re-enviando o tal email todos os dias. Assim:

Para: “eduardopaes” <eduardopaes@pcrj.rj.gov.br>, “secretariasprefeitura” <secretariasprefeitura@pcrj.rj.gov.br>,

Assunto: Olá! 

Para: “eduardopaes” <eduardopaes@pcrj.rj.gov.br>, “secretariasprefeitura” <secretariasprefeitura@pcrj.rj.gov.br>,

Assunto: Olá! (II)

Para: “eduardopaes” <eduardopaes@pcrj.rj.gov.br>, “secretariasprefeitura” <secretariasprefeitura@pcrj.rj.gov.br>,

Assunto: Olá! (III)

E por aí vai. Já estou no VI. Vê se responde logo, seu prefeito, que paciência tem limite e eu não sei escrever 97 em algarismos romanos.

***

Noah está andando e, por causa disso,  minha casa não tem mais enfeites, nem luminárias, nem dvds. Tudo se foi, junto com a camiseta do Pato Donald.  Sem objetos a casa ficou – lógico – com cara de recem comprada. A ponto do entregador de pizzas me dar as boas vindas ao bairro.

***

Essa semana tenho que:

- Terminar de pintar o tal cantinho. A infiltração fica. Ela dá um ar de  erm…sabedoria ao local.

- Levar meu material de escritório (caneta bic, bloco-brinde da Marmoraria Pacheco, cartão de visitas (com desconto, porque meu nome saiu errado).

- Espalhar fotos do Noah em lugares estratégicos: na mesa, na parede (e por cima da infiltração.)

- Arrumar um relógio bem grande pra eu não esquecer do horário de buscar o pequeno na escola.

- Explicar para a pedagoga que estou lidando super bem com a adaptação, a escola e a distância do filhote. Dizer que me sinto bem, madura, importante, livre e feliz com a idéia de estar longe.

(e depois confessar, sem parecer maluca, que aluguei uma salinha pra trabalhar que fica…erm…3 minutinhos a pé da escola? Ai.)

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Carta ao Prefeito

Outubro 14, 2009 · 21 Comentários

(e-mail enviado por essa blogueira a Ouvidoria da Prefeitura do Rio de Janeiro, em 14/10/2009. O número de registro é o 1114789 )

Prezado Senhor Prefeito,

Eu não ia escrever sobre isso, não, que isso é tema complicado. Mas como agora tenho um filho e o assunto diz respeito também a ele resolvi superar minha timidez  e, humildemente, pedir a sua ajuda, prefeito. Sabe como é,  quando nasce uma mãe nasce também uma leoa, o senhor concorda? (E quem é que se arrisca a não concordar com uma leoa, né prefeito?)

Desculpa se eu aqui não me expresso com todos aqueles “data venia” ou “solenemente requer” e outros puxa-saquismos galanteios gramaticais aos quais o senhor está acostumado. Sabe o que é, prefeito,  isso aqui é um blog de mãe. E em blog de mãe a gente escreve basicamente palavras do tipo cocô, fralda, arroto e pum. Então vai desculpando a falta de glamour, viu seu prefeito?

Eu, no momento, enfrento o seguinte dilema (e usar a palavra dilema na maternidade é até redundância,  pergunta pra sua esposa):

O Noah, meu filho, vai completar 1 ano. E agora ele vai pra escolinha, por meio período. Ocorre que, por falta de opção no Leme e em Copacabana, tivemos que o matricular em uma escola que fica em Botafogo. (Abre parêntese pra explicar que, pra conseguir vaga em alguma escola por aqui,  só em 2011. Não adianta chorar, nem levar torta pra diretora, nada disso. Só se eu mentisse e dissesse que eu tenho parentes importantes. Tipo o senhor. Mas isso é feio e eu já tentei e não funcionou. e eu me recuso. Fecha parênteses.)

Agora eis que eu me deparo com uma questão de ordem prática: a de como vou levá-lo e buscá-lo todos os dias. Então vamos as opções:

- A pé:

 O túnel que liga o Leme a Botafogo não é lá muito seguro. Acho que o senhor também não cruzava ele a pé, não, hein seu prefeito? Impossível.

- De taxi:

Primeiro é financeiramente inviável. Depois tem a questão do bebê conforto (o qual eu não ando sem) e que agora será enorme, já que Noah não cabe mais no bebê conforto. 

- De metrô:

Taí a primeira solução que veio a cabeça! Mas qual o que, o senhor não vai acreditar! O metrô não tem elevador! Quer dizer, até tem um em Botafogo, mas parece que a pessoa tem que descer as escadas primeiro, chamar um segurança para destravar o elevador, para daí então subir de novo e entrar no elevador.  Eu também fiz essa mesma cara de indignada que o senhor está fazendo agora, seu prefeito. Pensei: mas se eu tenho que descer de escada pra chamar o moço, onde fica o Noah e o carrinho enquanto isso? Lá em cima trocando idéia com o pipoqueiro? Eu não conheço o pipoqueiro da entrada do metrô, seu prefeito! Então não rola! Pensei em levá-lo no canguru, mas estamos no limite de peso (ele, não eu) para o uso do cangurú.

- De carro:

Taí. Pra mim essa opção é ainda mais complicada. Desde que voltei de Londres, onde vivi por quase 5 anos, vivo achando que tenho o direito de viver com o mínimo de segurança. Mania de gringo essa, né seu prefeito? Ocorre que antes de ir pra lá eu sofri um assalto a mão armada em São Paulo. Não sei se o senhor já passou por isso, mas dá um medinho legal, viu prefeito? Daí quando vim morar no Rio ouvi histórias terríveis sobre violência em situações que crianças estão dentro do carro. Resultado: traumatizei, acredita? Simplesmente não tenho coragem de dirigir e deixar meu filho sentado atrás, sozinho. Já pensei em fazer análise mas achei mais baratinho escrever pro senhor. 

O senhor pode me dizer “ema ema ema, cada um com seu problema”. OU o senhor pode ser muito legal e me indicar uma direção, dizer o que faria no meu lugar?! Eu acho que o elevador no metrô seria a solução mais adequada, o que que o senhor acha? Até porque, cá entre nós, fica super feio: uma cidade que vai sediar as Olimpíadas não dá condições de ascesso a pessoas em cadeiras de roda?! O uso do carrinho,pra nós mamães & bebês, é passageiro. Mas o cadeirante  precisa desse serviço permanentemente! E ele paga imposto como a gente e deveria, portanto, ter o direito de utilizar o metrô. Eu pelo menos acho, prefeito!

Olha, eu não vou me estender mais porque sei que o senhor é homem ocupado. E eu sei que esse assunto talvez nem seja de sua esfera. Mas eu sou mãe (e leoa, lembra?) então não tenho tempo para “esferismos e alçadas em geral”. Além do mais, o senhor é jovem e me passa uma coisa de integridade. E certamente conhece mais gente importante do que eu, que não conheço nem o pipoqueiro da entrada do metrô.

Se o senhor quiser conhecer um pouco mais do universo maternal é só dar um pulo no meu blog e dar uma lidinha na lista de blogs que estão a sua direita! Tem muita coisa engraçada e bastante informação sobre cocô, fralda, xixi e arrotos.

Conto com sua ajuda, prefeito. As mães – e eleitoras – do Rio de Janeiro e da blogosfera em geral, também. E pode contar com minha ajuda para quaiquer esclarecimentos.

Um abraço, 

Roberta Zimmermann Ferec – Mãe de um (mini) cidadão

ps: como recebi uma respostinha padrão da ouvidoria resolvi telefonar para o gabinete e consegui o email direto do senhor prefeito. Re-enviei a carta hoje, dia 15/10 (com cópias para as secretárias dele).

ps1: respostinha padrão da ouvidoria:

Um bom dia,

A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro – PCRJ, e a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência – SMPD estão cientes das enormes dificuldades existentes em nossa Cidade no que tange a locomoção de Pessoas com Deficiência.

Para melhorarmos consideravelmente esse quadro, a SMPD está viabilizando um convênio com o Núcleo Pró Acesso da Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ, objetivando tornar os espaços públicos acessíveis na Cidade do Rio de Janeiro.

ps3: respostinha assim não serve pra mãe leoa, serve? ah, não…

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O Mundo de Caras

Outubro 11, 2009 · 20 Comentários

Sabe a Bibi, aquela blogueira de humor afiado e inteligente do Leve um Casaquinho? Pois é, ela propôs uma enquete que ela mesma entitulou fuxicamento-espontâneo-de-utilidade-pública.

 Daí eu, fuxiqueira assumida, pedi permissão (que ela ainda não deu, hehe) para fazer o mesmo com os 2 ou 3 leitores fiéis desse blog.

As perguntas eram as seguintes, dois pontos, ipsis literis, abre aspas:

“1. Onde você mora?

2. É gestante, mãe, pai, avó, avô, tentante ou nada disso?

3. Qual é a sua principal atividade? (Quis dizer profissional, mas também valem respostas bem humoradas para quem não quiser dizer).”

Então eu queria saber, cara leitora: quem é você?

A autora da resposta mais fuxiquenta entrará na próxima edição da Revista Caras, nos seguintes termos:

“Fulana de Tal, 40, passeia com os gêmeos e exibe seu corpo esbelto, corpo este que já voltou ao normal  em apenas 5 minutos após parir os herdeiros!

“Nem Claudinha Leite foi tão rápida”, diz a nova mamãe, enquanto levanta os pesinhos que levou para a maternidade.

“O segredo é enjoar bastante durante os 3 primeiros meses. E abusar bastante da azia no 7o. e 8o mês, assim você não engorda! Outra coisa: quando os gêmeos forem liberados posso substituir os halteres por eles, um em cada mão, certo?”

(e a gente coloca a tua foto maquiada, no berçário, vestindo roupa de ginástica, tá gata?)

PS: A propósito, essas foram as minhas respostas (não que alguem tenha perguntado):

1. Rio de Janeiro.
2. Uma mãe bem mais ou menos. O surviver se chama Noah. Ele segue firme & forte e vai fazer 1 aninho no dia das bruxas.
3. Como fênix, andei sacundindo a poeira (ou eram as cinzas, meu deus??) e estou abrindo meu (pequeno mas limpinho) negócio. Por pura falta de coordenação motora e criatividade o negócio tem a ver com crianças. As vendas serão on line e eu farei toda a parte de jabá assim que o site estiver pronto. No momento me sinto importante e bem resolvida ( mas já vai passar).

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